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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O ACERVO HISTÓRICO DA ACADEMIA REAL DE GUARDAS-MARINHAS DA
BIBLIOTECA DA MARINHA
Eliane Freitas Ferreira

RESUMO
O objeto deste trabalho consiste no levantamento do acervo histórico da Coleção da
Academia Real de Guardas-Marinhas, dada a sua importância, que se encontra disponível, na
Divisão de Materiais Especiais da Biblioteca da Marinha, que abrange as Seções de Mapoteca
e Obras Raras, com o objetivo de incentivar as pesquisas num acervo de fontes primárias de
alto valor científico. A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile
do manuscrito original do Catálogo da Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas,
localizado no acervo da Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante
Max Justo Guedes. Com a devida localização e identificação desse importante acervo, temos
hoje a memória científica da instrução dos oficiais militares da época, que deu origem a
Biblioteca da Marinha.
Palavras-Chave: Biblioteca da Marinha. Academia Real de Guardas-Marinhas. Marinha do
Brasil.
ABSTRACT
The object of this paper is a survey of the historical documentation of the Collection of the
Royal Academy of Marine Guards, given its importance, which is available in the Special
Materials Division of the Navy Library, which covers Map Library and Rare Books Sections,
with the aim of encouraging research in a collection of primary sources of high scientific
value. The methodology used was based on the works listed in the facsimile of the original
manuscript catalog of the library of the Royal Academy of Guards Marine, located in the
National Library Foundation by Admiral Max Justo Guedes in the 1970s. With the proper
location and identification of this important collection, we now have the scientifc memory of
the instruction of the military officers of that time, wich gave rise to the Navy Library.
Keywords: Navy Library. Royal Academy of Guards Marine. Brazilian Navy.

1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho apresenta um levantamento das obras existentes da Coleção da
Academia Real de Guardas-Marinhas, que se reveste de importância por se tratar de um
acervo histórico que refletia, em sua época, os estudos direcionados para o currículo da
referida Academia, como uma forma de amadurecimento da profissão militar. O objetivo do

3058

�levantamento foi identificar e localizar as obras ainda existentes dessa Coleção, com o intuito
de divulgar aos pesquisadores essas fontes primárias de alto valor científico, que deram
origem ao acervo da Biblioteca da Marinha.
De acordo com Silveira (2010, p. 69), as bibliotecas tentam “dar sentido ao saber” e
transformá-lo em “instrumento de reafirmação da ‘identidade’ individual ou coletiva
humana”. E, segundo Costa e Grau (2013, p. 6), trata-se da nutrição e valorização do
“patrimônio”, da “memória coletiva” e da “herança cultural humana”.
Uma coleção reflete as características, aspirações e realizações do grupo que
a forma. Também torna possível estender o olhar para a história, a memória
daquela produção, tanto em relação ao motivo e ao modo como a reunião foi
feita, quanto em relação ao conteúdo que foi reunido. E, ao contar uma
história singular, essa coleção passa a ser única. (COSTA; GRAU, 2013, p.
6)
A metodologia utilizada apoiou-se no facsímile do manuscrito original do Catálogo da
Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas, de 1812, descoberto no acervo da
Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante Max Justo Guedes.

2 A BIBLIOTECA DA MARINHA: BREVE APRESENTAÇÃO
Criada em 1802, na Biblioteca da Academia Real dos Guardas-Marinhas, em Lisboa, a
Biblioteca foi transferida para o Brasil em 1808. Foi criada oficialmente em 17 de outubro de
1846, pelo decreto n° 479 do Império do Brasil, estabelecida no Arsenal da Marinha da Corte,
tendo como finalidade “ministrar os meios de uma instrução variada aos oficiais da armada,
aos de Artilharia de Marinha e aos oficiais empregados nas repartições anexas” (SERVIÇO
DE DOCUMENTAÇÃO GERAL DA MARINHA, 1956, p. 18). O acervo inicial era
composto pela Biblioteca da Academia de Marinha, atual Escola Naval, com obras científicas,
roteiros e mapas antes pertencentes a diversos arquivos da repartição de Marinha. Depois de
passar por várias mudanças de subordinação, separações e fusões do Museu da Marinha e do
Arquivo da Marinha, em 1953 foi incorporada pelo Serviço de Documentação da Marinha,
que em 2008, por meio da Portaria n° 209/MB, passou a denominar-se Diretoria do
Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha (DPHDM). A DPHDM (BRASIL, 2012)
tem como missão o propósito de “preservar e divulgar o patrimônio histórico e cultural da
Marinha, contribuindo para a conservação de sua memória e para o desenvolvimento da
consciência marítima brasileira”. Dentro da estrutura organizacional da DPHDM, a Biblioteca
da Marinha está subordinada ao Departamento de Arquivos e Biblioteca da Marinha.

