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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO BIBLIOGRÁFICA E A RECUPERAÇÃO DA
INFORMAÇÃO: QUAL O NÍVEL DE SATISFAÇÃO DO USUÁRIO NESTE
PROCESSO?
Luciana Candida da Silva
Vitor Paiva Machado Martins de Araújo

RESUMO
Trata-se de um estudo de satisfação do usuário em relação ao sistema de classificação adotado
pelas bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para tanto, investigou-se os
hábitos, os procedimentos de busca e a satisfação na recuperação do material informacional
no acervo da unidade setorial Campus Coletar Natal e Silva-UFG. A pesquisa foi realizada
com 10 usuários frequentadores da unidade escolhida para amostragem, sendo utilizado um
questionário como instrumento de coleta de dados. Feita a análise, concluiu-se que, em uma
biblioteca universitária, a classificação bibliográfica constitui um instrumento de
comunicação entre o público e a informação registrada, e que, para satisfazer as demandas
informacionais dos usuários, é preciso estabelecer o serviço de treinamento presencial de uso
da biblioteca, bem como melhorar os serviços já existentes, a fim de facilitar a busca e
recuperação de um item documentário.
Palavras-Chave: Organização e Recuperação da Informação; Sistema de Classificação;
Classificação Decimal Universal; Satisfação de usuários - Bibliotecas universitárias.

ABSTRACT
This is a study of user satisfaction with respect to the classification system adopted by the
libraries of the “Universidade Federal de Goiás” (UFG). To this end, was investigated the
habits, search procedures and satisfaction in the recovery of informational material in the
sectoral unit’s collection of “Campus Colemar Natal e Silva - UFG”. The research was
carried out with 10 regular users of the chosen sampling unit, being used a questionnaire as a
tool for data collection. Through data analysis, it is concluded that, in a university library,
bibliographic classification is an instrument of communication between the public and the
information recorded, and to meet the informational needs of users, it is necessary to establish
the service trainings classroom of library use, as well as improve existing services in order to
facilitate search and retrieval of a documentary item.
Keywords: Organization and Information Retrieval; Classification System; Universal
Decimal Classification; User satisfaction - University libraries.

3754

�1 Introdução
A organização da informação é uma preocupação do homem desde os tempos remotos,
quando os pensadores de diferentes épocas começaram a estabelecer formas de dividir,
esquematizar e hierarquizar o conhecimento humano. As classificações, em pleno
aperfeiçoamento pelos estudiosos, deram origem às classificações bibliográficas, com o
objetivo de estabelecer as relações entre documentos para facilitar a sua localização.
Segundo Piedade (1977), as classificações bibliográficas podem ser entendidas como
um processo de agrupar os livros pelos assuntos de que tratam, representados principalmente
por números. As classificações bibliográficas mais utilizadas em bibliotecas universitárias,
são, atualmente, a Classificação Decimal de Dewey (CDD) e a Classificação Decimal
Universal (CDU), as quais funcionam de forma efetiva para a organização de acervos. Porém,
as discussões em torno da organização da informação ganharam força quando se constatou a
mudança de paradigma de posse da informação para o acesso à informação, nas áreas de
Biblioteconomia e Ciência da Informação. De acordo Naves e Kuramoto (2006), a
necessidade de informação e a sua satisfação por parte do usuário são fatores fundamentais
para o trabalho do profissional da informação. Nesse sentido, pretendeu-se responder, então,
alguns questionamentos.
Será que, de fato, os usuários das bibliotecas estão satisfeitos com o sistema de
classificação bibliográfica da unidade que usam/frequentam e conseguem recuperar a
informação que precisam? A classificação, embora de uso imprescindível à fluidez da
biblioteca, não apresenta problemas no processo de comunicação com o usuário? E o
profissional? O que faz face a estes acontecimentos? Estas são algumas das indagações que
deram origem a este estudo e que suscitam curiosidade no profissional bibliotecário, bem
como nos estudante de Biblioteconomia, ao estudar tal contexto na disciplina “Linguagens de
Classificação”.
Esta pesquisa teve como objetivo conhecer a satisfação do usuário quanto ao sistema
de classificação bibliográfica adotado para organização e recuperação do material
informacional da Biblioteca Setorial do Campus Coletar Natal e Silva, da Universidade
Federal de Goiás. Para tanto, estudou-se os hábitos e procedimentos de busca, bem como o
nível de satisfação dos usuários dessa unidade, além de fazer um apanhado teórico sobre as
principais definições nessa órbita. Ao final, faz-se um apontamento das possíveis soluções
para a questão que será explanada.
É pertinente ao trabalho apresentar, a priori., a classificação por uma ótica mais
generalizada. Ela é, segundo Piedade (1977), um processo de agrupar e dividir em classes,

