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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INFORMAÇÃO E A BIBLIOTECONOMIA: O PERFIL PROFISSIONAL
NA ERA DA WEB

Francisco Carlos Paletta

RESUMO
Os recentes desenvolvimentos dos chamados países emergentes têm sido muitas vezes
baseada em novos consensos, com valorização de acesso democrático de informações e
promovendo a inovação. Destaca-se a importância da educação como uma ferramenta
associada com a promoção do crescimento econômico, a geração de riqueza e distribuição de
renda. No contexto da Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e
áreas afins, revisões de projetos pedagógicos são impostas devido a novas demandas de
profissionais com habilidades multidisciplinares, compreensão e facilidade de lidar com
ferramentas de tecnologia, sem limitações geopolíticas, e com diversidade cultural. Os
egressos desses programas devem estar preparados para atuar em setores estratégicos da
sociedade moderna: produção, ensino e pesquisa.
Palavras-Chave: Biblioteconomia; Educação; Ciência da Informação, Inovação; Web 3.0
Tecnologia da Informação.
ABSTRACT
The recent developments of the so called emerging nations have been often grounded in new
consensuses, with valuation of democratic access of information and fostering innovation.
Stands out the importance of education as a tool associated with the promotion of economic
growth, wealth generation and income distribution. In the context of Information Science,
Library Science, Archival Science, Museology, and related areas, revisions of pedagogical
projects are imposed due to new demands for professionals with multidisciplinary skills,
understanding and ease to deal with technology tools, without geopolitical limitations, and
with cultural diversity. The egress of these programs must be prepared to act in strategic
sectors of modern society: production, education and research.
Keywords: Library Science; Education; Information Science; Innovation; Web 3.0;
Information Technology.

1948

�Introdução
O recente desenvolvimento social e tecnológico de nações e regiões tem sido
majoritariamente alicerçado em uma cultura de valorização da informação, da inovação e da
educação como elementos de promoção do crescimento econômico, geração de riqueza e
distribuição de renda.
Toda ciência é uma atividade social determinada por condições históricas e
socioeconômicas. Desta forma a sociedade da informação necessita de uma ciência que estude
as propriedades da informação e os processos de sua construção, comunicação e uso. Hoje, o
objeto da ciência da informação não é mais o mesmo da biblioteconomia e de suas veneráveis
disciplinas coirmãs. Não é mais a biblioteca e o livro, o centro de documentação e o
documento, o museu e o objeto, mas é a informação que apresenta foco (LE COADIC, 1996).
Na área da gestão da informação, a rápida obsolescência do conhecimento associa-se à
necessidade de um profissional com visão holística, habilidades gerenciais, metodológicas,
culturais e sistêmicas. A competitividade global impõe um novo perfil profissional, que tem
como desafio equilibrar as habilidades de uma sólida formação acadêmica, visão técnica
aplicada, com a capacidade de gestão dos processos produtivos com foco na competitividade
e atuação global dos profissionais e das organizações.

Educação e ciência da informação
Um dos principais desafios da educação na área da Ciência da Informação, é o
desenvolvimento de currículos que proporcionem uma formação alinhada com os desafios do
mercado global, sem deixar de se preocupar com a formação cultural e humanística dos
profissionais que atuam na área, em um contexto onde a tecnologia desempenha papel
fundamental na gestão da informação e produção de conhecimento. Fator relevante neste
processo de formação de profissionais que atuam na área da organização da informação, está
na estruturação de uma organização de ensino que contemple um corpo docente que reúna
mestres e doutores bem com profissionais que ocupem posições ativas e estratégicas no
mercado de trabalho, o que permite enriquecer o ambiente acadêmico com novas visões e
tendências. Aulas tanto teóricas quanto práticas devem fazer uso de modernos recursos
computacionais que permitam a reprodução de ambiente de pesquisa, desenvolvimento e
produção levando o aluno e o professor a vivenciar a realidade competitiva em que as
organizações estão inseridas.
No contexto da Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e
áreas afins, há forte demanda por profissionais com competências e habilidades

