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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POR UMA ATUAÇÃO EMPÁTICA DO BIBLIOTECÁRIO DE REFERÊNCIA NA
CONTEMPORANEIDADE
Adriana da Silva Ornellas
Patrícia Vargas Alencar

RESUMO
A empatia é um conceito que busca, através do entendimento do outro por sua própria
perspectiva e comportamento, maior harmonia nas relações humanas e, consequentemente, no
modo como nos comunicamos com o outro. Sendo a empatia um conceito de importante
consideração na relação entre Bibliotecário de Referência e o usuário, esse artigo tem como
objetivo discorrer acerca dos pormenores do Serviço de referência como um processo
comunicacional em que as habilidades comportamentais e sociais do bibliotecário podem
determinar a construção de sua imagem pelo usuário. Através do discurso de autores da área e
de pesquisas acadêmicas acerca da dinâmica entre o Bibliotecário de referência e o usuário,
discutimos em que medida as habilidades do bibliotecário em conduzir a interação no Serviço
de referência possuem peso na opinião do usuário. A pesquisa aponta para a necessidade de
reflexão e aperfeiçoamento no que se refere ao Serviço de Referência mais empático.
Palavras-Chave: Bibliotecário de referência; Habilidades sociais; Relação interpessal;
Empatia; Processo comunicacional.
ABSTRACT
Empathy is a concept that seeks, through understanding each other by their own perspective
and behavior, greater harmony in human relations and, consequently, in how we communicate
with each other. Being a concept of empathy important consideration in the relationship
between Reference Librarian and the patron, this article aims to argue about the details of the
service reference as a communication process in which behavioral and social skills of the
librarian may decide to build your image user. Through speech writers in the field of
academic and research about the dynamics between the reference librarian and the patron, we
discuss to what extent the skills of the librarian to conduct the interaction in service reference
have weight in the opinion of the patron. The research points to the need for reflection and
improvement with regard to the Reference Service more empathic.
Keywords: Reference librarian;
Communication process.

Social

skills; Interpersonal relationship; Empathy;

3458

�1 INTRODUÇÃO
Este trabalho é parte integrante da pesquisa realizada para o Mestrado Profissional em
Biblioteconomia, do Programa de Pós-Graduação em Biblioteconomia da UNIRIO, por
intermédio da qual, buscamos investigar a interação entre o Bibliotecário de referência e o
usuário durante o Serviço de Referência. Neste artigo, discutimos o processo comunicativo no
serviço de referência, considerando, para tanto, as visões de teóricos e estudiosos sobre as
habilidades do Bibliotecário na interação com o usuário. Trata-se de um estudo cuja
contribuição é a reflexão da prática interacional no Serviço de referência baseado na empatia
- habilidade apontada como fundamental na otimização de relações interpessoais.
Como afirma Lankes

(2011, p. 13), a missão do bibliotecário na atualidade é

“melhorar a sociedade através da assistência na criação do conhecimento em suas
comunidades”.393394 Baseando-nos nessa missão, investigar as influências que determinam o
sucesso ou fracasso da interação entre o Bibliotecário de referência e o usuário durante a
interação entre esses dois sujeitos traz significativas contribuições para os estudos
biblioteconômicos acerca do Serviço de referência.
Para auxiliar na análise dessa interação, utilizamos o conceito de empatia como
catalizador das habilidades pessoais e comportamentais do Bibliotecário de referência que o
auxiliarão na condução mais eficiente de sua relação com o usuário.
O papel do Bibliotecário é mais sutil e importante do que uma análise superficial pode
prover pois, como observou Oddone (1998), o bibliotecário não é um profissional que apenas
administra uma coleção informacional mas, através do tratamento e disponibilização desses
insumos, faz parte de processos que vão além do simples tratamento técnico e
disponibilização da informação, fazendo parte da produção de conhecimento dentro da
sociedade. Em suas palavras:
A prática profissional do bibliotecário, tantas vezes descrita como
meramente tecnicista e burocratizante, não deveria nem poderia constituir-se
apenas pelo domínio dessas técnicas e procedimentos. Muito mais relevante
é o papel que lhe está reservado nos processos de comunicação e
transferência da informação e de mediação na construção do conhecimento.
(ODDONE, 1998)
Essa mudança de paradigma da posse da informação para sua disponibilização coloca
o bibliotecário no centro de um novo processo priorizando a comunicação e o aprendizado do
393 R. D. Lankes é professor de Biblioteconomia na Universidade de Syracuse e seu livro “The atlas of new
Librarianship” ganhou o prêmio de melhor livro de Biblioteconomia em 2012.
394 “The mission of librarians is to improve society though facilitating knowledge creation in their communities”
(LANKES, 2011, p. 11)

3459

�usuário, tornando o bibliotecário um colaborador no processo de criação do conhecimento na
sociedade, assim como prioriza Lankes:
No lugar de se preocupar com conceitos externos como informação (ou pior,
registros de conhecimento), foca a Biblioteoconomia diretamente no
comportamento e nos efeitos dos serviços nos indivíduos. Na essência, o
valor de um livro ou bibliotecário deve ser avaliado de acordo com a sua
habilidade de aprender. (...) Então a biblioteca onde as pessoas estão
aprendendo e construindo conhecimento pode não ter livros, computadores,
DVDs ou nem prédio. Mas terá bibliotecários auxiliando no processo de
criação do conhecimento.395 (LANKES, 2011, p. 23) (tradução nossa)