3755

�levantando critérios de semelhança ou diferença. É uma atividade mental inerente ao homem,
que o acompanha antes dele tomar consciência disso, para que compreenda o mundo a sua
volta. Burke (2003) diz que, por muitos anos, grandes filósofos tentaram compreender o
pensamento humano e classificavam seu processo criativo e intelectual. A bibliográfica, por
sua vez, está aplicada ao material informacional para melhor organizá-lo e controlá-lo. Diz ao
tratamento técnico da informação, em que o assunto é decodificado e representado por
números arábicos, seguindo uma lógica hierárquica. A biblioteca em questão utiliza a
Classificação Decimal Universal, uma das possibilidades de se classificar o conhecimento de
forma mais elástica e adaptável às necessidades próprias.
É necessário afirmar que o estudo considera a classificação uma atividade cotidiana do
profissional bibliotecário, visto que o eixo de toda prática estrutura-se a partir da recuperação
da informação, para que consiga organizá-la e disponibilizá-la com eficiência. Interpreta-se a
classificação, de forma mais metafórica, como um identificador do livro na biblioteca e o
número de chamada, seguindo esta lógica, seu endereço na estante.
Já dizia o célebre Ranganathan que o bibliotecário precisa poupar o tempo do leitor,
no caso, o usuário, e que a prática competente da organização e tratamento da informação
possibilita a sua recuperação efetiva. Nesse sentido, propõe-se analisar a comunicação entre o
usuário e o acervo bibliográfico da biblioteca setorial Campus Coletar Natal e Silva da UFG,
pois entende-se que não é simplesmente saber classificar o material bibliográfico, mas
compreende-lo como um identificador num contexto de muitas informações e procurar saber
se, depois de todo processo, de fato há um diálogo do usuário com o material informacional
que ele precisa.

2 Sistemas de Classificação

As classificações bibliográficas tiveram suas origens na classificação do conhecimento
humano, segundo o ponto de vista de seus idealizadoress, que, de acordo com Barbosa (1969),
foi Platão, em 428-347 a.C, o primeiro a agrupá-los segundo bases filosóficas. Mais tarde,
Porfírio, em sua celebre Árvore, deu o primeiro exemplo de uma classificação binária. Foi

Cassiodoro que, ao dividir as Artes Liberais, originou o Trivium e Quatrivium, usados depois
como currículo nas escolas da Idade Média. Burke (2003) utilizou o tripé intelectual
“currículos, bibliotecas e enciclopédias” para examinar como a classificação do conhecimento
acadêmico entrava na prática cotidiana das universidades européias. Gessner deu à história da

3756

�classificação o primeiro exemplo de arranjo de livros de acordo com o uso cientifico da
época, de modo que o seu sistema é considerado por muitos como o primeiro de classificação
bibliográfica. Mas foi Fracis Bacon, com a Chart of Learning, quem mais influenciou os
modernos sistemas de classificação, tal como os de Harris Jefferson, Cutter e Library of
Congress.
De acordo com Piedade (1977), a classificação bibliográfica é a representação
temática do documento, que consiste num processo de decodificação do assunto do
documento em números, seguindo uma lógica sistemática de hierarquização o conhecimento,
para aprimorar a busca, melhor identificar e recuperar a informação. Aplica-se, então, à
disposição e localização físico-espacial de documentos nas estantes, em catálogos, em
bibliografias, e tem caráter prático e de grande aplicabilidade em acervos físicos. Pode-se
dizer que é, senão, o endereço da informação e do material bibliográfico num contexto de
milhares de itens, que possibilita individualizá-lo para encontrá-lo.
Apresentam a ideia de forma hierárquica, numa relação de coordenação, subordinação
e superordenação. Em suma: “Adota-se como princípio fundamental a divisibilidade do
todo”.