1949

�multidisciplinares, sem fronteiras geopolíticas, com diversidade cultural, com forte
dependência por inovação e uso das tecnologias. Assim, torna-se fundamental estudar e
compreender o projeto político pedagógico praticado pelas universidades nesta área do
conhecimento, sua necessidade de atualização com foco no perfil do egresso que esteja
preparado para atuar nos setores estratégicos e indutores de desenvolvimento sustentável da
sociedade moderna: produtivo, educação e pesquisa.
Para os desafios da competitividade internacional, impõe-se o valor estratégico da
ciência e do conhecimento. Dentre as questões macroconjunturais apresentadas para o Brasil,
uma que interessa sobremaneira trata da modernização e internacionalização do nosso modelo
acadêmico. Não basta mais garantir a boa formação aos estudantes, é preciso desenvolver as
novas habilidades exigidas pelos mais diversos campos de trabalho global.
Nesse contexto de mudanças cada vez mais dinâmicas, o conhecimento torna-se
obsoleto rapidamente. No caso da ciência da informação, vanguarda em relação a muitos
campos do saber científico-tecnológico, pode-se inferir que metade do aprendizado adquirido
em tecnologia na universidade estará superado após cinco anos. É preciso, então, pensar em
uma qualificação holística, valorizando habilidades de gestão, comunicação, liderança,
metodológicas, culturais, multidisciplinares e sistêmicas — todas destacadas na economia do
conhecimento.
Para bem pensar hoje o ofício da educação, é preciso compreender e valorizar a
complexidade do mundo contemporâneo. Além de uma competência técnica específica, no
caso da ciência da informação absolutamente indispensável, a maioria das novas ou renovadas
profissões exigirá a prática de inúmeras capacidades culturais. Educar o profissional da
informação para o século XXI é equilibrar o binômio especialista, em sua dimensão técnica,
versus generalista, de caráter multidisciplinar.

Inovação e Conhecimento
Na história da industrialização, é partindo do âmbito das ideias e observações que se
passa à experimentação, depois ao desenvolvimento tecnológico para alcançar o mercado via
modelo de negócios. Gestão da inovação é a gestão da cadeia de valores que envolvem ideias,
modelos de negócio e mercado. Com base nas definições da OCDE, inovações do tipo
organizacionais podem envolver a implementação de mudanças significativas nas práticas de
gestão do conhecimento, e algumas informações sobre a gestão do conhecimento podem ser
obtidas a partir das questões sobre a inovação organizacional.

1950

�De acordo com o Manual de Oslo, gestão do conhecimento envolve aquisição,
utilização e compartilhamento de conhecimentos. Trata-se de administrar interações externas
e fluxos de conhecimento, incluindo métodos e procedimentos de busca de conhecimento
externo e estabelecimento de relacionamentos mais estreitos com empresas, consumidores ou
instituições de pesquisa (OECD, 2005). São práticas de gestão do conhecimento, políticas e
estratégias, liderança, captura de conhecimento, treinamentos e comunicações. A gestão do
conhecimento envolve práticas de aquisição de conhecimentos externos e interação com
outras empresas e de compartilhamento e utilização do conhecimento no interior da
organização. Para o manual, as práticas de gestão do conhecimento voltadas para a melhoria
do fluxo interno e do uso da informação incluem:
S Bases de dados sobre as “melhores práticas”;
S Educação regular ou programas de capacitação;
S Grupos de trabalho formais e informais para promover a comunicação entre os
colaboradores e sua interação;
S Atividades de integração entre setores de diferentes áreas.
O processo de inovação não pode ser representado por uma sequencia linear de
eventos, a partir apenas de um único fator. Trata-se de um processo que ocorre de forma
interativa, que envolve múltiplas relações e aspectos, como domínio de conhecimento;
necessidades sociais; procura pelo mercado; apoio governamental; disponibilidade de capital;
serviços de apoio como marketing e design entre outros (REIS, 2004).
As decisões sobre como usar e trocar conhecimentos existentes e obter novos
conhecimentos é fundamental para a operação das organizações. Assim, os sistemas
adequados à gestão do conhecimento podem melhorar a competitividade e a capacidade
inovadora (OECD, 2008).
Nas últimas décadas a tecnologia tornou-se cada vez mais baseada na ciência - com a
escolha de problemas e a condução da pesquisa frequentemente inspiradas pelas necessidades
da sociedade - e em especial sobre a relação entre a busca de entendimento fundamental, de
um lado, e as considerações de uso do outro. É óbvio que a maioria dos segredos básicos da
natureza foram elucidados por homens movidos apenas pela curiosidade intelectual, que
desejavam descobrir novo conhecimento pelo conhecimento em si. A aplicação do
conhecimento vem normalmente mais tarde, frequentemente bem mais tarde; também é
realizada por outros homens, com dons e interesses diferentes (STOKES, 2005).
A pesquisa básica é precursora do progresso tecnológico à medida que se converte as
suas descobertas em inovações tecnológicas capazes de satisfazer toda a gama de necessidade