Por isso, abordar o bibliotecário como um dos protagonistas do processo de criação do
conhecimento é fundamental para construir as bases do novo paradigma que circundam a
biblioteca e a Biblioteconomia.
A comunicação que acontece durante a relação interpessoal entre Bibliotecário de
referência e usuário revela-se como campo fértil para o aperfeiçoamento do Serviço de
Referência. É dentro dessa ótica que discorrermos acerca desse tema, tomando como base a
atuação empática do Bibliotecário.

2 Serviço de referência e o processo comunicacional entre bibliotecário e usuário
Podemos caracterizar a relação que acontece entre o Bibliotecário de referência e o
usuário como uma relação de serviço pois
trabalhar no serviço de referência é exercer uma profissão que presta um
serviço, pois seu exercício depende essencialmente da demanda do usuário e
da resposta oferecida. A noção de serviço adquire todo o sentido na medida
em que o usuário participa ativamente da produção desse serviço: por meio
de sua demanda, pelas informações que possui, ele contribui com elementos
essenciais para o resultado final. Pode-se então falar de coprodução na
medida em que o serviço é ‘coproduzido’ pelo seu usuário: a organização
desse serviço é oferecida como um conjunto que agrupa o sistema de
documentação (a infraestrutura) e o sistema de produção do serviço
(servuction). Estabelece-se uma relação de serviço com o usuário.
(ACCART, 2012, p. 18)

Nesse ponto, reside a contradição dos serviços que necessitam da interação pois, ao
mesmo tempo que esta relação está inserida dentro de um contexto organizacional, ela só

395 “It changes the focus of the work of librarians from artifacts and the products of learning (like books, web
pages, and DVDs) to the learning process. Rather than being concerned with some externalized concept such as
information (or, worse “recorded knowledge”), it places the focus of librarianship squarely on behavior and the
effects of services on the individual. In essence, the value of a book, or librarian for that matter, is evaluated
against the need of the library member’s ability to learn. (...) So a library where people are learning and building
their knowledge may have no books, no computers, no DVDs, and no building.” (LANKES, 2011, p. 23)

3460

�acontece a partir de uma interação. E o decorrer dessa interação que definirá se o resultado do
atendimento foi ou não bem sucedido.
Grogan (2001) também ressaltou que o Serviço de referência é baseado numa relação
de serviço: o Bibliotecário de referência está realizando um atendimento pessoal, apesar de a
prática dessa atividade se basear na busca técnica em fontes de informação, a atividade
técnica necessita passar antes pelo atendimento pessoal, tornando a interação entre os dois
sujeitos extremamente decisiva:
É impossível estudar qualquer aspecto do processo de referência sem estar
informado de quanto o mesmo depende inevitavelmente para seu êxito dos
atributos pessoais do bibliotecário. Isso implica não os dotes profissionais
como intimidade com as fontes de referência ou domínio das técnicas de
buscas informatizadas, [mas] uma vasta cultura geral ou até mesmo a
experiência em lidar com os consulentes, mas aqueles atributos pessoais
humanos, inatos ou adquiridos, como simpatia, criatividade, confiança e
outros mais. É claro que essas qualidades admiráveis deveriam estar
presentes em todos nós, e, no caso das profissões voltadas para a prestação
de serviços, são indispensáveis. Os bibliotecários de referência que carecem
dessas virtudes padecem sob o peso de uma carga permanente, que amiúde
se mostrará tão opressiva que serão incapazes de se erguerem para atender
de modo satisfatório às necessidades dos usuários. (GROGAN, 2001, p. 26)
O Bibliotecário de referência não é um mero atendente da biblioteca que recepciona o
usuário e faz a ponte entre sua demanda e o que a biblioteca disponiliza para supri-la. Sua
intervenção nessa situação é mais sutil do que se aparenta em um primeiro momento e o seu
comportamento durante essa mediação é decisivo para a satisfação do usuário e para a
imagem da biblioteca.
Em consonância com esse argumento, o Committee on Behavioral Guidelines for
Reference and Information Services (Comitê de Orientação Comportamental para Serviços de
Informação e Referência396397), pertencente à Reference Services Association (RUSA) criado
pela American Library Association (ALA) que tem a intenção de “identificar e recomendar
atributos comportamentais que podem ser observados e correlacionados com uma percepção
positiva dos usuários sobre a performance dos bibliotecários de referência

” (AMERICAN,

2004), categorizou alguns atributos que podem ser verificados como influenciáveis na opinião
dos usuários a respeito do comportamento do bibliotecário.
Os atributos foram os seguintes:

396 Tradução nossa.
397 “(...) to identify and recommend observable behavioral attributes that could be correlated with positive patron
perceptions of reference librarian performance.” (AMERICAN, 2004)