3059

�Em fevereiro de 1999, a Biblioteca foi transferida para o prédio (tombado pela
Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro) localizado na Rua Mayrink Veiga, n° 28, Centro, Rio
de Janeiro, para que pudesse acondicionar melhor o seu acervo e prover um atendimento mais
abrangente e eficiente aos seus usuários.
Inicialmente, a Biblioteca atendia apenas os oficiais e empregados da Marinha, e foi
posteriormente aberta ao público, oferecendo publicações valiosas para o estudo de diversas
áreas, dentre elas a História Geral, História do Brasil, História Naval, História Militar e
Cartografia. O acervo possui aproximadamente sessenta e cinco mil volumes entre livros,
folhetos, periódicos, material especializado na história naval, militar, geral e cartografia.
Possui, também, uma coleção de obras raras e/ou antigas de inestimável valor histórico, tanto
para a Marinha como para a própria cultura brasileira, que abrange os séculos XVI, XVII,
XVIII e XIX.
Desde o ano de 2003, a Biblioteca da Marinha disponibiliza para consulta, pela
internet e intranet, seu rico e vasto acervo para o público em geral, através do sistema de
gerenciamento de dados Pergamum, utilizado por 46 bibliotecas da Marinha do Brasil,
denominada Rede de Bibliotecas Integradas da Marinha (Rede BIM).

3 A ORIGEM DA DIVISÃO DE MATERIAIS ESPECIAIS
A Divisão de Materiais Especiais se originou a partir da documentação existente no
acervo da Biblioteca da Academia Real de Guardas-Marinha, também conhecida como
Depósito de Escritos Marítimos.
Em 1812 (SILVA, 2012, p. 177), o primeiro diretor e comandante da Academia dos
Guardas-Marinha, José Maria Dantas Pereira, responsável pela requisição das obras que
julgasse próprias para aquela coleção (dentro e fora do reino), redigiu a pedido do Ministro da
Marinha da época, uma minuciosa relação de todas as obras impressas, manuscritas e
cartográficas, gerando assim o Catálogo da Bibliotheca da Academia dos Guardas-Marinhas,
creada por Ordem de S. A. R. na cidade do Rio de Janeiro.
Tal catálogo não se tinha conhecimento de sua existência desde 1851, conforme
descrito num relatório realizado por um bibliotecário da Biblioteca da Marinha, no referido
ano, com o intuito de promover um inventário do acervo:
Infelizmente não encontrámos nenhum documento que nos mostrasse qual
era, então, o patrimônio dessa biblioteca [...] sabe-se apenas, que era Rice e
‘que perdas e descaminhos se deram de obras interessantíssimas’ (relatório
de 1851, do Bibliotecário da Marinha). (SERVIÇO DE DOCUMENTAÇÃO
GERAL DA MARINHA, 1956, p. 16)

3060

�Somente no início da década de 1970, tal documento foi localizado no acervo da
Fundação da Biblioteca Nacional pelo Almirante Max Justo Guedes (na época, Capitão de
Mar e Guerra e Vice-Diretor do Serviço Geral de Documentação da Marinha, atual DPHDM),
juntamente com sua equipe de pesquisadores. Seria uma cópia manuscrita do referido
catálogo, possivelmente com assinatura autógrafa (GOMES, 1976, p. 286).
3.1 O perfil da Divisão de Materiais Especiais
O acervo da Mapoteca e das Obras Raras está catalogado e registrado no sistema
Pergamum da Rede BIM, com um total de aproximadamente nove mil exemplares. Dentre as
várias obras existentes no acervo, podemos destacar os seguintes materiais: obras de diversos
assuntos, especialmente obras científicas, tecnológicas, filosóficas, geográficas, históricas e
de assuntos gerais do Século XVI ao Século XX, com predominância dos Séculos XVIII e
XIX; coleção de álbuns; roteiros de navegação; cartas náuticas (elaboradas pela Diretoria de
Hidrografia e Navegação); cartas e mapas históricos (impressos e manuscritos), a partir do
século XVIII; atlas históricos, a partir do século XVI; livros de cartografia (nacionais e
estrangeiros), atuais e raros; revistas de cartografia (nacionais e estrangeiras); e arquivo de
fotografias de cartas náuticas que abordam o Brasil e a América do Sul, que se encontram em
bibliotecas nacionais e estrangeiras (principalmente em países europeus).
Em relação ao processamento técnico, a Classificação Decimal de Dewey (CDD), o
Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR2) e o Formato MARC (MARC21) são
utilizados para a catalogação das obras.
A Biblioteca da Marinha não realiza empréstimos dos materiais especiais,
disponibilizando somente pesquisa in loco, com acesso restrito.
O acervo da Divisão de Materiais Especiais também possui mapas e atlas de
renomados cartógrafos como Mouchez, Roussin, Bellin, Albernaz, dentre outros.
O acervo possui algumas coleções significativas, dentre elas:
- Coleção da Diretoria de Hidrografia e Navegação;
- Coleção do Arquivo Histórico do Exército;
- Coleção Jaguaribe de Mattos;
- Coleção Maria Amélia de O. Esteves (doação de 13 cartas hidrográficas da região
amazônica no período 1780-1781);
- Coleção Almirante Max Justo Guedes (considerado internacionalmente como um dos
maiores especialistas da cartografia luso-brasileira); e
- Coleção da Academia Real dos Guardas-Marinhas.