2.1 Classificação Decimal Universal

A classificação Decimal Universal teve sua origem no sistema de Dewey, publicada
pela primeira vez em 1876. Em 1895, realizou-se em Bruxelas a Conferência Internacional de
Bibliografia (IIB) e o Repertório Bibliográfico Universal (RBU). Foram encarregados de
organizar as bases dessas organizações o advogado Paul Otlet e Henry La Fontaine, instigados
por um sentimento mútuo. O intuito, a principio, era planejar um controle por assunto, para
melhor responder às necessidades dos pesquisdores, no caso, seus usuários.
A Classificação Decimal Universal (CDU) é um sistema internacional de classificação
de documentos, cuja base está no conceito de que o conhecimento humano pode ser dividido
em 10 classes principais e estas, por sua vez, podem ser infinitamente divididas numa

hierarquia decimal. (IBICT, 2013). A CDU tem a finalidade de organizar os documentos de
forma a reuni-los nas estantes, por assuntos comuns e afins.
Lançando mão das palavras de Souza (2010, p. 27), “a CDU é compreendida como uma
linguagem de indexação e de recuperação de todo o conhecimento registrado em que cada
assunto é simbolizado por um código baseado nos números arábicos”. Com ela é possível

3757

�fazer um mapeamento do pensamento humano, apresentando seus desdobramentos, partindo
sempre do geral para o específico. Localiza-se o assunto na tabela principal e parte para as
auxiliares a fim de especificar e individualizar o documento.
Apresenta tabelas auxiliares de língua, forma, lugar, raça e tempo. Por fim, há um índice
alfabético que complementa sua estrutura. Segundo Miranda (1996), caracteriza-se como um
instrumento de representação e recuperação da informação, utilizadas, principalmente, no
âmbito biblioteconômico, com a finalidade de estabelecer uma comunicação entre os registros
do conhecimento humano - armazenados em uma unidade de informação - e os usuários da
mesma, facilitando a localização, identificação, armazenamento e recuperação de item
documentário. Além disso, trabalha em função da orientação do usuário no que tange ao
mapeamento do assunto dentro de uma área de conhecimento e ainda a sistematização do
conteúdo destes itens documentários a serem representados pelos profissionais da informação.
O IBICT, em 1996, publicou um estudo sobre o estado da CDU e as perspectivas de
seu desenvolvimento e utilização. Foi destacado que este sistema não deve ser visto dentro da
Biblioteconomia apenas como instrumento para atribuir simples notação a um documento,
mas como uma verdadeira linguagem universal, adotada para as atividades de classificação
em unidades de informação. Nesse sentido, a CDU não pode ser considerada, simplesmente,
um código de endereçamento do documento nas estantes, mas como um código para a
organização do conhecimento em sistemas de recuperação da informação.
A exposição de Miranda (1996) vem ao encontro da proposta deste estudo, ao afirmar
que a CDU foi criada para a classificação bibliográfica e não para a classificação
bibliotecária, ou seja, foi criada para a organização de assuntos em um repertório
bibliográfico, para facilitar o acesso dos usuários até o documento organizado e armazenado
nas estantes.

2.2 Organização e Recuperação da Informação em Bibliotecas Universitárias

A biblioteca universitária compreende uma unidade de informação inserida em
instituições de ensino superior. Segundo Ferreira (1980), serve de apoio ao ensino, pesquisa,
extensão e gestão por meio da prestação de serviços aos alunos de graduação, pós-graduação,
professores e funcionários da instituição na qual está inserida. Elas são disseminadoras de
grande parte das informações que circulam em um ambiente acadêmico, por isso devem estar
preparadas em todos os aspectos para receber as demandas informacionais da comunidade
acadêmica, visando à recuperação plena da informação por parte dos usuários.