3461

�a) visibilidade/acessibilidade: “Para se ter uma operação de referência bemsucedida é essencial que o bibliotecário de referência seja acessível. Se
atua de forma tradicional/presencial ou remota virtualmente, o primeiro
passo do bibliotecário ao iniciar a entrevista de referência é fazer
com que o usuário se sinta confortável e não em uma situação que
pode ser percebida como intimidadora, confusa, ou esmagadora. A

resposta inicial do bibliotecário em qualquer situação de referência
define o tom para todo o processo de comunicação, e influencia a
profundidade e nível de interação. (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo
nosso)
b) Interesse: “um bibliotecário de sucesso demonstra um alto grau de
interesse imparcial na atividade de referência. Embora nem todas as
consultas sejam de interesse do bibliotecário, ele deve abraçar a
necessidade informacional de cada usuário e deve ser comprometido em
fornecer a ajuda de forma eficaz. Bibliotecários que demonstram um
alto nível de interesse nas demandas dos usuários irão gerar um
maior nível de satisfação; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo nosso)

c) capacidade de ouvir e questionar: “a entrevista de referência é o coração
do serviço de referência e é crucial para o sucesso do processo. O
bibliotecário deve identificar de forma eficaz as necessidades de
informação do usuário de uma forma que o deixe à vontade.
Habilidades eficazes de escuta e questionamento são necessários
para uma interação positiva ; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo nosso)

d) investigador: “o processo de busca é a parte da atividade de referência
em que o comportamento e precisão se cruzam. Sem uma busca eficaz,
não é só a informação desejada que será improvável de ser encontrada,
mas os usuários que ficarão desanimados também. Muitos aspectos da
procura, que conduzem a resultados exatos dependem do
comportamento do bibliotecário; (...)” (AMERICAN, 2004) (grifo

nosso)
e) acompanhamento: “o fornecimento de informação não é o fim da
atividade de referência. O bibliotecário de referência é responsável por
determinar se o usuário está satisfeito com os resultados da pesquisa,
levantando até outras fontes para o usuário, incluindo aquelas que não
estão disponíveis na biblioteca local. (AMERICAN, 2004) (tradução
nossa)
Podemos notar que todos os atributos envolvem características comportamentais. Até
mesmo a pesquisa que, a princípio, utilizaria apenas recursos tecnológicos e fontes de
informação, necessita de uma determinada habilidade comportamental em sua condução,
influenciando a decisão de até que ponto se deve permanecer na busca ou não.
Assim, o Bibliotecário de referência não deve desenvolver apenas suas competências
técnicas da profissão biblioteconômica, mas também observar como o seu comportamento
pessoal e social irá influenciar na sua interação com o usuário de modo a não comprometer a
atividade de referência.
É oportuno esclarecer que não estamos pregando a predominância das competências
sociais e pessoais do Bibliotecário de referência sobre as competências técnicas. Entretanto,
para que seja alcançado um sucesso a longo prazo nos atendimentos do Serviço de referência,

3462

�é fundamental a análise de como as competências sociais e pessoais estão alterando os
resultados dos atendimentos desse setor.
As competências técnicas, sociais e comportamentais devem ser complementares formando um perfil multidisciplinar - e observadas a partir de um uma visão holística que as
considere igualitárias: não basta encontrar uma informação para garantir a fidelização do
usuário ao uso da biblioteca. O atendimento como o usuário foi recebido irá determinar o
desejo (ou não) do usuário voltar à biblioteca ou pedir ajuda novamente ao Bibliotecário de
referência.
Bonnet e McAlexander (2012), ao pesquisar sobre o que influencia o usuário a pedir
ou não ajuda ao bibliotecário, identificaram a comunicação não-verbal como primeiro item
decisivo na acessibilidade do BR:
Comportamento não-verbal, em particular, é essencial para a comunicação
interpessoal e, consequentemente, para as interações no serviço de
referência, pois elas são ‘irrepreensivelmente impactantes’ (DEPAULO,
1992)398. Entretanto, resultados de estudos em bibliotecas que avaliaram
comportamentos e acessibilidade têm sido variados. Kazlauskas (1976)399
observou que as posturas corporais e as expressões faciais dos funcionários
de quatro bibliotecas acadêmicas, atribuindo características positivas e
negativas da comunicação não-verbal a 148 interações. O autor concluiu que
os bibliotecários com comportamento não-verbal positivo (definido assim
como contato visual, postura e movimento corporal e alegria) produziu o
mesmo comportamento em resposta nos usuários, o que é chamado de efeito
contagioso. (tradução nossa)400 (BONNET; MCALEXANDER, 2012, p.
335)

Assim, podemos concluir que não é apenas o encontro ou a falha na busca da demanda
do usuário que influencia a sua satisfação. Accart (2012), devido a esses aspectos que vão
além das questões técnicas e bibliográficas, diz que três aspectos determinam o sucesso do
Serviço de referência: dispor de (1) recursos, (2) informação e (3) pessoal qualificado que
possua excelente capacidade de relacionamento.

