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                  <text>X V III Sem inário N acional de Bibliotecas U niversitárias
SNBU 2014

AS BULAS DE M ED ICA M EN TO S C O M O FO N TES DE IN FO RM A ÇÃ O PARA
PA C IEN TES

Ju lian a M oreira Pinto
Jú lia Gonçalves da Silveira

RESUM O
No Brasil, a bula é considerada o principal material informativo fornecido aos pacientes na
aquisição de medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica. Neste artigo, classificado
como pesquisa de análise teórica, a bula é estudada como fonte de informação. Evidenciam-se
as suas principais características e estrutura textual desse importante recurso informacional da
área biomédica. Apresenta-se uma analogia do ciclo de transferência da informação,
elaborado durante esta pesquisa, que vai da geração e coleta de informações científicas, na
fase da descoberta e desenvolvimento de novos medicamentos, até a transposição dessas
informações para uma linguagem técnica e para outra mais didática e acessível. Sendo a
linguagem técnica adequada para os profissionais da saúde e a linguagem mais acessível
destinada aos pacientes, usuários de medicamentos. Conclui-se que a Anvisa, através da
Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n°. 47/2009, objetiva padronizar as informações
contidas nas bulas de medicamentos, registrados e notificados, comercializados no Brasil.
Palavras-chave: Bulas de Medicamentos. Fontes de Informação. Anvisa - Resolução RDC
n. 47/2009. Serviços de Informação sobre Medicamentos. Informação e Saúde.
A BSTRACT
In Brazil, the medicine package inserts are considered the main informational material
provided to patients in the purchase of medicines produced by the pharmaceutical industry. In
this article, classified as research theoretical analysis, the medicine package inserts are studied
as a source of information. Show up their main features and textual structure of this important
biomedical information resource. It presents an analogy of the transfer of the information
cycle, developed during this research, which goes from generation and collection of scientific
information during the discovery and development of new drugs, to transpose this information
to technical language and other more didactic and accessible. With an appropriate technical
language for health professionals and more accessible language to patients, users of
medicines. We conclude that ANVISA, by Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n°.
47/2009, aims to standardize the information contained in the medicine package inserts,
recorded and reported, marketed in Brazil .
Keywords: Medicine Package Inserts. Information Sources. ANVISA - Resolution RDC .
47/2009. Drug Information Services. Health and Information.

2119

�1 IN TRO D U ÇÃ O
Na atualidade, diversos autores das áreas de biblioteconomia e ciência da informação
concordam com a necessidade de vinculação social do bibliotecário com a sociedade não
tanto como um administrador de uma unidade de informação, mas como um agente com um
alto grau de responsabilidade social.
Especialmente, no contexto das bibliotecas públicas universitárias torna-se mais
evidente essa necessidade de integração entre bibliotecários e comunidade mais ampla,
considerando suas obrigações sociais perante o exercício das atividades educacionais e
extensionistas da universidade. Nas bibliotecas universitárias, as atividades de informação aos
usuários, internos e externos à instituição, geralmente são prestadas através dos seus serviços
de referência, orientação ou auxílio ao leitor, onde deve existir cuidado constante com a
qualidade do conteúdo da informação a ser indicada. Advém daí a importância dos estudos
que buscam conhecer e avaliar a qualidade da informação registrada nas mais diversas fontes
de informação.
De acordo com as diretrizes do Conselho Nacional de Educação/Câmara Superior de
Educação - CNE/CES 492/2001236237entre as competências e habilidades dos graduados em
Biblioteconomia estão: “interagir e agregar valor nos processos de geração, transferência e
uso da informação, em todo e qualquer ambiente; criticar, investigar, propor, planejar,
executar e avaliar recursos e produtos de informação; trabalhar com fontes de informação de
qualquer natureza.”
Na área de saúde a informação, desde a antiguidade, é vista como elemento
fundamental para contribuir com o alcance da saúde, vista como um “estado de completo
bem-estar físico, psíquico e social dos indivíduos.”

237

A informação em saúde constitui-se em um instrumento de controle social capaz de
estimular movimentos em direção às expectativas criadas em torno do conceito de qualidade
de vida. É um elo que serve para apoiar a organização das ações e dar eficiência à gestão em
saúde e, ao mesmo tempo, potencializar a participação, no setor, dos profissionais e usuários
de serviços de saúde, das comunidades, dos meios acadêmicos, técnico-científicos e político,
e da população como um todo (PINTO, 1999).
Entre a diversidade de fontes de informação da área biomédica existentes optou-se por
estudar as bulas de medicamentos devido à constatação de inúmeras queixas acerca da
236 Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CES0492.pdf (p. 32)
237
OMS.WHO.
Constituição
da
Organização
Mundial
de
Saúde.
Disponível
http://www.direitoshumanos.usp.br/index.php/OMS-Organiza%C3%A7%C3%A3o-Mundial-daSa%C3%BAde/constituicao-da-organizacao-mundial-da-saude-omswho.html . Acesso 18 maio 2014

em:

2120

�qualidade das mesmas, especialmente referindo-se à dificuldade de compreensão por parte do
cidadão comum, tendo em vista a linguagem técnica nelas predominante.
No Brasil, mais precisamente na segunda metade do século XX, a bula de
medicamentos é o principal material informativo fornecido aos pacientes na aquisição de
medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica (CALDEIRA; NEVES; PERINI, 2008).
Em 2008 o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) comparou 19 bulas de
m e d i c a m e n t O S n a c i o n a i s (antidepressivos, calmantes, anti-inflamatórios, vasodilatadores, ansiolíticos, antirreumáticos e drogas
c°ntra pressão aha e para baixar ° colesterol)

com as americanas. Nos EUA os anti-inflamatórios destacavam

o risco de morte por problemas cardiovasculares. No Brasil dois anti-inflamatórios (Voltaren
e o genérico Diclofenaco Sódico) não traziam esse alerta. Foram encontradas várias
irregularidades e violações ao direito do consumidor à informação, que em alguns casos
podem comprometer sua saúde.
Em 2008 a Anvisa também realizou estudos que apontaram que as bulas dos
medicamentos vendidos no Brasil são incompletas, excessivamente técnicas para o público
leigo e superficiais e desatualizadas para os médicos. Com base nos apontamentos desses
estudos a Anvisa publicou em 08 de setembro de 2009 a Resolução da Diretoria Colegiada RDC n.47/2009, cujo objetivo é “aprimorar a forma e o conteúdo das bulas de todos os
medicamentos registrados e notificados, comercializados no Brasil, visando garantir o acesso
à informação segura e adequada em prol do uso racional de medicamentos.”

(ANVISA,

2009b).
Por meio dessa resolução são estabelecidas normas para elaboração, harmonização,
atualização, publicação e também a disponibilização de bulas de medicamentos para
pacientes, com conteúdo sumarizado, em linguagem apropriada e de fácil compreensão e
outra bula para os profissionais de saúde, com conteúdo detalhado tecnicamente.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) os estudos de utilização de
medicamentos atendem importantes fins, dependendo da metodologia empregada, citando
entre outros a avaliação de efeitos de medidas educativas, informativas e reguladoras
(CROZARA, 2011).
Costa (2000, p. 360) também afirma que o “ponto de partida para uma reflexão acerca
do medicamento requer uma abordagem interdisciplinar orientada pela questão da informação
para que se possam abarcar suas complexidades.”238

238 Por uso racional de medicamento compreende-se sua utilização na dose e durante período corretos, garantindo
assim a eficácia e evitando a toxicidade; utilização de via de administração e formulações adequadas; cuidados
de conservação, entre outros (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE - OPAS, 2009).

2121

�Nesse contexto acredita-se que a avaliação das bulas dos medicamentos como fontes
de informação, considerando a literatura das áreas de biblioteconomia e ciência da
informação, pode contribuir para uma maior interdisciplinaridade entre essas áreas e
maximizar a divulgação das bulas como instrumento de informação biomédica.

2 FO N TES DE IN FO RM A ÇÃ O
Em seu livro Conhecimento público, o cientista e humanista John Michael Ziman
(1979) esclarece que o principal objetivo de toda pesquisa científica é contribuir para o
consenso do conhecimento universalmente aceito. Ele cita que a forma intelectual do
conhecimento científico é determinada pela necessidade absoluta do cientista comunicar suas
descobertas e torná-las aceitáveis a outras pessoas. Ziman estabelece e desenvolve o ponto de
vista de que a ciência é conhecimento público, isto é, constitui um corpo de conhecimentos
(fatos, técnicas e conceitos), que foram gerados por membros de uma comunidade científica,
através de processos de troca, críticas, refinamentos e filtração, tornando-se um consenso
público.
Segundo Ramos (1994, p. 342):
A divulgação científica, ao abranger o grande público, pressupõe um
processo de recodificação, isto é, a transposição da linguagem especializada
para uma linguagem não especializada, com o objetivo de tornar o conteúdo
acessível a uma vasta audiência. A divulgação científica, portanto inclui, não
apenas a mídia impressa (jornal, revistas e livros), mas também todos os
demais canais audiovisuais.
Para Epstein e Bertol (2005, p.13) “o discurso da ciência e o discurso de sua
divulgação ao público são produtos que se diferenciam sob vários aspectos e se dirigem a
públicos distintos, o que envolve características discursivas e formatação próprias e,
consequentemente, processos de produção de veículos diferenciados ”. Para esses autores, se
conceituarmos o discurso da ciência de comunicação primária e o discurso da divulgação
científica de comunicação secundária, pode-se classificar seus conteúdos em três grandes
categorias: os de comunicação primária ligados às várias especialidades científicas,
destinadas aos respectivos pesquisadores; os conteúdos intermediários, destinados a um
público detentor de uma cultura científica geral, mas não especializada; e os conteúdos

dedicados ao grande público.