3758

�De acordo com Oliveira (2009) a recuperação do conteúdo que é abrigado nas
bibliotecas universitárias se dá devido ao trabalho de organização do acervo que está
intrinsecamente ligado ao sistema de classificação adotado. Fujita (2005, p. 12) afirma que as
bibliotecas universitárias possuem três funções básicas, que tangem a armazenagem,
organização e acesso ao conhecimento. Segue:
•
Armazenagem do conhecimento: desenvolvimento de coleções,
memória da produção científica e tecnológica, preservação e conservação;
•
Organização do conhecimento: qualidade de tratamento temático e
descritivo que favoreça o intercâmbio de registros entre bibliotecas e sua
recuperação;
•
A cesso ao conhecimento: a exigência de informação transcende o
valor, o lugar e a forma e necessita de acesso. Por isso devemos pensar não
só em fornecer a informação, mas possibilitar o acesso simultâneo de todos.

Sabe-se que a organização é imprescindível à recuperação da informação. É ela quem
possibilita que os materiais estejam em seus devidos lugares, classificados por assunto e
agrupados por semelhança. O sistema de classificação cumpre o papel importante de guiar o
usuário à sua informação e pode ser considerado, de acordo com Gigante (1995), como o
layout da biblioteca. A qualidade no tratamento temático mencionado por Fujita (2005)
refere-se à etapa da organização da informação em que se insere a classificação. Por
intermédio dos sistemas bibliográficos é possível codificar o assunto em números
possibilitando a localização do documento, visando a sua recuperação.
A forma em que as informações estão dispostas e prontas à localização, muito
depende da organização para sua disponibilização. Para Choo (2006), recuperar uma
informação é disponibilizá-la ao usuário, que a solicita por necessidades espontâneas e/ou
induzidas, objetivando construir significado, produzir novo conhecimento e tomar decisões,
sejam pessoais e/ou administrativas.
Tem-se que:
“[...] processo de recuperação de informação compreende basicamente três
etapas: indexar, armazenar e recuperar. Inserida neste processo as bibliotecas
e os demais serviços de informação construíram suas bases de dados que
podem ser acessadas por m eio das redes de telecomunicações em nível
nacional e internacional.” (Pereira et al, 2009).

É possível compreender que a classificação bibliográfica é uma atividade inerente ao
atendimento às necessidades informacionais dos usuários.
Para este estudo, a recuperação refere-se à facilidade de acesso à informação impressa,
organizada e armazenada para o usuário final, pois a organização sistematizada de

3759

�documentos por meio da CDU tem a função de permitir que o usuário localize o maior
número possível de itens relevantes, desde que bem capacitados.

3 Materiais e Métodos

A metodologia considerada mais apropriada para esta pesquisa inclui: o método de
estudo de caso, pesquisa qualitativa, bibliográfica e levantamento de dados. A pesquisa
classifica-se, quanto aos seus objetivos, como qualitativa, ao buscar interpretar as repostas dos
participantes e atribuir significados ao processo de busca e recuperação da informação no
acervo da biblioteca selecionada.
O tipo de pesquisa classifica-se em bibliográfica e levantamento de dados, pois
identifica, através da revisão de literatura, a importância dos sistemas de classificação
bibliográficas para organização e recuperação da informação em um contexto de bibliotecas
universitárias. Quanto ao levantamento de dados, pelo fato de propor investigar, por meio de
uma amostragem, se a classificação utilizada atende satisfatoriamente aos usuários na
recuperação da informação impressa ou se esse sistema está se constituindo em apenas uma
satisfação bibliotecária, ou seja, na organização e manutenção de estantes.
Foi feita uma pesquisa prévia na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos
em Ciência da Informação, a BRAPCI, com intuito de fundamentar o estudo, ressaltando
princípios de classificação, organização, recuperação da informação e satisfação de usuário e
foi esclarecida a limitação do estudo.
De acordo com Gil (1996) um estudo de caso consiste em delimitar a unidade que
constitui o estudo, coleta, análise e interpretação dos dados e, por fim, a redação do relatório
final. A unidade de estudo escolhida é a biblioteca setorial Campus Colemar Natal e Silva, da
Universidade Federal de Goiás, comumente chamada de biblioteca do campus I da UFG O
motivo pelo qual partiu a escolha, diz ao fato de a unidade a primeira biblioteca desta
instituição, onde ficam localizados os livros, principalmente, da área de saúde, engenharias e
direito.
O sistema de bibliotecas da UFG (SIBI-UFG) possui oito bibliotecas, sendo quatro
situadas na cidade de Goiânia e quatro no interior do Estado de Goiás. A amostragem
constitui-se em 25% do total de bibliotecas localizadas na capital e 12% do total de
bibliotecas do SIBI-UFG Dessa amostragem escolheu-se, de forma aleatória, dez usuários
que utilizam a biblioteca selecionada.
A técnica utilizada para a coleta de dados foi o questionário, composto por questões