3061

�4 A documentação existente no Catálogo da Coleção Biblioteca da Academia Real de
Guardas-Marinhas
Com base no catálogo elaborado pelo Comandante Dantas Pereira, em 1812, a
Coleção consistia numa:
Lista em 31 páginas com cerca de 760 obras separadas em cinco grandes
áreas do conhecimento de interesse do ‘público’ prioritário da Biblioteca:
Ciências Naturais; Ciências Matemáticas Puras e Mistas; Ciências e Artes
Navais; Ciências e Artes Militares de terra e Polimatia. (SILVA, 2012, p.
177)
A organização do catálogo, além da divisão das referidas áreas, era também em ordem
alfabética, “mediante o nome do autor ou do editor, e mediante o da obra, se esta for de algum
anônimo ou de vários” (SILVA, 1975 apud MORAES, 2006, p. 96). Além dessa sistemática,
Moraes (2006, p. 96) identificou outra informação, não menos importante, mas atípica, criada
pelo redator do referido documento:
[...] Adoção da ordem cronológica na lista dos livros dentro dos assuntos
fora feita com a intenção de mostrar o ‘progresso ou marcha do espírito
humano’ em cada disciplina e reforça essa intenção anotando sempre que
possível a data do falecimento do autor da obra.
Segundo Silva (1975 apud MORAES, 2006, p. 96, grifo do autor), poderiamos
considerar a coleção:
[...] Uma ‘livraria” atualizada [...], tratava de uma biblioteca especializada
e concentrada, ou seja, os alunos da Academia dos Guardas-Marinha
encontravam nela os textos necessários às matérias que estudavam e não
possuíam obras a mais, isto é, de áreas não relevantes para o seu
aprendizado.
A primeira área apresentada no Catálogo abordava as Ciências Naturais e era
constituída de 54 obras, organizada em três subdivisões: a primeira para Botânica, Química e
História Natural; a segunda para Física e a terceira para Polígrafos (obras que tratavam de
diversas matérias científicas que abordavam o mesmo assunto). Dos títulos descritos na
referida área, a equipe de pesquisa da Biblioteca da Marinha conseguiu localizar 36 obras.
Dentre as obras identificadas, podemos destacar a do naturalista sueco Carl von Linné, cujo
título é Systema naturae per regna tria naturae (fig. 1), editado em 1789, onde enfoca o
sistema de classificação dos reinos animal e vegetal e que veio a ser a base da moderna
Taxonomia.

3062

�Figura 1: LINNÉ, Carl von. Systema naturae per regna tria naturae. 1789.
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Fonte: Biblioteca da Marinha

A segunda área apreentada é a de Ciências Matemáticas, constituída de 196 obras e
organizada

em

oito

Geometria/Trigonometria;

subdivisões:
Matemáticas

Aritmética/Álgebra;
Puras;

Cálculo

Astronomia;

Superior;
Mecânica;