2122

�Eles citam que a comunicação secundária ou a popularização do conhecimento
científico pode ser efetuada tanto através da figura do divulgador, mediador entre o cientista e
o público, como pelo próprio cientista, que também pode assumir o papel de divulgador.
O divulgador se coloca como capaz de colocar a ciência ao alcance do grande público,
mas a tese de traduzibilidade da ciência é posta em questão quando se alega uma
impossibilidade estrutural para sua realização. De fato, trata-se, na divulgação científica, de
uma transposição da linguagem utilizada pelos cientistas para se comunicarem entre si, para a
linguagem natural, que pode ser compreendida pelo público leigo (EPSTEIN; BERTOL,
2005).
Epstein e Bertol (2005) ressaltam, entretanto, que o caminho entre a ciência e sua
divulgação popular é cheio de obstáculos, que podem ser de natureza linguística, semiótica,
epistemológica, deontológica, sociológica, fenomenológica, de comunicação de massa, entre
outros. Alguns de difícil transposição, a ponto de certos teóricos mais céticos terem duvidado
da própria possibilidade dessa transposição.
A seguir apresenta-se, na FIG. 1, uma analogia do ciclo de transferência da
informação, que vai da geração e coleta de informações científicas, na fase da descoberta e
desenvolvimento de novos medicamentos, até a transposição dessas informações para uma
linguagem técnica e para outra mais didática, apresentada respectivamente nas bulas de
medicamentos para os profissionais da saúde e nas bulas de medicamentos para pacientes.
As setas pretas, em destaque nessa FIG. 1, correspondem ao ciclo das informações
geradas pela indústria farmacêutica, desde a descoberta do medicamento até a sua
comercialização. As setas vermelhas correspondem ao ciclo das informações geradas a partir
de novos estudos, revisões sobre a relação risco-benefício de um fármaco, geralmente feitos
por pesquisadores independentes, depois que o medicamento já está sendo comercializado.

2123

�FIGURA 1 - Modelo do cico de informações desde a descoberta de um medicamento até
sua comercialização

Fonte: Elaborado pelas autoras durante a pesquisa, baseando em informações fornecidas pela
Professora Doutora Sérgia Maria Starling Magalhães, da Faculdade de Farmácia da UFMG, em 31 de
janeiro de 2013, assim como em consulta ao informe: Descoberta e desenvolvimento de
medicamentos do laboratório farmacêutico Actelion.
De acordo com Magalhães (2013) 239:

Há certa resistência quanto à transposição da linguagem médica para o
entendimento de leigos, em geral porque não se consegue dar a dimensão
exata da questão sem recorrer-se aos termos técnicos. Outro problema é
interferir na aceitação, adesão ao tratamento ou em sugestionar o paciente
quanto a possíveis efeitos adversos.

239E-mail da Professora da Faculdade de Farmácia da UFMG - Doutora Sérgia Maria Starling Magalhães em 31
jan. 2013.

2124

�Para a autora trata-se de um conflito ético, já que os pacientes têm o direito de
conhecer os benefícios e os riscos aos quais estão submetidos quando aceitam um tratamento.
A não aderência ou baixa adesão (decisão do paciente em não cumprir com as recomendações
do profissional da saúde) são consideradas graves problemas de saúde pública e podem
comprometer a eficácia da terapêutica em muitas doenças crônicas e agudas, ocasionando
várias situações clínicas que vão de infecções a hipertensão (VOLPATO; MARTINS;
MIALHE, 2009).
O intercâmbio e o compartilhamento de informações entre as comunidades científicas
se faz por meio dos canais formais e informais. Na comunicação form al o compartilhamento
de informações se consolida pela comunicação escrita, por meio das publicações com
divulgação mais ampla, como os periódicos, livros, relatórios, revisões, etc. A comunicação

informal geralmente acontece na forma de comunicação interpessoal (destituída de
formalismos), abrange relatos de pesquisa ainda não concluída e/ou em andamento, em
reuniões científicas, associações profissionais e colégios invisíveis (LE COADIC, 1996).
Rodrigues (2001) considera que a tradicional subdivisão da comunicação científica em
informal e formal não implica necessariamente isolamento de ambas as modalidades. “Estes
segmentos não são estanques, suas relações formam uma espécie de rede na qual fluem
cientistas e os produtos de seus trabalhos em constante interação” .
Todos esses canais de comunicação estão sendo alterados substancialmente frente à
rápida expansão das tecnologias de informação e das redes de computadores, à consolidação
da publicação eletrônica e ao desenvolvimento de bibliotecas digitais (FERREIRA;
MODESTO; WEITZEL, 2003). Cenário esse que propicia movimentos cuja ideologia é
prover acesso aos resultados científicos sem custos: acesso aberto ( open access), softwares
livres (open source), arquivos abertos (open archives). Para Costa (2006, p.49) “não parece
restar dúvidas, portanto, de que a filosofia aberta tende a se constituir no fundamento
inexorável da comunicação científica daqui por diante” .