3760

�abertas e fechadas. A escolha do questionário ocorreu por proporcionar o alcance de um
número maior de pessoas, e mais liberdade e autonomia para os participantes responderem. A
elaboração do questionário baseou-se na literatura sobre estudo de usuário e sistemas de
classificação, com objetivo de conhecer os hábitos, procedimentos de busca, satisfação e
sugestão dos usuários.
A análise foi realizada, a partir dos dados coletados em julho de 2013, os quais foram
tabulados em formato de porcentagem para as questões fechadas e a análise das perguntas
abertas foi realizada por meio das respostas mais recorrentes. As informações foram dispostas
em gráficos, para fornecer um panorama da relação sistema de classificação-usuário.

3.1 Biblioteca Setorial Campus Colemar Natal e Silva- Campus I da UFG

A Biblioteca Setorial Campus Colemar Natal e Silva (BSCAMI) compõe uma
das bibliotecas que fazem parte do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás
(Sibi/UFG). Quanto aos aspectos históricos, ressalta-se que, por volta da década de 80, um
acordo da UFG com o Ministério da Educação possibilitou a construção de um prédio
específico para a biblioteca no Campus 2, que passou a ser a biblioteca central (BC) da UFG.
A mudança exigiu a divisão do acervo existente entre duas bibliotecas: Biblioteca Central, no
Campus Samambaia, e Biblioteca Campus Colemar Natal e Silva, praça universitária.
O Sibi/UFG reúne cerca de 200 mil volumes de livros e mais de 1.900 fitas em VHS e
em DVD, além de um banco de teses e dissertações.
A biblioteca atende alunos de graduação, pós-graduação e servidores da UFG e a
missão da instituição é atender com qualidade, rapidez e eficiência as necessidades e
expectativas do ensino, pesquisa e extensão na UFG. Para isso, se propõe a oferecer serviços e
produtos em informação que acompanhem as transformações tecnológicas e sociais. O
material bibliográfico, por sua vez, está organizado de acordo com o seu suporte físico,
finalidade e assunto tratado.
O acesso ao material bibliográfico é livre (ou aberto) e a unidade conta com serviços
como solicitação de comutação bibliográfica, acesso ao Portal Capes, empréstimo domiciliar,
levantamento bibliográfico, dentre outros.

A biblioteca possui salas de leitura coletiva e

individual, videoteca, espaço para periódicos, sala de obras raras, para cursos e treinamentos,
sala didática de informática entre outros espaços.

3761

�Ao final da pesquisa será possível verificar a opinião do usuário com relação ao
atendimento das informações expostas no regulamento naquilo que se refere à facilidade de
uso e recuperação de documentos no acervo da instituição.

4 Resultados Finais

Para conhecer a satisfação do usuário com relação ao sistema de classificação
bibliográfico, as questões foram elaboradas a partir das variáveis “hábitos, procedimentos de
busca e satisfação na recuperação do material bibliográfico”.
A pesquisa apresentou que, dos 10 participantes, todos são alunos de cursos da
graduação da UFG, numa faixa etária de 18 a 23 anos de idade, sendo que 7 dos respondentes
são homens e 3 são mulheres. Os alunos participantes são dos cursos de Engenharia Elétrica,
Civil e Mecânica, Agronomia, Publicidade e Propaganda, Estatística e Ciências Sociais. Esses
cursos são ofertados, em sua maioria, no campus 1, local onde é sediada a biblioteca em
estudo.
A primeira etapa da pesquisa pretendeu conhecer a frequência de uso dos participantes
na biblioteca da UFG, e obteve que 50% dos usuários frequentam pelo menos uma vez por
semana, 30% com até três vezes por semana, 10% até três vezes por semana. Apenas um
participante frequenta a biblioteca todos os dias. Entende-se que a maioria dos participantes
vai à biblioteca toda semana em função dos prazos de devolução ou renovação de livros que
ocorrem a cada sete dias.

