<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="6834" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.libertar.org/items/show/6834?output=omeka-xml" accessDate="2026-10-17T06:23:48-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="5896">
      <src>http://repositorio.febab.libertar.org/files/original/62/6834/SNBU2014_320.pdf</src>
      <authentication>b9ad98c70b0763376aae318ffcf862e4</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="76516">
                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A INSERÇÃO DO LIVRO ELETRÔNICO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: UM
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Mírian Cristina de Lima
Leonilha Maria Brasileiro Lessa

RESUMO
Este estudo visa retratar de forma ampla a realidade de uma Biblioteca Universitária com
relação à inserção dos livros eletrônicos, contextualiza sobre o livro digital e o papel do
bibliotecário. Tem como objetivo analisar o contexto, compreender os processos de aquisição,
os modelos de negócio, as formas de divulgação e o comportamento dos bibliotecários.
Utilizamos o método descritivo para configurar este relato de experiência, embasado em um
levantamento bibliográfico. Nas considerações finais observa-se que a inserção dos livros
eletrônicos é um processo inevitável e que a biblioteca e os bibliotecários devem se adaptar e
atualizar com base nas mudanças.
Palavras-Chave: Livro eletrônico. Biblioteca Universitária. Competência informacional.

ABSTRACT
This study aims to portray broadly the reality of a University Library regarding the integration
of electronic books, digital and paper contextualizes the role of the librarian. Our goel is to
analyze the context, to understand the processes of acquisition, business models, the forms of
dissemination and the behavior of the librarians. We use the descriptive method to illustrate
this case study, based on a bibliographical survey. In the final considerations it is observed
that the integration of electronic books is an inevitable process and that the library and
librarians must adapt and update based on changes.
Keywords: Electronic book. University Library. Information literacy.

1 Introdução
As novas tecnologias estão alterando nossas atividades, nossa visão de mundo e a
forma como interagimos. Tratada por alguns como necessidades básicas, as tecnologias e a
conexão com a Internet estão cada vez mais presentes em pequenas ações do cotidiano: como
pagar uma conta, receber o resultado de um exame, fazer compras, etc. Diante deste novo
cenário globalizado, onde as informações podem ser acessadas de todos os lugares e ao

4035

�mesmo tempo, as bibliotecas universitárias estão tendo que se reinventar para acompanhar
estas mudanças, rompendo definitivamente a barreira do ambiente estático.
Algumas bibliotecas estão percebendo uma queda no número de empréstimos e no
acesso de usuários a biblioteca, neste momento os bibliotecários devem buscar formas de se
aproximarem dos usuários, ofertando outros produtos e serviços, não mais só os livros físicos.
Ainda é mágica a sensação de encontrar na biblioteca o livro desejado, mas há também
uma frustração ao descobrir que todos estão emprestados. Este é um momento propício para
conquistar um novo leitor para o mundo digital, informando que a instituição oferece livros
digitais.
A decisão pelo livro eletrônico oferece muitas vantagens os usuários, como: a
praticidade do acesso através de dispositivos móveis; a quebra de barreiras geográficas, o
usuário não precisa se deslocar fisicamente até a biblioteca; disponibilidade de acesso a obra
24 horas por dia, 7 dias por semana; o usuário não tem uma cota máxima de livros que podem
ser emprestados; não se preocupar com renovações e muito menos em pagar multa por atraso.
Todavia este processo também apresenta desvantagens, problemas no acesso, falta de
comunicação com relação aos títulos que são inseridos ou retirados da plataforma, etc. Muitos
pontos ainda devem ser discutidos pela classe biblioteconômica, que com certeza terá grandes
desafios pela frente.
Durante algum tempo as bibliotecas universitárias encontraram dificuldade em ter
acesso a propostas de negócio de livros digitais acadêmicos em português. Quando as
primeiras propostas apareceram era nítida a confusão e as dúvidas com relação ao produto que
estava sendo oferecido e aos modelos de negócio, como o preço a ser cobrado seria calculado
e como estes livros eletrônicos seriam acessados. Os editores nacionais estavam cautelosos
com relação a possível perda de vendas dos livros físicos e as possíveis facilidades da
pirataria digital, eles não conseguiam vislumbrar ou entender o novo cenário tecnológico que
estava se construindo.
Hoje o mercado de livros digitais está em pleno processo de expansão, neste contexto
são as bibliotecas universitárias que estão passando por um processo de adaptação à nova
realidade, pois a inserção dos e-books revoluciona também atividades que por muitos anos
ficaram engessadas, como o processo de aquisição.
Se a biblioteca está mudando os profissionais da informação também mudarão, eles
devem rever suas competências e procurar ampliá-las em prol deste movimento.
Esta pesquisa de cunho descritivo surgiu do desejo de explicar algumas situações a
partir da prática de uma biblioteca universitária como relação à seleção, aquisição e