3 FO N TES DE IN FO RM A ÇÃ O SOBRE M ED ICA M EN TO S
As fontes de informação sobre medicamentos estão basicamente estruturadas em
fontes primárias, secundárias e terciárias (PLA et al., 2002).
De acordo com Vidotti, Silva e Hoefler (2010, p. 11):

2125

�Analisando esses três tipos de fontes bibliográficas, as primárias têm a
vantagem de serem mais atualizadas, pois são onde, de modo geral, surge o
conhecimento. Porém requerem leitura mais cuidadosa e crítica e são
publicadas em grande quantidade - 1.800 entradas diárias, no Medline (v.
seção 5), o que dificulta a seleção, aquisição, leitura e utilização da
informação. Por outro lado, as fontes terciárias são mais condensadas,
apresentando, em geral, informações de consenso e são em número muito
menor. Não obstante, têm a desvantagem de não serem constantemente
atualizadas, pois sua periodicidade varia, em média, de dois a cinco anos.
Para esses autores (2010, p.12):
A classificação das fontes em primárias, secundárias e terciárias tem caráter
didático, não sendo estática. Existem algumas fontes que são híbridas, pois
apresentam, ao mesmo tempo, características de mais de um tipo de fonte
bibliográfica. Por exemplo, o Iowa Drug Information System - IDIS
apresenta artigos selecionados na íntegra e possui índices de localização dos
mesmos, sendo considerado uma fonte secundária e primária. O
Martindale2402413traz monografias de medicamentos e cita artigos sobre os
mesmos, sendo considerado uma fonte terciária e secundária.
As

fontes

primárias

“são

constituídas

principalmente, ensaios clínicos randomizados
caso-controle

241

por

artigos

científicos

, estudos de coorte

242

que

relatam,

e estudos de

referentes a pesquisas publicadas em revistas biomédicas, ou seja, onde

geralmente surge pela primeira vez na literatura qualquer informação científica nova”
(VIDOTTI; SILVA; HOEFLER, 2010, p.11). São exemplos de fontes primárias: American

Journal o f Health-System Pharmacy; American Society o f Hospital Pharmacists Bethesda;
Farmacia Hospitalaria; Atención Farmacéutica; Drugs.
“As fontes secundárias consistem em serviços de indexação e resumo da literatura
primária e servem como orientadoras na busca desta última” . São exemplos de fontes
secundárias:

IDIS

(Iowa Drug Information Service

http://www.uiowa.edu/idin/)

e

IPA

(International

- http://www.uiowa.edu/idis/ e
Pharmaceutical

Abstracts

-

http://www.csa.com/factsheets/ipa-set-c.php) (VIDOTTI; SILVA; HOEFLER, 2010, p.11).

240 Martindale: The Complete Drug Reference é uma obra de referência publicada pela Pharmaceutical Press que
lista mais de 6000 fármacos e drogas utilizados em todo o mundo, além de informações sobre preparações e
tratamentos de doenças.
241Os ensaios clínicos randomizados servem para avaliar a eficácia de procedimentos, diagnósticos, tratamentos
ou medidas preventivas em saúde humana ou animal. São estudos longitudinais, prospectivos, semelhantes aos
estudos de coorte.
242 A técnica de elaboração de uma coorte propõe como sequência lógica da pesquisa a anteposição das possíveis
causas e a posterior busca de seus efeitos ou danos.
243O estudo de caso-controle, assim como o estudo de coorte, é um estudo longitudinal ou de seguimento em que
se procura verificar a frequência de um determinado agravo na presença ou ausência de um determinado fator
condicionante/determinante (exposição), distinguindo-se do estudo de coorte pelo fato de que as pessoas foram
escolhidas por estar doentes.

2126

�Estes autores também consideram o Serviço de Comutação Bibliográfica (COMUT) como
fonte de informação secundária na área farmacêutica.
As fontes terciárias apresentam informação documentada no formato condensado. São
livros-texto, livros de monografias, bases de dados eletrônicas, artigos de revisão e
meta-análise244245. São exemplos de fontes terciárias: Martindale the Extra Pharmacopoeia;

Information Drug; Goodman &amp; Gilman; Dicionário de Especialidades Farmacêuticas (DEF);
Dicionário Terapêutico Guanabara; base de dados Micromedex (VIDOTTI; SILVA;
HOEFLER, 2010).
A base de dados Micromedex pode ser acessada por meio do Portal de Periódicos da
Capes

, pelo site: http://www.periodicos.capes.gov.br e traz na sua interface (FIG. 2) o link:

Educação do Paciente (informações ao consumidor sobre medicamentos), em que são
fornecidas informações detalhadas sobre medicamentos que visam ajudar a reforçar as
instruções de tratamento e compreensão do paciente, capacitando-o a desenvolver um papel
proativo no cuidado da sua saúde.
FIGURA 2 - Interfacenativa da base de dados Micromedex

Fonte: Portal de Periódicos da Capes
244 É um método quantitativo que permite combinar os resultados de estudos realizados de forma independente
(geralmente extraídos de trabalhos publicados) e sintetizar as suas conclusões, ou mesmo extrair uma nova
conclusão.
245Biblioteca virtual que reúne e disponibiliza a instituições de ensino e pesquisa no Brasil o melhor da produção
científica internacional. Possuem acesso livre e gratuito ao conteúdo do Portal de Periódicos professores,
pesquisadores, alunos e funcionários vinculados às instituições participantes. O Portal é acessado por meio de
terminais ligados a internet e localizados nessas instituições ou por elas autorizados.