1951

�da sociedade: econômica e social. Aqueles que investem em ciência básica obterão seu
retorno em inovações tecnológicas pelos processos de transferência de tecnologia. Uma nação
que depende de outras para obter seu conhecimento científico básico novo será lenta em seu
progresso industrial e fraca em sua situação competitiva no comércio mundial (BUSH, 1945).

Informação 3.0
Num mundo sem barreiras à produção do conhecimento, mobilidade, e capacidade de
cooperação em rede, passaram a ser conceitos chaves para todos os profissionais que atuam
com a gestão da informação e para as organizações que competem num mercado cada vez
mais globalizado. Mobilidade deve ser entendida não apenas no seu aspecto físico - até
porque, num mundo integrado pela tecnologia da informação e da comunicação, a mobilidade
está se tornando cada vez mais virtual, principalmente no sentido de flexibilidade, de
adaptabilidade, e de interatividade.
A mobilidade é o conjunto de atributos que permite ao profissional, aproveitar novas
oportunidades em um cenário global. A mobilidade exige competências que vão além da
formação acadêmica tradicional, e a garantia oferecida por padrões internacionais de
certificação e validação dos diplomas de nível superior. Esta é uma tendência irreversível que
decorre de novas formas de organização da produção, de que são exemplos o outsourcing, ou
terceirização dentro das fronteiras nacionais, o offshoring, ou terceirização internacional, e a
formação de cadeias de suprimento, de informações e de conhecimento. A mobilidade impõese pela necessidade de garantir a competitividade dos blocos econômicos regionais, bem
como o desenvolvimento local, em resposta aos esforços da competitividade global. Para
alcançar esta mobilidade, o profissional da informação necessita aliar o conhecimento técnico
e científico tradicional - elementos básicos da ciência da informação - a habilidades de gestão
que o qualificam a assumir responsabilidades no novo ambiente organizacional.
Dado que os saberes científicos e as inovações tecnológicas estão desigualmente
repartidos entre países ricos e pobres, por níveis educacionais e faixas etárias, a problemática
da diversidade cultural e os estudos sobre ela devem fazer parte da consideração teórica, da
investigação empírica e do planejamento de políticas neste campo. Também é necessário
delimitar o alcance da posição oposta, que afirma, a partir da antropologia, que todas as
sociedades, em todas as épocas, foram sociedades do conhecimento, ou seja, que todo o grupo
humano dispôs de um conjunto de saberes apropriado ao seu contexto e aos seus desafios
históricos (CHOO, 2003).

1952

�A organização do conhecimento liga os três processos de uso estratégico da
informação - a criação de significado, a construção do conhecimento e a tomada de decisões
- num ciclo contínuo de aprendizagem e adaptação que podemos chamar de ciclo do
conhecimento. Entre os elementos mais importantes que influenciam o uso da informação
estão as atitudes do indivíduo em relação à informação e a sua busca, atitudes essas que são
fruto da educação, do treinamento, da experiência passada, das preferências pessoais. O risco
aqui é de uma supersimplificação, de ver o usuário da informação como alguém que quer
extrair informações específicas e definitivas no menor tempo possível, ou como alguém
disposto a investir esforço para buscar e explorar o conhecimento. A verdade é que as pessoas
oscilam continuamente entre extrair e explorar, e que o uso da informação é um processo
confuso, desordenado, sujeito aos caprichos da natureza humana, como qualquer outra
atividade (CANCLINI, 2009).
O desenvolvimento da tecnologia da informação seguiu o curso do processo de
industrialização. Inicialmente, a competência exigida era eminentemente técnica. Em um
segundo momento, à medida que a indústria se diversificava e sofisticava, passou a ser
requerida a qualificação científica. Já na terceira etapa, adicionam-se a necessidade das
competências gerenciais. A direção seguida no processo foi a da especialização crescente.
Avançou-se, então, para um quarto estágio, a que se chegou optando pela direção inversa indo-se da especialização para a formação holística, como uma exigência da mobilidade e
relacionada à flexibilidade mental e, portanto, à inovação. A relação entre conhecimento
holístico, mercados globalizados, economia do conhecimento e desenvolvimento sustentável é
intrínseca.
Para um profissional da informação, ter formação holística significa agregar às
competências técnicas básicas novas conhecimentos e habilidades. Esse profissional deverá
conviver em comunidades e culturas diversificadas, que interagem e resolvem questões e
problemas do cotidiano a partir de um olhar peculiar e característico. O profissional deve ter
capacidade de comunicação e saber trabalhar em equipes multidisciplinares. Ter consciência
das implicações sociais, ecológicas e éticas envolvidas na gestão, acesso e uso da informação.
Falar mais de um idioma e estar disposto a trabalhar em qualquer parte do mundo também são
características demandadas pelo mercado de trabalho que coloca a competitividade e
produtividade no centro da sua estratégia.
Uma compilação de estudos recentes resume o tipo de competências e habilidades
requeridas hoje de um profissional da informação:

1953

�S Aplicação dos conhecimentos de gestão, organização, acesso e uso da informação;
S Atuação em equipes multidisciplinares;
S Identificação, formulação e solução de problemas de gestão do conhecimento;
S Senso de responsabilidade ética e profissional;
S Reconhecimento da necessidade de treinamento continuado;
S Utilização de técnicas e ferramentas modernas das boas práticas de organização,
acesso, uso e gestão da informação;
S Projeto de sistemas, componentes e processos para atender a necessidades
específicas dos usuários;
S Responsabilidade sócio-ambiental;
S Compreensão do impacto das soluções de TICs em um contexto global e social.
A formação de tais habilidades exige que as disciplinas técnicas previstas nas
diretrizes curriculares sejam complementadas com conteúdo interdisciplinar, e que a teoria
esteja acoplada à solução de problemas. A cooperação entre a universidade e as organizações
nesse caso é fundamental. A compreensão do contexto em que se desenvolvem as atividades
de ciência da informação nos diversos países ajuda a quebrar as barreiras culturais. A
educação continuada ou a aprendizagem ao longo da vida é exigência de um mundo de
transformação acelerada e da tendência de envelhecimento da população, que leva a uma
extensão da vida útil da força de trabalho.

Formação de Usuários e Competência Informacional
A inovação tecnológica constitui uma ferramenta essencial para aumentar a
produtividade e a competitividade das organizações, assim como para impulsionar o
desenvolvimento econômico de regiões e países. O desenvolvimento não deriva de um mero
crescimento das atividades econômicas existentes, mas reside fundamentalmente em um
processo qualitativo de transformação da estrutura produtiva no sentido de incorporar novos
produtos e processos e agregar valor à produção por meio da intensificação do uso da
informação e do conhecimento.
No novo contexto mundial definido pela globalização e pela mudança tecnológica, o
conhecimento tornou-se principal riqueza das nações, das empresas e das pessoas, podendo
também vir a constituir o principal fator de desigualdade. A Sociedade da Informação é a
pedra angular das Sociedades do Conhecimento. O conceito de “sociedade da informação”
está relacionado à ideia da “inovação tecnológica”, enquanto o conceito de “sociedades do
conhecimento” inclui uma dimensão de transformação social, cultural, econômica, política e