4036

�divulgação dos livros eletrônicos. Os dados empíricos apresentados neste trabalho têm como
objetivo fomentar os estudos sobre a inserção dos livros eletrônicos nas bibliotecas
universitárias, levantando pontos de discussão como: os modelos de negócio impostos, o
modelo de gestão das bibliotecas, problemas com relação à interface das plataformas de
acesso aos livros digitais, às práticas dos bibliotecários neste contexto e as formas de
divulgação para comunidade acadêmica.

2 Revisão de Literatura
O livro eletrônico
Não se pode falar sobre livro eletrônico sem citar Vannevar Bush que é considerado o
precursor do hipertexto através do seu projeto Memex. Segundo Cunha (2008, p. 4): “[...]
Bush previu um sistema parecido com o hipertexto, e o MEMEX - que seria um computador
provido com um banco de dados, contendo a literatura técnico-científica necessária ao
exercício profissional do pesquisador moderno[..]”.
Existem muitas teorias controversas com relação ao precursor dos e-books, mas na
realidade o que realmente tornou esta utopia possível foi o surgimento da Internet esta nova
mídia que é capaz de efetuar a junção entre massividade e interatividade promovendo ao seu
redor uma revolução no próprio conceito de comunidade e cenário comunicacional.
Chartier (1999, p. 134) “Com o texto eletrônico, enfim, parece estar ao alcance de
nossos olhos e de nossas mãos um sonho muito antigo da humanidade, que se poderia resumir
em duas palavras, universalidade e interatividade.”
Este dinamismo apresentou uma nova possibilidade ou um novo caminho como canal
de divulgação científica. A conexão entre computadores diferentes, com sistemas
operacionais diversos, possibilitando a troca de arquivos, a discussão de resultados,
visualização de pesquisas em andamento, informações sobre novas publicações, etc.
Neves (2004, p. 1) afirma: “O advento do fenômeno chamado INTERNET veio
provocar uma verdadeira revolução no ordenamento das coisas no mundo da informação e do
conhecimento”.
A comunicação digital pode ser através de textos, som, imagens e suas múltiplas
combinações, o que nos remete ao hipertexto. Segundo Levy (1993): “[...]um hipertexto é um
conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos
ou partes de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser
hipertextos.”

4037

�Neste contexto surge o livro eletrônico, também denominado livro digital, e-livro ou e­
book, um novo recurso informacional que está ganhando cada vez mais espaço,
principalmente por algumas características específicas, como: a facilidade do acesso através
da web, por dispor de várias extensões/formatos e ser compatível com dispositivos eletrônicos
como: notebooks, tables, smartphones, e-readers, etc.
Vasileiou, Hartley e Rowley (2012, tradução nossa) relatam que: “E-books
representam um desafio interessante para bibliotecas acadêmicas, e há muitas perguntas sobre
a gestão da introdução e desenvolvimento de coleções e-books e serviços.”
Com parcimônia foram surgindo iniciativas que visavam o acesso aberto às coleções
de livros através da internet, entretanto estas ações se dedicavam a livros já em domínio
público e obras com licença creative commons, o interesse das bibliotecas universitárias vão
além

das obras literárias, buscam as obras científicas e acadêmicas relacionadas

principalmente às bibliografias das disciplinas.