2127

�“Existem ainda as fontes alternativas das quais são exemplos a Internet, organizações
profissionais, agências regulatórias, agências de avaliação de tecnologias em saúde, indústrias
farmacêuticas e Centros de Informação Toxicológica e de Medicamentos” (VIDOTTI;
SILVA; HOEFLER, 2010, p.12.).
O Centro de Informação sobre Medicamentos (CIM) é o local “que reúne, analisa,
avalia e fornece informações sobre medicamentos, visando o seu uso racional” (VIDOTTI et

a l, 2000a, p.28). Outros autores o definem como “uma instituição dedicada a prover
informação objetiva, independente e atualizada sobre medicamentos e seu uso e comunicá-la a
diferentes categorias de profissionais para sua melhor compreensão e benefício dos pacientes”
(CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA - CFF, 2008a, p.23).
O Sistema de Informação Farmacoterapêutica (Sifar) é um serviço prestado pelo
Centro Brasileiro de Informações sobre Medicamentos (Cebrim), órgão pertencente ao
Conselho Federal de Farmácia (CFF), cuja finalidade principal é:

Fornecer, a todos os profissionais da área da saúde, suporte para soluções de
problemas específicos sobre a utilização de medicamentos, especialmente
em situação clínica de um paciente. A execução destes serviços é realizada
por farmacêuticos capacitados nessa atividade e fundamentada em
informação técnico-científica imparcial, atualizada e de qualidade, conforme
o conceito de condutas baseadas em evidências246 (CFF, 2008b).
No Sifar não são atendidos pedidos de pesquisas ou levantamentos bibliográficos
destinados a trabalhos escolares ou monografias, pois a proposta desse serviço é promover o
uso seguro e racional de medicamentos, prioritariamente em situações que envolvem
pacientes (CFF, 2008b). É composto por 21 unidades do Centro de Informação sobre
Medicamentos, localizadas em 14 estados brasileiros e no Distrito Federal.
A Rede Nacional de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (Renaciat),
criada em 2005, é coordenada pela Anvisa. Composta por 35 unidades, localizadas em 18
estados brasileiros e no Distrito Federal, tem como função “fornecer informação e orientação
sobre o diagnóstico, prognóstico, tratamento e prevenção das intoxicações e envenenamentos,
assim como sobre a toxicidade das substâncias químicas e biológicas e os riscos que elas
ocasionam à saúde” (FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ - FIOCRUZ, 2008).

246Medicina Baseada em Evidência é o uso consciente, crítico, e explícito da melhor evidência científica
disponível para tomar decisões relacionadas ao cuidado dos pacientes.

2128

�4 A BULA DE M ED ICA M EN TO S CO M O FO N TE DE IN FO RM A ÇÃ O
Conforme visto, no Brasil, ao longo das últimas décadas, mais precisamente na
segunda metade do século XX, a bula de medicamentos passou a ser o principal material
informativo fornecido aos pacientes na aquisição de medicamentos produzidos pela indústria
farmacêutica (CALDEIRA; NEVES; PERINI, 2008).
A bula de medicamentos contém informações que são de interesse tanto para
profissionais da saúde como para pacientes/usuários. Os pacientes geralmente priorizam
informações sobre um fármaco relacionadas aos efeitos colaterais, contra-indicações, e
posologia (modo de uso), enquanto que aos profissionais da saúde interessam as informações
técnicas, farmacológicas e de composição do medicamento (DICKINSON; RAYNOR, 2003).
De acordo com a Anvisa a bula de medicamentos recebe as seguintes definições:

CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES INICIAIS - Seção III Definições
(...)
II - bula: documento legal sanitário que contém informações técnicocientíficas e orientadoras sobre os medicamentos para o seu uso racional;
III - bula em formato especial: bula fornecida à pessoa portadora de
deficiência visual em formato apropriado para atender suas necessidades.
Pode ser disponibilizada em meio magnético, óptico ou eletrônico, em
formato digital ou áudio, ou impressas em Braille ou com fonte ampliada;
IV - bula para o paciente: bula destinada ao paciente, aprovada pela Anvisa,
com conteúdo sumarizado, em linguagem apropriada e de fácil
compreensão;
V - bula para o profissional de saúde: bula destinada ao profissional de
saúde, aprovada pela Anvisa, com conteúdo detalhado tecnicamente; (...)
VII - Bula Padrão: bula definida como padrão de informação para
harmonização das bulas de medicamentos específicos, fitoterápicos,
genéricos e similares, cujos textos são publicados no Bulário Eletrônico.
Para os medicamentos específicos e fitoterápicos, as Bulas Padrão são
elaboradas pela Anvisa. Para os medicamentos genéricos e similares, as
Bulas Padrão são as bulas dos medicamentos eleitos como medicamentos de
referência (ANVISA, 2009b).
A

obrigatoriedade

da

inclusão

da bula

na

embalagem

dos

medicamentos

comercializados no país é regulamentada pela RDC n.47/2009 da Anvisa. De acordo com essa
resolução, capítulo IV, seção 1, art. 26, as embalagens dos medicamentos devem conter bulas
com conteúdo atualizado no mercado, conforme o Bulário Eletrônico, obedecendo ao
estabelecido nessa resolução, quanto à forma e conteúdo.
Segundo Caldeira, Neves e Perini (2008, p.737-738):