1954

�institucional, assim como uma perspectiva mais pluralista e de desenvolvimento. O conceito
de “sociedades do conhecimento” expressa a complexidade e o dinamismo das mudanças que
estão ocorrendo. O conhecimento em questão não só é importante para o crescimento
econômico, mas também para fortalecer e desenvolver todos os setores da sociedade
(ESTRATÉGIA DE LISBOA, 2008).
A expressão Information Literacy tem suas origens no surgimento da sociedade da
informação, caracterizada pelo rápido crescimento da informação disponibilizada e as
mudanças ocasionadas pela tecnologia usada para gerar, organizar, disseminar, acessar e usar
a informação (MELO, 2007).
Competência Informacional ou Information Literacy esta ligada a necessidade de se
desenvolver nos indivíduos aptidões sobre habilidades e competências relacionadas ao acesso,
uso e disseminação da informação, objetivando fazer uso desta de forma ética e eficiente, para
que o ser humano através de seu intelecto e processo cognitivo possa produzir novo
conhecimento (CAMPELO, 2003).
A noção de fácil acesso à informação por meio da tecnologia a partir do
estabelecimento de redes, Internet e as telecomunicações, criou uma noção errônea do
imperativo tecnológico como resposta às deficiências comunicacionais e educacionais da
humanidade. O conhecimento e o uso deste ferramental tecnológico são essenciais nos dias de
hoje, porém é preciso considerar que por si só a tecnologia não leva à comunicação e à
educação. A competência informacional esta fortemente relacionada ao processo de
interiorização de conhecimentos, habilidades e valores ligados à informação e ao aprendizado
(DUZIACK, 2001). Em um contexto mais prático converge para um conjunto de habilidades
necessárias para localizar, interpretar, analisar, sintetizar, avaliar e comunicar a informação
em diferentes ferramentas e suportes (DUZIAK, 2003).
O ser humano cria sua própria realidade e tem seus próprios estoques internos de
informação, os quais são usados para compreender as informações externas e as diferentes
situações em que os indivíduos se encontram em dado momento. O comportamento de busca
e uso de informação são modelados pelo estilo cognitivo do indivíduo e por fatores que geram
o encontro do usuário com os sistemas de informação ou as consequências de tal confronto. É
preciso atentar para o fato de que não é possível mais se limitar à tarefa de localizar fontes de
informação, não levando em consideração as tarefas de interpretação, formulação e
aprendizagem envolvidas no processo de busca de informação. O aumento no acesso à vasta
quantidade de informação requer, entretanto, serviços que se centrem no significado da busca
mais do que meramente na localização da fonte.

Nessa perspectiva, os usuários da

1955

�informação não podem ser vistos apenas como um dos integrantes do sistema, mas como a
“razão de ser” do serviço. Sistemas de informação organizados nessa perspectiva tradicional
concentram-se prioritariamente na aquisição e administração de grandes coleções de
materiais. Assumiu-se, durante décadas, que as atividades técnicas dos sistemas eram o seu
ponto nevrálgico. Considerava-se que os usuários utilizavam o sistema exatamente da maneira
como estes tinham sido projetados. Não se imaginava indagar, aos sistemas, questões
imprescindíveis sobre a identidade e propósitos principais de seus usuários. Como a
informação era considerada como algo existente fora das pessoas e passível de ser transferida
de uma para outra, parecia ser possível que eficiência e sucesso das operações de um sistema
pudessem ser medidos em função do número de fontes de informações recuperadas pelo
sistema versus o que realmente foi de interesse do usuário. Isso, na realidade, coloca
novamente o usuário como um processador imperfeito da informação, pois já é sabido que
nem todas as pessoas se interessam pelas mesmas fontes indicadas. Resulta desse
procedimento que hoje em dia se conhece muita coisa sobre planejamento, aquisição,
organização, controle e desenvolvimento de coleções, mas muito pouco sobre como as
pessoas fazem uso dos sistemas ou para que fins e como a informação que é a matéria-prima
dos sistemas está sendo utilizada (FERREIRA, 1995).
Considerando as sete faces da Information Literacy : Tecnologia da Informação, Fontes
de Informação, Processo de Informação, Controle da Informação, Construção do
Conhecimento, Extensão do Conhecimento e Inteligência (BRUCE, 2013), podemos afirmar
que neste contexto, as bibliotecas são vistas como modelo de ambiente informacional e como
espaço de aprendizagem. Os bibliotecários são educadores, ativamente envolvidos com os
processos de ensino aprendizado. Sua crença se baseia no aprendizado independente, autoorientado e no aprendizado baseado em recursos informacionais (PASSARELLI, 2009).
Partindo da premissa de que o ser humano necessita constantemente renovar os seus
conceitos, está surgindo uma nova forma de interatividade entre usuário e a Internet. A Web
Semântica (ou Inteligente). A construção de uma internet mais Inteligente caminha devagar,
mas pode provocar uma mudança significativa nos modelos de acesso, apropriação e uso da
informação. Com o uso de novas tecnologias é possível tornar as coisas mais fáceis e agilizar
os processos de busca de informação e geração de novo conhecimento. A WEB Semântica é
nada mais nada menos, que uma web com toda sua informação organizada de forma que não
somente seres humanos possam entendê-la, mas principalmente máquinas. É neste ponto que
surge um novo usuário da informação com novas demandas por recursos computacionais e
novas capacidades em produzir novos conhecimentos. Conhecer este usuário e seus modelos

1956

�de busca demanda novos estudos e pesquisas que possam permitir redimensionar os serviços
de informação oferecidos pelas Bibliotecas e Centros de Informação.