O perfil do bibliotecário
Se o acesso à informação está mudando os profissionais da informação devem aceitar
as mudanças e adaptar-se fazendo com que a profissão não se torne obsoleta. O fato do
usuário não se dirigir fisicamente a biblioteca em busca de uma obra, não diminuirá o trabalho
do bibliotecário, pois a importância da profissão está em saber organizar, selecionar e
disseminar a informação, independente do suporte.
Jesuz e Jovanovich (2013, p. 1) afirmam que:“O impresso e o digital aparecem juntos
como opções diferentes e complementares na aquisição de informação e conhecimento. As
publicações eletrônicas têm apresentado várias possibilidades de acesso, o que faz com que as
bibliotecas revejam novas maneiras de acesso à informação, incluindo esses novos suportes.”
A criação de uma biblioteca digital tem características semelhantes à biblioteca
convencional, o objetivo é facilitar o acesso aos recursos informacionais. Segundo Serra e
Silva (2013): “Este recurso propicia discussões não apenas culturais relacionadas à leitura
impressa ou na forma digital, mas nas descobertas e modificações na gestão das unidades de
informação que o bibliotecário deve proporcionar.”
São múltiplas as tarefas que devem ser realizadas pelos profissionais da informação,
dentre elas: análise dos recursos e das interfaces, a interoperabilidade das plataformas dos
livros eletrônicos, avaliação dos títulos, etc. Este panorama exige do bibliotecário o
desenvolvimento da competência informacional, também denominada information literacy.

4038

�[...] a competência informacional está no cerne do aprendizado ao longo da
vida. Ela capacita as pessoas em todos os caminhos da vida para buscar,
avaliar, usar e criar a informação de forma efetiva para atingir suas metas
pessoais, sociais, ocupacionais e educacionais. É um direito humano básico
em um mundo digital e promove a inclusão social em todas as nações
(INTERNATIONAL FEDERATION OF LIBRARY ASSOCIATIONS
AND INSTITUTIONS, 2005)

Serão exigidas novas habilidades destes profissionais, ele passará a ser instrutor, pois
capacitará os usuários através de treinamentos para utilização do acervo digital. A ALA
(American Library Association) define uma pessoa competente em informação como:
[...] capaz de reconhecer quando precisa de informação e possuir habilidade
para localizar, avaliar e usar efetivamente a informação [...]. Em última
análise, pessoas que tem competência informacional são aquelas que
aprenderam a aprender. Essas pessoas sabem como aprender, porque sabem
como a informação está organizada, como encontrar a informação e como
usar a informação, de tal forma que possam aprender com elas. (ALA, 1989)

3 Materiais e Métodos
Esta pesquisa explicativa visa retratar de forma ampla a realidade uma biblioteca
universitária com relação à inserção dos livros eletrônicos, o maior objetivo é analisar o
contexto, compreender os processos e o comportamento dos bibliotecários, através de um
relato de experiência.

4 Resultados Parciais/Finais
Há um longo caminho para que os livros eletrônicos sejam disponibilizados pelas
bibliotecas universitárias, ele é iniciado pelas inúmeras visitas dos vendedores com diversas
ofertas, não existe uma padronização com relação aos modelos de negócio, os fornecedores
apresentam propostas com formas diferentes de calcular o valor das obras digitais/plataforma,
alguns calculam pelo número de usuários reais, na prática, o vendedor solicita o número de
alunos matriculados nos cursos que ele considera atender com a sua coleção digital, outros
fornecedores solicitam o número total de alunos da instituição para definir um valor da
proposta, entende que todos são potenciais usuários da plataforma ofertada. Os valores ainda
não são os almejados pelas instituições, pois no caso modelo de assinatura o que está sendo
adquirido é a licença para o uso, ou seja, o livro eletrônico não é da biblioteca. Já o livro
físico é incorporado ao acervo e passa ser um patrimônio da instituição, por isto os valores
das obras digitais deveriam se repensados de forma justa.