Ótica/Perspectiva/Cronometria, e; Matemáticas Mistas (Polígrafos). Nessa área conseguiu se
localizar 125 obras, onde podemos destacar a mais antiga obra pertencente à Coleção e que se
encontra atualmente no acervo da Biblioteca da Marinha, que é justamente de um texto
milenar em três volumes, Clarissimi philosophi, geometricorum, elementorum líber (fig. 2),
título traduzido por Dantas Pereira como Geometria Elementar e atribuído ao matemático
grego Euclides, o fundador da Geometria.
Figura 2: MEGARENSIS, Euclidis. Clarissimi philosophi, geometricorum,
elementorum líber. Paris: H. Steph, 1534. 3v.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

3063

�Além da obra mencioada, sobressai também o trabalho de Isaac Newton em tradução
para o francês aprovada pela Académie des Sciences e editada em 1787 (fig. 3).
Figura 3: NEWTON, Isaac. Optique de Newton. Paris: Chez Leroy, Libraire, 1787.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

A terceira área é ade Ciências e Artes Navais, constituída de 220 obras e organizada
em

seis

subdivisões:

Geografia/Hidrografia;

Arquitetura

Pilotagem;

Naval;

Cordoaria/Instalação/Manobra;

Tática/Telegrafia/Governo

Militar

Náutico,

e;

Ciências/Artes Navais (Polígrafos) Nessa área conseguiu a localização de 119 obras. Dentre
elas pode-se mencionar o Atlas des enfans ou nouvelle méthode pour appendre la géographie,
avec un nouveau traité de la sphere, et XXIV cartes enluminées, de 1784 (fig. 4). Trata-se de
um atlas direcionado ao público infanto-juvenil com método de aprendizado na área de
Geografia, com 24 mapas apresentando o mundo, continentes e países europeus.
Figura 4: ATLAS des enfans ou nouvelle méthode pour appendre la géographie... 1784.

Fonte: Biblioteca da Marinha

3064

�Vale também ressalta a existência da obra “Arte de navegar”, de 1554 (fig. 5). É um
clássico manual de navegação astronômica do cosmógrafo Pedro de Medina, numa versão
editada em Lion, França, e ilustrada com diversos mapas.

Figura 5: MEDINA, Pedro de, 1493-1567. L ’art de naviguer. Lyon, 1554.

Fonte: Biblioteca da Marinha.

A quarta área do Caálogo é a de Ciências e Artes Militares de terra, constituída de 77
obras e organizada em três subdivisões: Artilharia/Cavalaria; Engenharia/Infantaria, e;
Tática/Governo Militar (Polígrafos). Obtivemos a localização de 25 obras.
E a quinta e última área, que é a Polimatia (obras cuja temática não se encaixava em
nenhuma das outras áreas), era constituída de 225 obras e organizada em seis subdivisões:
História; Literatura/Manuscritos Médios; Manuscritos Antigos; Manuscritos Modernos;
Miscelânea Impressa, e; Viagens. Houve a localização de 64 obras, onde podemos destacar os
relatos de viajantes presentes no acervo da Biblioteca até o ano de 1812. São 38 relatos
publicados entre 1559 e 1802, de 29 autores diferentes, dentre eles localizamos o relato do
circunavegador inglês John Byron, em sua obra Voyage autour Du monde fait en 1764 et
1765 sur le vaisseau anglais le Dauphin. Paris: Chez Molini, 1767 (fig. 6).

3065

�Figura 6: BYRON, John. Voyage autour Du monde fait en 1764 et 1765 sur le
vaisseau anglais le Dauphin. Paris: Chez Molini, 1767

Fonte: Biblioteca da Marinha.

Destas obras, após m minucioso levantamento do que existe no acervo atual, foram
localizadas cerca de 369 títulos. Assim, mais uma vez aos poucos essas preciosidades
reapareceram.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile do manuscrito
original do Catálogo da Biblioteca da Academia dos Guardas-Marinhas, localizado no acervo
da Fundação Biblioteca Nacional, pelo Almirante Max Justo Guedes.
Houve certa complexidade em desenvolver o trabalho, devido à falta de profissionais
especializados na área. A pequena e esforçada equipe consistia de três estagiárias em
Biblioteconomia, supervisionadas por uma bibliotecária militar responsável pelo Setor de
Materiais Especiais há cinco anos. A profissional, empenhada em desenvolver tal tarefa,
obteve conhecimentos prévios adquiridos através de minuciosa pesquisa sobre a Coleção, o
apoio técnico pela equipe de oficiais historiadores pertencentes à DPHDM, além da obtenção
de maiores informações sobre coleções especiais através de bibliografias especializadas,