398 DEPAULO, B. M. Nonverbal behaviorand self-presentation. Psychological Bulletin, v. 2, n. 111, p. 203-243,
1992.
399 KAZLAUKAS, E. An exploratory study: a kinesic analysis of academic library public service points. The
journal of academic librarianship, n. 2, p. 130-134, 1976.
400 “Nonverbal behaviors in particular are essential to interpersonal communication and, consequently, to
reference interactions, given that they are “irrepressibly impactful” (DePaulo, 1992). However, results of library
studies that assessed behaviors and approachability have been mixed. Kazlauskas (1976) observed the body
postures and facial expressions among staff at public service points in four academic libraries,assigning positive
and negative characteristics of nonverbal communication to 148 interactions. The author concluded that
librarians' positive nonverbal behavior (defined variably as eye contact, body posture and movement, and
cheerfulness) yielded the same behavioral response from library users, also known as a contagion effect.”
(BONNET; MCALEXANDER, 2012, p. 335).

3463

�Baseando-nos nessa premissa e nos argumentos anteriores, concluimos que a atividade
de referência não pode ser analisada excluindo-se o binômio do relacionamento Bibliotecário
de referência-usuário pois
as habilidades de comunicação são essencias para bibliotecários:
bibliotecários têm de se comunicar o tempo todo - escrita e verbalmente.
Tem de ser capaz de falar em público - há palestras, workshops e reuniões
que formam a maior parte da interação com os departamentos. Tem que ser
capaz de solucionar problemas via e-mail. Tem que comunicar novas idéias
com sucesso e obter apoio para elas. Tem que comunicar más notícias e boas
notícias401. (ANYANGUE, 2013). (tradução nossa)
Francisco (2013) alerta que, mesmo assim, os estudos sobre o processo
comunicacional dentro da biblioteca são comumente acerca do tratamento e disseminação da
informação e do conhecimento. Pouco se fala na comunicação humana que acontece na
interação entre BR e usuário.
Assim como a comunicação que acontece nos processos informacionais, a
comunicação presente na interação BR-usuário é complexa e necessita de observação para
que haja aperfeiçoamento visto que a comunicação acontece através processo simbólico que
existe não apenas na linguagem verbal:
a comunicação humana é um processo constante, complexo e ativo que se
distingue da comunicação animal por seu conteúdo simbólico, isto é, as
pessoas são capazes de compreender, interpretar, elaborar e modificar signos
e símbolos. A comunicação se dá sempre, aliás, é impossível não comunicar.
Mesmo calados, emitimos mensagens, pois, de acordo com a psicanálise, é
difícil saber se o comportamento humano é intencional ou não, devido às
intenções inconscientes, por isso, pode-se classificar tudo o que o homem faz
em sociedade, até mesmo o silêncio, como comunicação. Uma vez que este
pode significar concordância, indiferença, desprezo. Dessa forma, o processo
de comunicação se dá pelos seguintes componentes: emissor, que elabora e
põe em circulação a mensagem; receptor, que a recebe e interpreta; a
mensagem, a informação; meio, suporte físico através do qual se transmite a
mensagem; código, sistema de referência em função do qual se elabora e
interpreta a mensagem e o contexto, que é a situação social, histórica,
geográfica e psicológica do ato de comunicação em questão. (FRANCISCO,
2013)
Portanto, de acordo com esse cenário, o processo de comunicação humana não pode
ser entendido como um processo mecânico, em que existe um emissor e um receptor. A
comunicação humana é balizada por influências externas e intrínsecas aos sujeitos que a
401 —
Communications skills are key for a librarian: Librarians have to communicate all the time - written and
verbal. You have to be able to speak in public - there are talks and workshops and meeting which form the bulk
of your interaction with the departments. You have to be able to trouble-shoot via email. You have to
communicate new ideas successfully and get support for them. You have to communicate bad news, good
news.”(ANYANGUE, 2013).

3464

�realizam, ou seja, durante o processo comunicacional diversos aspectos articulam-se na
produção de sentidos através dos vários simbolismos da linguagem (verbal e não verbal,
aspectos psicológicos ou físicos) que os sujeitos participantes da interação emanam,
consciente ou inconscientemente.
Sobre isso, Witter (1986) elucida que
Os aspectos psicológicos envolvidos na relação entre o bibliotecário e o
usuário são complexos, variados e possivelmente, por esta razão,
insuficientemente estudados. Por um lado tem-se o bibliotecário que, se
está caracterizado enquanto profissional com funções e papéis a
desempenhar, em um nível aceitável, é praticamente desconhecido como
pessoa, como ser psicológico, especialmente nos países onde a pesquisa
na área é ainda inexistente. Por outro lado, encontra-se o usuário que
tem merecido mais atenção a nível de pesquisa mas que é ainda
insuficientemente conhecido. Quando essas pessoas interagem em ação,
de ambas as partes, um vasto complexo de variáveis vai influir
decisivamente na quantidade, na qualidade, na direção, no êxito do
relacionamento. Entre essas variáveis estão: motivação, necessidades