4039

�Nos últimos anos houve um aumento na oferta, principalmente com relação a
plataformas com títulos em português, novas empresas surgiram e outras que não trabalhavam
com estes recursos passaram a trabalhar, todavia o curto espaço de tempo e a sede pelo
mercado fez com que vendedores fossem lançados no mercado para oferecer algo que nem
mesmo eles conheciam. O primeiro contato nem sempre trazia boas impressões, pois
perguntas relativamente básicas no meio biblioteconômico e tecnológico não são respondidas
pelos vendedores. Muitas vezes estas perguntas são respondidas através dos acessos as
plataformas durante os testes, leituras de artigos, participação em eventos da área e dos
diálogos com os pares de outras bibliotecas universitárias. Neste ponto do processo os
bibliotecários com competência informacional e experiência em bases de dados digitais
conseguem se destacar.
Mediante a inserção dos livros eletrônicos na biblioteca alguns pontos são passivos de
discussão:
1. Não há seleção dos títulos por parte da biblioteca, ou seja, o acervo digital nem sempre
atende todas as expectativas dos usuários/bibliotecários. Títulos sem grande expressividade
fazem parte dos pacotes, enquanto os livros base para alguns cursos da graduação/pósgraduação não estão inseridos. Conforme Serra (2012, p. 6): “Normalmente os pacotes são
formados por títulos que são definidos pelos editores, onde as obras na versão impressa já
apresentaram vendagem significativa, porém encontram-se estabilizadas, representando um
baixo risco no montante das vendas.”
2. Cláusulas contratuais definem que pode haver inserção, retirada e atualização de títulos,
mediante aviso prévio, esta comunicação muitas vezes é falha. O que compromete trabalhos
como os de análise das bibliografias das disciplinas em uma IES. O MEC informa em seu
“Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação presencial e a distância” atualizado em
maio de 2012, informa que os cálculos relativos aos critérios de análise da bibliografia básica
(BB) são diferenciado para as bibliotecas que possuem acervo virtual (pelo menos 1 título
virtual por unidade curricular), alterando assim a proporção de alunos por exemplar físico.
Além do constante investimento de manutenção do acervo, ao renovar os
pacotes, a biblioteca está efetuando um pagamento contínuo para garantir o
acesso aos e-books que já possui, na forma de um aluguel permanente paga-se para utilizar a obra, porém ela não pertence ao acervo e pode ser
retirada da coleção caso não seja concretizada a renovação ou fique
indisponível pelo distribuidor. (SERRA, 2012, p. 6)

3. Como as bibliotecas acabam assinando/comprando com vários fornecedores para conseguir
um acervo digital mais diversificado depara-se com alguns problemas de ordem prática, como

4040

�por exemplo: os trâmites jurídicos (contratos mal elaborados, com cláusulas que só garantem
os direitos dos fornecedores e não os dos clientes e os problemas técnicos da plataformas.
Para ilustrar este relato de experiência citou-se o caso de uma biblioteca universitária.
A biblioteca sempre teve como prioridade a compra/assinatura de livros eletrônicos em
português. A primeira experiência foi um contrato no modelo compra perpétua, o fornecedor
ofereceu pacotes de títulos por área do conhecimento, optou-se por 99 títulos, de duas
editoras. A plataforma de acesso oferece poucos recursos e tem como condição a visualização
dos títulos não assinados apenas como demonstração, fato que frustra os usuários, os
fornecedores acreditam que esta é uma forma de induzir novas compras.
A forma de visualização dos livros é definida pelos editores, um disponibiliza os livros
em e-pub (permitindo apenas seleção de pequenos trechos) e o outro em pdf (downloads e
impressões liberadas).
Dentre os formatos mais comuns de e-books estão o PDF, que necessita do leitor
Acrobat Reader, o formato HTML precisa de um navegador de Internet para ser aberto e o epub já é o formato especifico para os livros digitais.
Em 2012 uma nova proposta surgiu, o modelo de negócio ofertado foi um contrato de
assinatura. Neste caso os títulos não poderiam ser escolhidos; o acesso é realizado pela
plataforma do fornecedor; o pacote inclui todos os títulos da base, todavia a inserção e
exclusão de títulos. A plataforma apresenta alguns recursos interessantes, como: interface
amigável, divisão das obras por áreas do conhecimento, recursos de busca simples e
avançada, acesso multiusuários, estante de favoritos, anotações, marcadores, aplicativo para
tablets, compatibilidade com programas de acessibilidade, impressão de até 50% da obra
mediante compra de cotas e desconto na compra de livros físicos.
Em 2013 mais uma coleção foi assinada no modelo assinatura, ela oferece recursos
parecidos com a segunda plataforma, mas disponibiliza um número maior de títulos, a
vantagem da impressão sem custos, compartilhamento de comentários/ marcações com
amigos, utilização do web-app, expressão utilizada para explicar a plataforma se adequa a
qualquer dispositivo sem a necessidade do usuário baixar o aplicativo.
Ainda no ano de 2013 uma quarta base foi avaliada, também no modelo de assinatura,
muitos títulos atendiam às disciplinas, a plataforma é esteticamente atrativa e oferece vários
recursos. Começamos com o trial, processo comum durante a análise das bases, os
fornecedores/representantes liberam temporariamente a plataforma para que os bibliotecários
possam realizar testes, divulgar internamente entre docentes e discentes para colher opiniões,
etc. Após meses de avaliação e a autorização da instituição optamos por assinar mais uma