3066

�participação em eventos e simpósios sobre o assunto em questão e a visita em instituições
mantenedoras de acervos especiais, como a Fundação Biblioteca Nacional.
O inventário dessas obras no acervo da Biblioteca da Marinha contou com buscas nos
catálogos do sistema de gerenciamento de acervos da Rede BIM, posteriormente, no catálogo
manual de título/autor/cronológico da mapoteca e das obras raras. Em virtude do Catálogo
estar com as referências das obras traduzidas para a língua portuguesa, dificultou-se o
diagnóstico e a recuperação de grande número dos títulos, que são na sua maioria em língua
estrangeira (predominantemente francesa, quer pelos autores, quer pelos tradutores). O
compilador, além da tradução indevida, cometeu ainda outros erros na identificação de muitos
livros.
O trabalho continua com uma rigorosa revisão e acerto dos dados bibliográficos das
referidas obras que se encontram no sistema Pergamum, e com a inclusão de algumas das
publicações pertencentes à Coleção que não estavam identificadas no referido sistema (apenas
se encontravam nos antigos catálogos manuais).
Em paralelo, essas obras pertencentes à Coleção da Biblioteca da Academia Real dos
Guardas-Marinhas estão sendo inseridas na base PLANOR (Plano Nacional de Recuperação
de Obras Raras), da Fundação Biblioteca Nacional, que tem como objetivos principais
identificar, coletar, reunir e disseminar informações sobre acervos raros existentes no Brasil.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como afirmou Guedes (1972, p. 59), mal saberia o Comandante Dantas Pereira que,
exatamente graças ao seu zelo no preparo do catálogo é que temos hoje memória daquele
monumento científico, para podermos identificar e localizar tudo aquilo que o Depósito de
Escritos Marítimos possuía em 1812 e que ainda se encontram no acervo da Biblioteca da
Marinha, herdeira do nosso presente objeto de análise.
É com o mesmo entusiasmo que a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação
da Marinha retoma os estudos de localização desse conjunto de obras de grande valor
histórico, iniciado em 1972 pelo Almirante Max Justo Guedes.

REFERÊNCIAS
BRASIL. Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha. Carta de serviços
ao

cidadão.

Rio

de

Janeiro,

2012.

Disponível

em:

&lt;https://www.mar.mil.br/dphdm/diversos/cartadeservicosaocidadao.pdf&gt;. Acesso em: 17 abr.
2014.

3067

�COSTA, Márcia Valéria da Silva de Brito; GRAU, Isabel Ariño. Primeiro catálogo impresso
do “Acervo básico-histórico da Biblioteca da Primeira Escola de Biblioteconomia do Brasil”.
In: ENCUENTRO NACIONAL DE INSTITUCIONES CON FONDOS ANTIGUOS Y
RAROS, 2., 2013, Argentina. Anais... Argentina: Biblioteca Nacional, 2013. Disponível em:
&lt;http://www.bn.gov.ar/descargas/pnbc/2encnacFAR/BritoCosta.pdf&gt;. Acesso em: 02 ago.
2014.
GOMES, Marly Jobim. A cartografia brasileira (1700-1822) - atlas, cartas náuticas e mapas
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GUEDES, Max Justo Guedes. Bicentenário de nascimento do Chefe-de-Esquadra José Maria
Dantas Pereira. Navigator, Rio de Janeiro, n. 6, p. 41-59, dez. 1972.
MORAES, Rubens Borba de. Livros e bibliotecas no Brasil colonial. 2.ed. Brasília, DF:
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Disponível

em:

&lt;http://www.brapci.ufpr.br/documento.php?dd0=0000009464&amp;dd1=8e761&gt;. Acesso em: 02
ago. 2014.

3068

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>O acervo histórico da Academia Real de Guardas-Marinhas da Biblioteca da Marinha</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>O objeto deste trabalho consiste no levantamento do acervo histórico da Coleção da Academia Real de Guardas-Marinhas, dada a sua importância, que se encontra disponível, na Divisão de Materiais Especiais da Biblioteca da Marinha, que abrange as Seções de Mapoteca e Obras Raras, com o objetivo de incentivar as pesquisas num acervo de fontes primárias de alto valor científico. A metodologia utilizada baseou-se nas obras relacionadas no facsímile do manuscrito original do Catálogo da Biblioteca da Academia Real dos Guardas Marinhas, localizado no acervo da Fundação Biblioteca Nacional, na década de 1970, pelo Almirante Max Justo Guedes. Com a devida localização e identificação desse importante acervo, temos hoje a memória científica da instrução dos oficiais militares da época, que deu origem a Biblioteca da Marinha.</text>
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