imediatas, atitudes, valores, autocontrole, auto-imagem, sociabilidade,
conhecimento, afetividade, e outras tantas características psicológicas que
marcam a individualidade de cada pessoa. (grifo nosso)
Grogan (2001, p. 2) salienta que “tão importante quanto o componente bibliográfico
do SR é o elemento humano, sua natureza de intrínseca reciprocidade, comumente face-a-face
(...)”.
Inazawa e Baptista (2012, p. 118) apresentaram a competência conversacional como
sendo “o uso da comunicação através de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores, com
o propósito de aumentar o entendimento e a cooperação entre os indivíduos”, ou seja, uma
comunicação com o intuito de compreender o outro, não apenas entender o significado
conotativo do que o outro comunica, mas também o contexto onde o outro se encontra, suas
motivações, suas crenças, suas características pessoais e, a partir da assimilação da
compreensão desses atributos, a realização da comunicação de modo mais efetivo e humano.
Possuir competência conversacional significa se preocupar com quem o outro é e, a
partir, desse conhecimento, construir estratégias de comunicação que não o macularão e,
assim, evitar que essas características deturpem o objetivo da comunicação e numa visão
macro, desviem o objetivo do atendimento à demanda informacional do usuário.
Inazawa e Baptista (2012, p. 179) ainda trazem o conceito de “escutar afetivo” para
esse contexto e explicam:

3465

�Com o emprego da competência conversacional do “escutar efetivo” de
Echeverría (2003), o bibliotecário ampliaria a sua capacidade de ouvir,
processar e compreender o contexto da mensagem, não somente averiguando
a escuta através da reprodução oral de um resumo ao usuário do que
entendeu sobre sua questão de referência, mas, também, checando as
inquietudes quanto ao pedido (a importância do pedido, a urgência, a pressão
por prazos, etc.). (...)

Esse escutar afetivo precisa essencialmente das características pessoais do BR para se
realizar e necessita que ele tenha um alto nível de inteligência interpessoal. Goleman (2012, p.
63) diz que a “capacidade de compreender outras pessoas” é uma aptidão da inteligência
interpessoal que significa entender o que “as motiva, como trabalham, como trabalhar
cooperativamente com elas. As pessoas que trabalham em vendas, políticos, professores,
clínicos e líderes religiosos bem-sucedidos provavelmente são todos indivíduos com alto grau
de inteligência interpessoal”.
O autor ainda afirma (GOLEMAN, 2012, p. 63) que “o âmago da inteligência
interpessoal inclui a capacidade de discernir e responder adequadamente ao humor,
temperamento, motivação e desejo de outras pessoas.”
Esses entendimentos nos levam diretamente para o conceito de empatia que é, a grosso
modo, colocar-se no lugar do outro. Goleman (2012, p. 67) estabele a empatia como a aptidão
pessoal fundamental para as interações humanas: “as pessoas empáticas estão mais
sintonizadas com os sutis sinais do mundo externo que indicam o que os outros precisam ou o
que querem. Isso as torna bons profissionais no campo assistencial, no ensino, nas vendas e
administração.”
Essa capacidade intencional de querer colocar-se no lugar do outro para compreendêlo nos remete aos termos e expressões que Accart (2012) utiliza para se referir ao modo como
deve acontecer o encontro no Serviço de referência: ele diz que esse encontro deve ser uma
“assistência pessoal” (p. 14), um “aconselhamento e acompanhamento personalizado” (p. 16),
uma recepção com “atitude amigável e atenciosa” (p. 19), o BR deve saber “ouvir
atentamente” (p. 19), ter “vontade de (...) compreender” (p. 20) e ter “capacidade de
relacionamento” (p. 32) e “amabilidade” (p. 33), em que “o contato é decisivo” (p. 34), deve
“saber ouvir, ter prazer em se comunicar, mostrar-se disponível” (p. 80), “mostrar
curiosidade, criatividade, iniciativa, abertura de espírito, discrição e adaptabilidade” (p. 81) e
“competência de ouvir” (p. 82).
O Bibliotecário de referência é um dos protagonistas na interação que ocorre no
Serviço de referência juntamente com o usuário e ambos estão sujeitos a interferências das

3466

�suas características pessoais. Por isso, é importante levantar a questão do estudo de conceitos
que possibilitem que essa interação ocorra de forma mais positiva a longo prazo e torne o
relacionamento entre o Bibliotecário de referência e o usuário um facilitador para que as
questões e demandas informacionais aconteçam.
Isso demonstra a importância de se levar em conta a empatia no Serviço de referência
e também nas relações humanas como um todo. A empatia vem sendo estudada de maneira a
tornar as interações entre os sujeitos mais compreensivas e humanas, configurando-se como
um conceito de existência essencial no ambiente do Serviço de referência, em que a
construção de uma atmosfera propícia para a realização de uma comunicação bem sucedida é
primordial para o sucesso do atendimento ao usuário.