4041

�base de e-books, o objetivo era ampliar o “catálogo” de obras digitais. Como nos processos
anteriores os analistas da informação começaram efetivamente a trabalhar na implantação,
pois sempre optamos pelo acesso direto dos usuários as plataformas pela área de acesso
restrito a comunidade acadêmica da instituição, evitando assim o desgaste dos usuários em
criar contas e definir senhas para acessar cada base. Durante a implantação percebeu-se o
tempo de resposta da base dentro da interface da instituição era de quase 30 segundos (o que
não é aceitável no ambiente virtual), este problema logo foi exposto ao fornecedor que
contratou uma empresa para melhorar o acesso, meses se passaram e o problema não foi
sanado. Levando a instituição a difícil decisão de rescindir o contrato, os fornecedores não
questionaram a decisão e logo após o fato a vendedora admitiu que eles não estavam
preparados tecnologicamente para disponibilizar todos os títulos virtuais, que as assinaturas
anteriores eram de poucos títulos.
Esta experiência foi desgastante para os participantes, mas ótimas lições foram
retiradas, o grau de exigência e detalhamento dos requisitos durante os processos de análise
ficaram mais rigorosos. Hoje também há o entendimento, adquirido pela prática, que durante
as negociações todas as promessas são feitas pelos vendedores, mas que nem sempre são
cumpridas.
O gráfico a seguir mostra o crescimento do número de títulos adquiridos pela
biblioteca citada, neste relato após as assinaturas dos contratos.

Gráfico 1: Crescimento do número de títulos eletrônicos na biblioteca

Fonte: Dados da pesquisa.

4042

�Devido ao crescimento o acervo digital sugiram novas atividades, pois além do
gerenciamento acervo físico, os bibliotecários devem gerenciar o acervo digital. Para isto o
profissional da informação deve começar a avaliar os modelos de negócio, recursos e as
formas de acesso, após a assinatura as questões são outras, inicia-se o trabalho de análise dos
títulos, como as bibliotecas universitárias são regidas pelos instrumentos do MEC.
Uma das primeiras iniciativas foi a verificação dos títulos digitais, se estavam nas
bibliografias básicas e complementares das disciplinas ofertados pela instituição, estudo feito
por disciplina, curso e centro; quais obras já existem em formato físico na biblioteca; a
terceira atividade é a sugestão de livros digitais no momento da solicitação das compras dos
livros físicos, atualização de bibliografias, etc. Podemos visualizar no gráfico a seguir um
exemplo de mapeamento por centro do número de títulos que atendem as bibliográficas básica
ou complementar. São eles CCS- Centro de Ciências da Saúde, CCT- Centro de Ciências
Tecnológicas, CCG- Centro de Ciências da Comunicação e da Gestão, CCJ- Centro de
Ciências Jurídicas.

Gráfico 2: Porcentagem dos títulos que atendem as disciplinas por Centro

Fonte: Dados da pesquisa.