Gráfico 1 - Frequência de uso da biblioteca

10%

■ Todos os dias
■ Até três vezes por
semana
■ Uma vez por semana

50%

■ Uma vez a cada quinze
dias

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

3762

�Em seguida, questionou aos alunos qual era a finalidade irem à biblioteca. Obteve que
60% vão à biblioteca para estudar, 20% para fazer pesquisas, 10% para realizar trabalhos e
10% para realizar leituras diversas, conforme dados apresentados no gráfico 2.

Gráfico 2 - Finalidades de uso da biblioteca

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Os gráficos 1 e 2 indicam que a biblioteca é um ambiente propício à intelecção e
estímulo ao estudo, uma vez que a maioria vai para estudar, embora com baixa frequência.
Com relação à variável procedimento de busca do material bibliográfico, questionou-

se aos participantes como eles fazem para localizar um material específico em meio a tantos
outros, e foi constatado que 100% deles pesquisam nos terminais de consulta dispostos no
saguão da biblioteca e vão direto ao acervo. Ninguém respondeu que solicita o apoio de um
atendente. Logo, perguntou-se qual o tempo em que gastam para localizar tais documentos
desejados, já que a biblioteca possui mais de 50 mil exemplares de livros, obteve como
resposta que 70% encontram o material em um período de 1 a 5 minutos e 30% de 5 a 15
minutos e ninguém informou que leva mais de meia hora para localizar um livro na estante.
Pretendeu saber se recebem treinamentos de uso da biblioteca e qual a modalidade do
treinamento e verificou que 90% marcaram a opção sim na modalidade a distância e 10%
disseram não ter feito o treinamento oferecido pela biblioteca.
Na variável satisfação, questionou aos participantes se consideram fácil o processo de
encontrar os materiais nas estantes, obteve como resposta que 80% consideram fácil e 20%
consideram difícil.

3763

�Gráfico 3 - Facilidade no processo de busca do material bibliográfico

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Em seguida perguntou se o material procurado é encontrado e 70% responderam que
não localizam o material bibliográfico desejado.

Gráfico 4 - Localização do material bibliográfico

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

No que se refere à satisfação com a qualidade dos serviços de organização dos livros,
os usuários informaram em sua maioria, 80%, que estão satisfeitos e que não precisam
melhorar e nem realizar treinamentos presenciais.

3764

�Gráfico 5 - Satisfação com relação à organização do acervo

Fonte: Dados da Pesquisa (2013)

Os gráficos 3, 4 e 5 possibilitam inferências quanto à satisfação dos usuários. Sabe-se
que a maioria recebeu o treinamento de uso, realizado online pelo site da biblioteca, no
entanto, enquanto muitos dos usuários dizem que consideram fácil o processo de encontrar o
material bibliográfico que precisam e consideram satisfeitos com o sistema de classificação.
Nota-se, então, uma aparente contradição nos procedimentos. Somente no espaço deixado às
críticas e sugestões à biblioteca que se pode perceber onde reside a explicação para a possível
contradição, sabendo que muitos dos usuários percebem que o livro consta no sistema, mas
não estão na estante. É possível perceber, aqui, o quão importante é o sistema de classificação
e como ele dialoga com usuário, pois, uma vez que o material não está na estante, no seu
endereço, o usuário não consegue recuperar a informação que precisa.
Neste espaço, ainda citam problemas como a busca feita com pressa, a dificuldade de
visualização das etiquetas, a dificuldade de localização das estantes, possibilidade de
treinamento presencial, controle de retirada dos livros e acervo desatualizado.