3 AIMPORTÂNCIA DA EMPATIA NAS RELAÇÕES HUMANAS
A empatia é um conceito que vem sendo discutido amplamente visando otimizar as
interações, objetivando uma melhor convivência com o próximo no nível entre pares e social.
Sua importância existe em todos os tipos de relacionamentos - pessoal ou profissional - e
profundidade - relações duradouras ou aleatórias. Desse modo, iremos abordar a empatia
como modo de aprimorar a relação entre o Bibliotecário de referência e o usuário.
As discussões sobre a empatia mostram uma preocupação em garantir e propagar uma
boa relação de convívio e, a partir disso, chegar-se a uma sociedade melhor e mais humana.
Esse conceito está no cerne dos estudos de Roman Krznaric e é definida como:
A arte de se pôr no lugar do outro e ver o mundo de sua perspectiva. Ela
requer um salto da imaginação, de modo que sejamos capazes de olhar pelos
olhos dos outros e compreender as crenças, experiências, esperanças e os
medos que moldam suas visões do mundo. Tecnicamente conhecida pelos
psicólogos como “empatia cognitiva”, não é uma questão de sentir pena de
alguém - isso é comiseração ou piedade -, mas de tentar nos transportar para
o personagem e a realidade vivida de outrem (KRZNARIC, 2013, p. 69).

Sampaio, Camino e Roazzi (2009, p. 213) apontam que a origem do conceito de
empatia está nos estudos de apreciação estética e que, quando transportado para a interação
humana, descreve
a capacidade de conhecer a consciência de outra pessoa e de raciocinar de
maneira análoga a ela através de um processo de imitação interna, sendo
que, por meio dessa capacidade, pessoas com o mesmo nível intelectual e
moral poderiam compreender umas às outras.

A apreciação artística ser a origem dos estudos da empatia encontra justificativa no
fato de que, para se entender uma pintura é necessário, muitas vezes, colocar-se no lugar do

3467

�artista, pensar como ele pensa para buscar os motivos daquela pintura ser como é. Assim, a
empatia passou a ser uma habilidade para ser realizada não apenas para se entender uma
pintura ou qualquer outro objeto artístico, mas pessoas também, sendo a
possibilidade de entrar no sentimento, estar dentro, estar presente, viver com
e como o outro o seu pathos, paixão, sofrimento e doença. Na Psicologia, o
primeiro autor a utilizar o termo Empatia (Einfülhlung) foi Titchener, em seu
livro Elementary Psychology of the thought processes (1909). Para
Titchener, a noção de Einfülhlung se refere à capacidade de poder saber
sobre a consciência de outra pessoa e raciocionar de maneira análoga a ela,
por meio de um processo de imitação interna. (GALVÃO, 2010, p. 72)

Entretanto, os estudos do primatólogo Frans de Waal (2010) trazem o conhecimento
de que a empatia é uma habilidade também exercida por outros mamíferos e que se constituiu
como uma atitude decisiva na sobrevivência dos animais e também na sua evolução, pois
somos seres essencialmente grupais e a conexão com o outro determinou a sobrevivência e
evolução de grupos.
Assim, a colaboração e a preocupação com o outro é um traço evolutivo
caracterizando o que Wall (2010, p. 59) chamou de autointeresse “esclarecido” pois colaborar
e ajudar o outro também nos traz benefícios individuais e explica:
Existe algo como o autointeresse “esclarecido”, que nos leva a trabalhar em
prol de uma sociedade que sirva aos nossos melhores interesses. Tanto os
ricos como os pobres dependem do mesmo sistema de esgotos, das mesmas
autoestradas e do mesmo sistema de leis. Todos nós precisamos da defesa
nacional, do sistema educacional e do sistema de saúde. Uma sociedade
funciona como um contrato.

Podemos dizer então que garantir que o outro tenha as suas condições de
sobrevivência também pode ser uma garantia da nossa própria sobrevivência posto que
vivemos em sociedade e, a princípio, o que ocorre ao outro, também nos afeta.
Sendo assim, os estudos sobre a empatia podem ter tido origem na apreciação artística
mas ela é praticada desde sempre como um modo de sobrevivência pois, sem a cooperação
mútua, a evolução poderia não ter acontecido da maneira como ocorreu: “Em outras palavras,
a capacidade de operar em grupo e de construir uma rede de sustentação é uma habilidade de
sobrevivência decisiva.” (WAAL, 2010, p. 55)
Assim como os estudos originais da empatia, Waal também atribui o início da prática
da empatia à imitação e chamou essa atitude de sincronização inconsciente:

3468

�O contágio do bocejo reflete a sincronização inconsciente, inscrita
profundamente na nossa espécie, assim como em muitas outras espécies
animais. A sincronia pode se manifestar pela cópia de pequenos movimentos
corporais, como o bocejo, mas ocorre também numa escala maior,
envolvendo as viagens e os deslocamentos dos grupos. (WAAL, 2010, p. 77)