2129

�A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem como atribuição
analisar e aprovar o material informativo produzido pela indústria
farmacêutica antes de sua comercialização. Esse processo se baseia tanto em
informações presentes nos registros de medicamentos como naquelas
encontradas em bancos de informações. O ponto chave é a análise da
informação apresentada pelo detentor do registro e o confronto dessa
informação com a literatura científica.
Para Silva et al. (2000, p.185):
Sob o ponto de vista legal, o medicamento é um produto de consumo, e o
paciente é um consumidor que tem direito a receber todas as informações
necessárias para a adequada utilização e conservação do medicamento
adquirido. Entre as informações necessárias para o paciente utilizar o
medicamento com segurança, destacam-se as relacionadas com a
administração e armazenamento, além das que esclarecem quais são os
benefícios do tratamento e como reconhecer e agir diante de problemas
causados pelo medicamento.
Para que as informações contidas nas bulas sejam úteis e cumpram sua finalidade
devem ser apresentadas de maneira objetiva e atualizada, em consonância com o
conhecimento técnico-científico atual, não devendo apresentar informações distorcidas aos
que receitam e utilizam o medicamento (GONÇALVES et al., 2002, p.33).
Para Caldeira, Neves e Perini (2008, p.742):

Considerada como a principal fonte de informação aos pacientes, a bula
assume um papel fundamental na promoção do uso racional de
medicamentos. Ao alertar sobre os riscos da automedicação, da interrupção
do tratamento, bem como quanto à necessidade da prescrição, no tocante à
dispensação de medicamentos tarjados, está consoante ao processo educativo
dos usuários, um dos pontos que merece ênfase segundo os propósitos da
Política Nacional de Medicamentos.
A bula pode e deve ser um instrumento para a cidadania, pois empodera o
indivíduo ao informá-lo sobre o uso do medicamento e, ao fazê-lo, contribui
como instrumento para que a relação entre médico-paciente seja alterada
pela capacidade de questionamento do paciente. Por sua vez, o profissional
deverá conhecer mais profundamente o medicamento, de tal forma a
convencer que o tratamento farmacológico trará naquele caso mais
benefícios que riscos.
De acordo com Cintra (2012, p.227) “não é possível determinar quem é (são) o(s)
autor(es) envolvido(s) com a produção do texto da bula, pois há muitas possibilidades e
combinações, entre eles: um grupo de farmacêuticos do laboratório que comercializa o
medicamento; um redator contratado pelo laboratório; adaptações de trechos de literatura
técnica; adaptações de trechos de bulas de medicamentos importados” . N a maioria das vezes,

2130

�apenas “a empresa farmacêutica é citada explicitamente como responsável pela elaboração do
texto da bula, não sendo identificável sua real autoria nem a quantidade de colaboradores da
mesma” .
A bula padrão
referência

247

é uma fonte de informação primária destinada ao medicamento de

. As bulas dos medicamentos genéricos e similares

são classificadas como

fontes de informação secundária e devem estar harmonizadas com as respectivas bulas
padrão, ou seja, com a bula do medicamento de referência.
O Bulário Eletrônico da Anvisa é considerado uma fonte de informação online. Por
meio dele a população tem acesso às bulas dos medicamentos comercializados no Brasil via
Internet, no endereço: http://www.anvisa.gov.br/bularioeletronico/default.asp?HidLetra=M.

Figura 1 - Formlário busca Bulário Eletrônico/Anvisa

Fonte: http://www.anvisa.gov.br/bularioeletronico/default.asp?HidLetra=M

247 A bula padrão é definida como padrão de informação para harmonização das bulas de medicamentos
específicos, fitoterápicos, genéricos e similares, cujos textos são publicados no Bulário Eletrônico. Para os
medicamentos específicos e fitoterápicos, as Bulas Padrão são elaboradas pela Anvisa.
248 É um produto inovador registrado no órgão federal responsável pela vigilância sanitária e comercializado no
país, cuja eficácia, segurança e qualidade foram comprovadas cientificamente junto ao órgão federal competente,
por ocasião do registro.
249 Esses medicamentos são elaborados com o mesmo princípio ativo de um medicamento de referência, podem
diferenciar-se em aspectos bem pontuais, como a identificação do medicamento, composição, prazo de validade,
dizeres legais e outros itens, que são específicos de cada produto.