5 Considerações Finais

Pensar os sistemas de classificação bibliográfica tendo como ângulo a recuperação da
informação é uma oportunidade enriquecedora, na medida em que se toma conhecimento do
sistema de classificação adotado, dos usuários da unidade, do contexto em que serão
analisados, no processo de diálogo entre acervo e usuário, na classificação como endereço e

3765

�no processo de comunicação que se estabelece. Além das questões teóricas, a possibilidade de
fazer um estudo prático é rara e induz o estudante a um contato com a realidade de trabalho
do profissional. Neste caso, pode-se dizer que assegura-se a prática profissional do
bibliotecário, na medida em que os usuários chegam às suas informações, pois o trabalho
bem realizado edifica uma ponte entre a informação e sua necessidade.
Ao final do estudo, pode-se, enfim, responder às questões que suscitaram no início da
pesquisa. Sabendo disso, quanto à questão primeira que foi proposta - “Será que, de fato, os
usuários das bibliotecas estão satisfeitos com o sistema de classificação bibliográfica da
unidade que usam/frequentam e conseguem recuperar a informação que tanto precisam?” pode-se dizer que o usuário em questão considera-se satisfeito com o processo de busca e
recuperação do material informacional ao qual demanda, muito embora, em sua grande
maioria, eles não encontrem o material que precisem. Embora pareça uma questão incoerente,
fatores externos e inerentes à classificação bibliotecária (já supracitada) aqui interferem. Além
disso, a devolução do livro à estante num lugar indevido, a pressa na busca e a dificuldade de
visualização do material que está (ou não) em suas respectivas estantes impossibilita a
recuperação precisa dessa informação.
Levanta-se aqui a segunda proposição -

“A classificação, embora de uso

imprescindível à fluidez da biblioteca, não apresenta problemas no processo de comunicação
com o usuário?” - por considerar a classificação, de fato, uma atividade imprescindível à
recuperação da informação e que dá a localização do material nas estantes da biblioteca. No
entanto, nesse processo de comunicação, há ruidos que impossibilitam a maioria dos usuários
recuperarem o material que necessitam, por fatores diversos, como os já supracitados. Além
disso, lança-se mão da terceira questão. Ela é inevitável - “O que faz o profissional diante
destes acontecimentos?” - e, não obstante, intrínseca ao cotidiano de uma unidade de
informação, pois, uma vez que o bibliotecário trabalha em função da recuperação efetiva da
informação, deve usar de artifícios que assegurem que seu “cliente” está, de fato, satisfeito.
No caso explanado anteriormente, há grande necessidade de se fazer treinamento de
uso da biblioteca presencial e proporcinor um mecanismo de feedback e maior proximidade
com a satisfação desse usuário, a fins de que a instituição se adeque às demandas e possa,
assim, melhor atendê-lo. Nesse sentido, o bibliotecário é, então, o mediador e facilitador, o
qual deve dirimir os “ruídos”quanto à dificuldade de recuperação.
É necessário salientar, contudo, que, embora nota-se boa satisfação com relação à
biblioteca e seu sistema de classificação, tem-se aqui uma questão frágil, que merece atenção,
estudo e proposições de mudança, pois, se o usuário não chega à informação que precisa, há

3766

�um ruído na comunicação entre o sistema de classificação- material bibliográfico- usuário, e
portanto, o profissional bibliotecário deve repensar sua prática a fim de fazer com que se
estabeleça uma recuperação da informação competente e que atenda às necessidades dos
usuários de sua unidade.

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              <text>Trata-se de um estudo de satisfação do usuário em relação ao sistema de classificação adotado pelas bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (UFG). Para tanto, investigou-se os hábitos, os procedimentos de busca e a satisfação na recuperação do material informacional no acervo da unidade setorial Campus Coletar Natal e Silva-UFG. A pesquisa foi realizada com 10 usuários frequentadores da unidade escolhida para amostragem, sendo utilizado um questionário como instrumento de coleta de dados. Feita a análise, concluiu-se que, em uma biblioteca universitária, a classificação bibliográfica constitui um instrumento de comunicação entre o público e a informação registrada, e que, para satisfazer as demandas informacionais dos usuários, é preciso estabelecer o serviço de treinamento presencial de uso da biblioteca, bem como melhorar os serviços já existentes, a fim de facilitar a busca e recuperação de um item documentário.</text>
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