É por essas constatações que Goleman (2012, p. 125) afirma que a “empatia é um
dado da biologia” e complementa chamando esse tipo de imitação de mímica motora que é
“algo que sentimos pelo o que o outro está vivenciando, sem, contudo, sentir o que esse outro
está sentindo”, ou seja, simplesmente imitamos o sentimento do outro.
É nesse pedido de tentarmos pensar a partir da percepção do outro e não com a nossa
própria percepção que reside a capacidade de intervenção da empatia nas relações
interpessoais e, por isso, a empatia é considerada uma competência social (FORMIGA, 2012).
Quanto à isso, Krznaric (2013, p. 69) esclarece:
A empatia nos vem naturalmente, e nós a exercemos o tempo todo, muitas
vezes sem nos dar conta disso. Quando uma amiga nos conta que acaba de
ser abandonada pelo marido, pensamos na raiva e rejeição que ela deve estar
sentindo, e tentamos ser sensíveis às suas necessidades. Se temos um colega
que não está conseguindo concluir suas tarefas no prazo, podemos decidir
não o pressionar a trabalhar até mais tarde por sabermos que sua mãe está
sucumbindo ao Alzheimer e ele está ocupado cuidando dela. Olhar a vida do
ponto de vista do outro não só nos permite reconhecer suas dores ou alegrias,
mas pode nos estimular a agir em favor dele. “Imaginar como é ser uma
pessoa diferente da que somos está no cerne de nossa humanidade”, escreve
o romancista Ian McEwan, “é a essência da compaixão e o início da
moralidade”.

Krznaric (2013, p. 70) lembra muito bem que não devemos confundir “nos colocar no
lugar do outro” com a velha máxima que diz que “não devemos fazer ao outro o que não
gostaríamos que nos fizessem” e explica que
embora essa seja uma noção valiosa, não é empatia, pois envolve considerar
você - com suas próprias ideias - desejaria ser tratado. A empatia é mais
difícil, requer que imaginemos as ideias dos outros e que ajamos em
conformidade com elas. George Bernard Shaw compreendeu a diferença
quando observou: “Não faça aos outros o que gostaria que eles lhe fizessem
- eles podem ter gostos diferentes dos nossos”

Por isso, o conceito de empatia é tão importante para profissionais que exercem tarefas
que demandam a interação direta com o outro e que precisam compreender atitudes diferentes
das suas próprias para tomar decisões de como agir. E tão importante quanto e acima de tudo,
é preciso respeitar a diversidade das pessoas e, sendo a biblioteca um local onde,
normalmente, o uso é realizado por sujeitos de diferentes tipos, personalidades, crenças etc. é
imprescindível que o Bibliotecário de referência seja dotado da capacidade de interagir com o

3469

�outro diferente de si mesmo sem manifestar preconceitos ou através de seu atendimento
sobrepor seus valores em detrimento dos valores do usuário.
A esse respeito, Birdi, Wilson e Tso (2009) empreenderam uma pesquisa objetivando
investigar as relações entre os bibliotecários de uma biblioteca pública e uma comunidade de
minoria étnica (chineses) cuja biblioteca possuia bibliotecários da mesma etnia e de etnia
diferente, ou seja, os autores queriam descobrir se a diferença de etnia causava atritos ou
problemas durante o atendimento e, após a pesquisa, concluíram que a empatia se mostrou ser
uma habilidade com papel de facilitadora da comunicação entre bibliotecários e os usuários
nesse contexto, e que a etnia não mostrou ser uma característica decisiva no atendimento mas,
sim, o comportamento do bibliotecário.
Eles chegaram a essa conclusão através de depoimentos desses usuários que
demonstraram conseguir identificar intuitivamente os bibliotecários que acreditavam ser mais
solícitos e se dirigiam a eles para pedir ajuda independente dele ser chinês ou não:
Questões culturais a parte, poderia ser sugerido que, se um membro da
equipe da biblioteca está motivado para tentar entender as necessidades e
desejos de um usuário - tendo a consciência ou a espontaneidade de se
envolver totalmente em uma ... experiência individual - e possuir algumas
habilidades para atribuir um sentido a todas as necessidades e desejos do
usuário, esse bibliotecário, portanto, teria uma maior capacidade empática.402
(BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p. 87) (tradução nossa)
Os autores também apontam que essa atitude empática pode ser aperfeiçoada através
do conhecimento da cultura do usuário pois isso facilita a atitude empática de pensar a partir
das perspectivas do usuário e refletir sobre suas dificuldades e, consequentemente, na busca
por entender melhor a demanda desse usuário. Nas palavras de um dos bibliotecários
participantes da pesquisa, esse exercício é fundamental para se compreender as atitudes do
usuário dentro da biblioteca:
Você tem que tentar se colocar no lugar dele e imaginar como se sentiria ao
entrar através da porta de um lugar estranho e fazer perguntas em uma
linguagem que provavelmente não é sua primeira língua. Então, imagina que
não é fácil. Você deve tentar entender como essas pessoas podem estar
sentindo não importa a cultura delas403. (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p.
86) (tradução nossa)
402“Cultural issues apart, it could be suggest that if a member of library staff is motivated to try to understand the
needs and wants of a library user - having the conscious or spontaneous commitment to engage fully with...
individual experience - and possesses certain diagnostic skills with which to make 'constructive sense' of those
needs and wants, he ou she would therefore have a greater empathie ability.” (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p.
87)
403 “You have to got try to put yourself in their position and imagine what you would feel like walking through
the door into a strange place and asking question in a language that probably not your first language. So you
know it is not easy. You should try and understand how these people might be feeling no matter what culture
they come from” (BIRDI, WILSON, TSO, 2009, p. 86)