2131

�5 O TEX TO DAS BULAS DE M ED ICA M EN TO S
De acordo com a definição apresentada no Guia de redação de bula da Anvisa
(ANVISA, 2009a, p.5):
A bula é um tipo de texto (ou gênero) desenvolvido, usado e interpretado a
partir de situações recorrentes definidas e que servem para estabilizar a
experiência e dar a ela coerência e significado. As informações contidas nas
bulas são provenientes da indústria farmacêutica, da classe médica e
farmacêutica. (...) e deve sempre conduzir o leitor a uma interpretação
“adequada” e “desejável” convencionalizada e que poderá ser replicada para
outras bulas.
Segundo Giasson (1993), o texto é material preparado para ser lido, podendo ser
considerado sob três aspectos: a intenção do autor, a estrutura do texto e o conteúdo. O autor
estrutura o texto direcionando-o a um tipo de leitor, e orientando-o aos outros dois elementos
(texto e conteúdo). A estrutura diz respeito à forma como o autor organizou as ideias no texto,
e o conteúdo se refere ao modo como o autor decidiu transmiti-las, tais como, conceitos,
conhecimentos e vocabulário.
De acordo com Fujita e Spinillo (2008, p.3):
No que se refere a bula de medicamentos, há informações direcionadas a
diferentes tipos de leitor: [a] informações de interesse de médicos e
profissionais da saúde, que se referem à composição, características
químicas e farmacológicas do medicamento e [b] informações de interesse
do paciente direcionado, talvez, nos efeitos colaterais, posologia,
advertências e indicações terapêuticas, redigido em um texto de um único
documento que, em principio, deve ser entendido por todos os tipos de
leitores. Assim, pode-se inferir que a natureza da bula de medicamento é
desse modo, a de um documento informativo dirigido a todos os envolvidos
em seu uso, e não de um conteúdo informacional direcionado às
necessidades informacionais do paciente como usuário final.
Cintra (2012, p.256) descreve que “conforme foi visto no estudo do gênero, uma das
características atualmente intrínsecas às bulas de medicamento são as prescrições jurídicas
como marca cultural desse gênero cultural textual” . A bula de medicamento possui seu
conteúdo estruturado com base na Resolução n. 47/2009, que estabelece normas para sua
elaboração, harmonização, atualização, entre outros.
De acordo com a RDC n.47/2009 da Anvisa, a bula destinada ao paciente deve conter
os itens relativos às partes de identificação do medicamento e informações ao paciente
(QUADRO 2). Ser organizada na forma de perguntas e respostas; em linguagem clara e
concisa, sem a repetição de informações de forma a facilitar a compreensão do conteúdo pelo

2132

�paciente; possuir termos explicativos incluídos para leigos, após os termos técnicos;
contemplar referência a sinais, sintomas e doenças conforme a terminologia preconizada pela
Classificação Internacional de Doenças (CID).

QUADRO 2
Estrutura textual da bula de medicamentos para o paciente, de acordo com as normas da
Anvisa (RDC n.47/2009)__________________________________________________________
TÍTULOS

SUBTÍTULOS

I. Identificação do medicamento

Nome comercial ou marca do medicamento
Denominação genérica do(s) princípio(s) ativo(s),
utilizando a Denominação Comum Brasileira (DCB)
Forma farmacêutica; concentração por unidade de medida
ou farmacocinética; quantidade total de peso, volume
líquido ou unidades farmacocinéticas; quantidade total de
acessórios dosadores que acompanham as apresentações.
Via de administração, usando caixa alta e negrito
Composição: peso, volume líquido ou quantidade de
unidades, conforme o caso.

II. Informações ao paciente

Para que este medicamento é indicado?
Como este medicamento funciona?
Quando não devo usar este medicamento?
O que devo saber antes de usar este medicamento?
Onde, como e por quanto tempo posso guardar este
medicamento?
Como devo usar este medicamento?
O que devo fazer quando eu me esquecer de usar este
medicamento?
Quais os males que este medicamento pode me causar?
O que fazer se alguém usar uma quantidade maior do que a
indicada deste medicamento?

Fonte: ANVISA (2009b)
A RDC n. 47/2009, no capítulo II, artigo 5°, também menciona que as bulas devem
apresentar quanto à forma: fonte Times New Roman no corpo do texto com tamanho mínimo
de 10 pontos nas bulas para o paciente e oito pontos nas bulas para o profissional de saúde;
espaçamento simples entre letras; caixa alta e negrito para destacar as perguntas e os itens da
bula; texto sublinhado e itálico apenas para nomes científicos; impressão na cor preta em

2133

�papel branco, de forma que quando a bula estiver sobre uma superfície a visualização da
impressão na outra face não interfira na leitura; entre outros.
A qualidade da informação dos medicamentos prescritos é fundamental aos pacientes
e de acordo com W olf et al. (2006) há três questões que devem ser claramente dirigidas para
garantir melhores informações escritas: a informação deve estar facilmente disponível ou
divulgada aos pacientes; o conteúdo tem de ser abrangente, preciso e específico o suficiente
para ser útil e as informações devem ser formatadas de maneira que sejam facilmente lidas e
compreendidas pelos pacientes.
A seguir tem-se uma síntese das principais características das bulas de medicamentos
apresentadas anteriormente (QUADRO 4):