A Informação , a WEB

e o Desenvolvimento

Tecnológico

O Brasil passa por um ciclo intenso e vigoroso de transformações e mudanças
estruturais e tecnológicas na produção e acesso a informação. Há, entretanto, necessidades de
aprofundamento das transformações, em especial nas áreas de educação e de tecnologia, a fim
de criar novos ciclos de desenvolvimento, permitindo assim ao país atingir níveis mais
elevados de qualidade de vida para sua sociedade.
Consideramos que a velocidade de consolidação do Brasil em um país desenvolvido
depende da qualidade da distribuição interna de renda, recursos e conhecimento, além de um
posicionamento agressivo no mercado global. Neste sentido, uma das principais ações que
devem receber destaque nos próximos anos é o empreendedorismo tecnológico, isto é, a
capacidade de oferecer ao mercado, novos produtos e serviços baseados em tecnologias
inovadoras. Este papel desafiador compete a todos os setores da sociedade e em particular aos
profissionais da ciência da informação, que devem ser capazes de produzir conhecimento,
utilizando-se de novas técnicas e criatividade.
As mudanças ocasionadas pela tecnologia em gerar, disseminar, acessar e usar a
informação demanda por novas habilidades e competências. É neste ponto que surge um novo
usuário da informação com novas demandas por recursos computacionais e novas
capacidades em produzir novos conhecimentos.
A Web 3.0 ou Web Semântica, é uma das grandes propostas para o futuro da Internet,
pois será ela que definitivamente organizará todas as informações que estejam na Internet.
Permitira que os aplicativos baseados na Web sejam Open-Source e viabilizara uma grande
interatividade em diversas áreas da Web. O uso do celular será um agente de inclusão digital e
consequentemente acesso a informação. Com o fenômeno do Big Data, a Web 3.0 terá como
objetivo organizar as informações para que os usuários tenham mais facilidade no acesso e
uso. A busca Semântica como é chamada os buscadores da Web 3.0, organizam informações
por assuntos determinados, algo bem mais complexo do que é usado atualmente pelo mundo
inteiro. A rede mundial de computadores ainda não consolidou a Web 2.0 e empresas já
começam a desenvolver a Web 3.0. Será um modo mais organizado de procurar informações
na Internet (PALETTA, e PUIG, 2014).
Evidencia-se a influência que a tecnologia da informação pode e deve exercer na
gestão e organização do conhecimento, permitindo a universalização do acesso à informação.

1957

�Cabe à academia, em sintonia perfeita e em cooperação tecnológica com o setor produtivo e
de serviços, contribuir para a formação adequada dos recursos humanos, oferecendo não só a
formação técnica, mas também humanística, de modo que os novos profissionais da ciência
da informação se tornem vetores de produção de riqueza, distribuição de renda, e
desenvolvimento econômico sustentável.

Acknowledgment
FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de
responsabilidade dos autores e não necessariamente refletem a visão da FAPESP.

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>A informação e a biblioteconomia: o perfil profissional na era da web.</text>
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              <text>Os recentes desenvolvimentos dos chamados países emergentes têm sido muitas vezes baseada em novos consensos, com valorização de acesso democrático de informações e promovendo a inovação. Destaca-se a importância da educação como uma ferramenta associada com a promoção do crescimento econômico, a geração de riqueza e distribuição de renda. No contexto da Ciência da Informação, Biblioteconomia, Arquivologia, Museologia e áreas afins, revisões de projetos pedagógicos são impostas devido a novas demandas de profissionais com habilidades multidisciplinares, compreensão e facilidade de lidar com ferramentas de tecnologia, sem limitações geopolíticas, e com diversidade cultural. Os egressos desses programas devem estar preparados para atuar em setores estratégicos da sociedade moderna: produção, ensino e pesquisa.</text>
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