Como outros recursos d biblioteca temos o interesse de quantificar o uso, para isto
dependemos dos fornecedores, já que as plataformas não disponibilizam recursos
administrativos para bibliotecas, dos três fornecedores citados apenas um envia regularmente
os relatórios, os outros, mesmo com frequentes solicitações demoram a enviar. O que
inviabiliza estudos quantitativos mensais.

4043

�Como as bibliotecas universitárias estão cada vez mais buscando ampliar as coleções
digitais e cada fornecedor/empresas oferecem os conteúdos em interfaces próprias surgiram
no mercado as “ferramentas de descoberta” que preconizam a possibilidade de unificar
através de uma interface a busca em todas as bases disponibilizadas pela biblioteca (físicas e
digitais), para isto o fornecedor da ferramenta necessita que os metadados dos documentos
eletrônicos sejam enviados, formando assim um grande banco de dados, as bibliotecas que
dispõe destas ferramentas ativam as bases dos editores primários

na sua conta de

administrador, resgatando assim os dados e em alguns casos redirecionando o usuário para o
documento na íntegra.

O problema é que este diálogo ainda está em fase inicial e

categoricamente só está acontecendo por imposição dos clientes, as bibliotecas universitárias.
Quando uma biblioteca universitária opta por um recurso como os livros eletrônicos
gera muita expectativa na comunidade acadêmica, por isto várias ações devem ser realizadas
de divulgação devem ser realizadas, com o objetivo de informar. Como estratégia utilizada
pela instituição podemos citar a técnica do “3C’s” (comunicar, conscientizar e capacitar):
comunicar os recursos através dos canais internos oferecidos pela instituição, conscientizar a
comunidade de que estes recursos fazem parte da mudança de paradigmas tecnológicos e
capacitar através dos treinamentos ofertados pela biblioteca.

5 Considerações Parciais/Finais
São otimistas as previsões feitas para os livros eletrônicos, as futuras gerações poderão
desfrutar mais ainda desta forma de acessar as informações, afinal as novas tecnologias estão
trazendo cada vez mais adereços, como: redes de alta velocidade, dispositivos compactos e
sofisticados, etc.
Chartier (1999) relata a importância da aceitação das mudanças por parte das
bibliotecas: “Aquela biblioteca que der um passo nesse processo irá renascer. As que
conservarem alguma visão idílica do passado correrão grande risco e terão tão pouca
oportunidade de serem reconhecidas como instituições sociais necessárias.”
Este artigo se propôs a mostrar a realidade de uma instituição de ensino superior,
através de um relato direto e sincero de experiências positivas e negativas da inserção dos
livros eletrônicos. De todos os modelos disponíveis no mercado consideramos a assinatura
mais viável, pois neste caso os clientes tem uma voz ativa para exigir melhorias nas
plataformas. Solicitações feitas aos fornecedores que oferecem o modelo de compra perpétua
parecem em vão, não percebemos interesse em apresentar novas soluções para problemas
existentes.

4044

�Percebe-se atualmente uma articulação de várias instituições em prol da criação de
grupos de trabalho para discussão, dentro os pontos abordados estão: a forma como os livros
eletrônicos estão sendo ofertados (compra perpétua, acesso, assinatura, etc); o tipo de formato
(pdf, html, e-pub, etc);

patrimoniamento dos itens adquiridos por assinatura/compra;

plataformas e estatísticas de uso.
Alguns temas citados neste artigo merecem aprofundamento em publicações futuras,
dentre eles: a competência informacional por parte dos profissionais da biblioteconomia no
que tange aos novos recursos (bases de dados de periódicos e livros eletrônicos) oferecidos
pelas bibliotecas universitárias e as ferramentas de descoberta. Objetivando auxiliar
profissionais de outras instituições, que estão iniciando o processo de inserção dos livros
eletrônicos em suas bibliotecas.
Conclui-se que no cerne da universidade, berço da produção científica, ambiente do
espaço crítico e de reflexão, o livro eletrônico encontra um terreno para criar raízes e para se
fortalecer.

6 Referências
AMERICAN LIBRARY ASSOCIATION. Think Tank III: information literacy and the
technological

transformation

of

higher

education.