QUADRO 4
Síntese das características das bulas de medicamentos

Definição

Fonte de Informação
Área do Conhecimento
Autoria
Classificação
Textual
Função

BULAS DE MEDICAMENTOS
- Documento legal sanitário que contém informações técnicocientíficas e orientadoras sobre medicamentos para seu uso racional
(Anvisa)
- Primária: Bula Padrão
- Secundária: Bula dos medicamentos específicos, fitoterápicos e
genéricos
- Alternativa: Bulário Online da Anvisa
- Redigida a partir da literatura das áreas Médica e Farmacêutica
- Responsável: Laboratório farmacêutico
- Quem escreve: Grupo de farmacêuticos do laboratório que
comercializa o medicamento ou redator contratado
- Texto técnico ou texto de especialidade

- Instruir ou informar sobre uso do medicamento
- Marca cultural: prescrições jurídicas
- RCD n. 47/2009 da Anvisa - Estabelece regras para a elaboração,
Característica Intrínseca
harmonização, atualização, publicação e disponibilização das bulas
de medicamentos para pacientes e profissionais da saúde
- O acesso à bula de medicamentos é um direito reconhecido pela
CF/88 e ratificado pelo CDC
Regulação
- O medicamento é um produto e o paciente é um consumidor: a
CF/88 e CDC
indústria que desenvolveu o medicamento tem obrigação legal de
prestar todas as informações necessárias para o uso adequado e os
possíveis problemas e cuidados relacionados ao medicamento
Bulário Eletrônico da Anvisa; Sites de Laboratórios; Embalagens
Fontes de Acesso
de medicamentos; Bases de dados; Dicionários Especializados
- Texto problemático devido à linguagem técnico-científica, de
difícil entendimento para o cidadão comum.
Qualidade do Texto
- Desatualizados para os profissionais de saúde
- Procura-se mudar esse quadro com a implantação das novas
regras da Anvisa - RDC n.47/2009
Fonte: Elaborado pelas autoras.

2134

�6 CO N SID ERA ÇÕ ES FINAIS
As bulas de medicamentos estudadas como fontes de informação teem funções
informativas e instrutivas e, por isso, são consideradas fontes de alta relevância para a
sociedade, portanto, documentos essenciais para dar suporte aos pacientes, ensinando,
orientando, gerando conhecimento e auxiliando nas tomadas de decisões que visam promover
a saúde, enquanto direito constitucional dos cidadãos.
Acredita-se que campanhas, programas e políticas sociais focados na divulgação das
bulas como principal material informativo sobre medicamentos, mostrando seu importante
papel ao alertar sobre as indicações de uso, efeitos colaterais e contraindicações, estariam em
consonância com o processo educativo dos pacientes, capacitando-os a desenvolver um papel
proativo no cuidado da sua saúde.
A informação só tem sentido quando atinge eficazmente àqueles cidadãos que dela
necessitam em forma e tempo hábil de assimilá-la, compreendê-la, propiciando mudanças de
comportamento necessárias circunstancialmente. A informação quando divulgada com ética e
realmente compreendida, isto é, apropriada adequadamente pelas pessoas, é elemento
fundamental para evitar enganos prejudiciais em processos de tomada de decisões. O que
deve constituir objeto de estudos e preocupações constantes de estudiosos e profissionais que
militam em ambientes e situações que envolvam uso da informação, especialmente daquela
que afete a saúde e vida dos usuários, como no caso das informações contidas nas bulas de
medicamentos. Portanto, é realmente fundamental que as bulas sejam elaboradas com alto
padrão de qualidade, com informações imparciais e fundamentadas cientificamente, mesmo
quando estiverem dispostas em linguagem simplificada, como teoriza a própria ANVISA.

R EFER ÊN C IA S
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bula.

Brasília:

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>No Brasil, a bula é considerada o principal material informativo fornecido aos pacientes na aquisição de medicamentos produzidos pela indústria farmacêutica. Neste artigo, classificado como pesquisa de análise teórica, a bula é estudada como fonte de informação. Evidenciam-se as suas principais características e estrutura textual desse importante recurso informacional da área biomédica. Apresenta-se uma analogia do ciclo de transferência da informação, elaborado durante esta pesquisa, que vai da geração e coleta de informações científicas, na fase da descoberta e desenvolvimento de novos medicamentos, até a transposição dessas informações para uma linguagem técnica e para outra mais didática e acessível. Sendo a linguagem técnica adequada para os profissionais da saúde e a linguagem mais acessível destinada aos pacientes, usuários de medicamentos. Conclui-se que a Anvisa, através da Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº. 47/2009, objetiva padronizar as informações contidas nas bulas de medicamentos, registrados e notificados, comercializados no Brasil.</text>
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