3470

�Agada e Weaver (1997, p. 4) já haviam afirmado que a empatia é uma característica
imprescindível para as profissões que apresentam um perfil de aconselhamento como é o caso
da mediação feita pelo BR:
A compreensão pela empatia é definida como a capacidade de perceber e
entender os sentimentos relacionados às expressões verbais e ao
comportamento do outro e saber comunicar e entender essa percepção
precisamente. Empatia é um componente central na filosofia do serviço
centrado no usuário e um atributo indispensável para as profissões que
prestam atendimento404:
Para essa interação ter uma probabilidade maior de sucesso e não macular a demanda
informacional, é necessário que haja uma preocupação de como ocorre a sua condução e a
observação por parte do Bibliotecário de referência em como ele pode se comporta para
aperfeiçoá-la. Para tanto, o desenvolvimento da empatia se mostra como sendo uma base que
pode assegurar que o relacionamento entre Bibliotecário de referência e usuário aconteça sem
empecilhos. Facilitanto, assim, a acessibilidade e uso dos recursos informacionais pelo
usuário e possibilitanto maior êxito na missão do bibliotecário estipulada por Lankes (2011).
Timbó (2002) discorre teoricamente acerca da influência das características pessoais
do Bibliotecário de referência e usuário, seu discurso se foca na questão da melhor forma de
conduzir a entrevista de referência, como por exemplo, a capacidade de entendimento pelo
Bibliotecário de referência sobre a questão posta pelo usuário e da sua sabedoria em extrair
mais informações do usuário quando o entendimento não estiver claro, sendo necessário o uso
de suas competências sociais e pessoais para saber lidar adequadamente durante essa situação:
Para atender de forma precisa e prática no setor de referência, o bibliotecário
precisa ter o equilíbrio das emoções, pois a cada entrevista de referência ele
irá se deparar com usuários e emoções diferentes, variando de timidez até
agressividade, mesmo que não expressa em linguagem falada, mas sempre
percebida no comportamento não verbal de cada indivíduo na situação de
requisição de ajuda no processo de referência.
A autora (TIMBÓ, 2002, p. 84) ainda pontua o conceito de Inteligência emocional de
Goleman (2012) contextualizando a pertinência desse conceito em nossa sociedade
contemporânea:

404 “Empathie understanding has been defined as the capacity to perceive and understand the feelings related to
the verbal and behavioral expressions of another and to communicate this perception and understanding,
precisely. Empathy is a core component of the user-centered service philosophy and an indispensable attribute
for the helping professions.” (AGADA; WEAVER, 1997, p. 4)

3471

�Goleman iniciou seu estudo sobre a inteligência emocional devido ao grande
estresse social pelo qual passam os países modernos. Ele acredita que a
tendência é para uma autonomia cada vez maior do indivíduo, o que traz, por
sua vez, menos solidariedade e mais competitividade, às vezes brutal, como
acontece nas universidades e nos locais de trabalho. Desde então, o
desenvolvimento da inteligência emocional foi considerado como essencial
para o desenvolvimento e sucesso das relações humanas.
Como já destacado, ser empático não tem a ver com ser simpático ou caridoso, a
empatia é uma forma de ver o mundo e (tentar) entender as pessoas ao seu redor, é uma
filosofia de vida que se desenvolve aos poucos conforme vamos exercitanto-a e se baseia
numa vontade sincera de aperfeiçoamento pessoal que não se separa dos aspectos
profissionais da vida do sujeito.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando que é fundamental que, além do atendimento à sua demanda
informacional, o usuário se sinta bem atendido, é relevante que o bibliotecário se preocupe
como seu próprio comportamento face à maneira como o usuário se sente durante esse
encontro.
Nesta oportunidade, destacamos a empatia que, sendo uma habilidade social que visa
aumentar a harmonia nas interações humanas através da atitude de colocar-se no lugar do
outro, proporciona uma maior compreensão daquele com quem estamos nos comunicando e
de seu contexto.
Sendo assim, a empatia se configura como um conceito que busca aperfeiçoar a
compreensão que temos do outro a partir de suas próprias perspectivas e visões, facilitanto
nossa comunicação. E, consequentemente, quando transportada para uma relação de serviço
como o Serviço de referência, minimiza interferências ou ruídos na relação entre o
Bibliotecário de referência e o usuário.

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              <text>A empatia é um conceito que busca, através do entendimento do outro por sua própria perspectiva e comportamento, maior harmonia nas relações humanas e, consequentemente, no modo como nos comunicamos com o outro. Sendo a empatia um conceito de importante consideração na relação entre Bibliotecário de Referência e o usuário, esse artigo tem como objetivo discorrer acerca dos pormenores do Serviço de referência como um processo comunicacional em que as habilidades comportamentais e sociais do bibliotecário podem determinar a construção de sua imagem pelo usuário. Através do discurso de autores da área e de pesquisas  acadêmicas acerca da dinâmica entre o Bibliotecário de referência e o usuário, discutimos em que medida as habilidades do bibliotecário em conduzir a interação no Serviço de referência possuem peso na opinião do usuário. A pesquisa aponta para a necessidade de reflexão e aperfeiçoamento no que se refere ao Serviço de Referência mais empático.</text>
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