Disponível

em:

&lt;

http://www.ala.org/acrl/aboutacrl/directoryofleadership/sections/is/iswebsite/eventsconferenc
es/thinktankiii&gt;. Acesso em: 25 fev.2014.
CHARTIER, R. A aventura do livro: do leitor ao navegador. São Paulo: Fundação Editora
da Unesp, 1999.
CUNHA,

M.

B.

da.

Das

bibliotecas

convencionais

às

digitais:

diferenças

e

convergências. Perspectivas em Ciência da Informação, Minas Gerais, v. 13, n. 1, p. 2-17,
2008.
GODOI, K. A.; PADOVANI, S. Avaliação de material didático digital centrada no usuário:
uma investigação de instrumentos passíveis de utilização por professores. Produção, São
Paulo, v. 19, n. 3, p. 445-457, 2009.
INTERNATIONAL

FEDERATION

OF

LIBRARY

ASSOCIATIONS

AND

INSTITUTIONS. Faróis da sociedade de informação: declaração de Alexandria sobre
competência informacional e aprendizado ao longo da vida. Versão em português do
documento Beacons of the Information Society, Alexandria: IFLA Publicações, 2005.
Disponível em: &lt;http://archive.ifla.org/III/wsis/BeaconInfSoc-pt.html&gt;. Acesso em: 12 fev.
2014.

4045

�JESUZ, V. A. F. de; JOVANOVICH, E. M. S. E-books, livro eletrônico ou livro digital:
análise

de

uso

na

área

da

saúde.

In:

CONGRESSO

BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25 ,2013.
Florianópolis.

Anais...

Florianópolis:

CBBD,

2013.

Disponível

em:&lt;

http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1302/1303&gt;. Acesso em: 5 mar. 2014.
LEVY, P. Um sistema auto-regulador. Folha de São Paulo, São Paulo, 12 abr. 1999. Caderno
Mais, p. 3.
LEVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. Rio
de Janeiro: Editora 34, 1993.
NEVES, T. M. G. das. Livre acesso à publicação acadêmica. Ciência da Informação,
Brasília, v.33, n.3, p. 116-121, set./ dez. 2004.
PROJECT GUTENBERG. Disponível em: &lt;http://www.promo.net/pg/&gt; Acesso em: 15 mar.
2014.
SERRA, L.G. Empréstimo digital: como atender editores, bibliotecas e usuários: estudo sobre
novos modelos de negócios.

In:

SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS

UNIVERSITÁRIAS, 27. , 2012. Gramado. Anais... Porto Alegre: UFGRS, 2012. Disponível
em:&lt; http://www.snbu2012.com.br/anais/pdf/4Q2H.pdf &gt;. Acesso em: 5 mar. 2014.
SILVA, R. A. da. E-books em bibliotecas novos desafios para os bibliotecários. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA
DA INFORMAÇÃO, 25.,2013. Florianópolis. Anais... Florianópolis: CBBD, 2013.
Disponível em:&lt; http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1398/1399&gt;. Acesso em: 5 mar.
2014.
VASILEIOU, M.; HARTLEY, R.; ROWLEY, J. Choosing e-books: a perspective from
academic libraries. Online Information Review, Reino Unido, v. 36, n. 1, p.21-39, 2012.
Disponível em: &lt;http://www.emeraldinsight.com/journals.htm?articleid=17019375&gt;.Acesso
em: 7 maio 2014.

4046

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="62">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71368">
                <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71369">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71370">
                <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71371">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71372">
                <text>UFMG</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71373">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71374">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71375">
                <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="76508">
              <text>A inserção do livro eletrônico na biblioteca universitária: um relato de esperiência</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="76509">
              <text>Lima, Mírian Cristina de, Lessa, Leonilha Maria Brasileiro</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="76510">
              <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="76511">
              <text>UFMG</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="76512">
              <text>2014</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="76513">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="76514">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="76515">
              <text>Este estudo visa retratar de forma ampla a realidade de uma Biblioteca Universitária com relação à inserção dos livros eletrônicos, contextualiza sobre o livro digital e o papel do bibliotecário. Tem como objetivo analisar o contexto, compreender os processos de aquisição, os modelos de negócio, as formas de divulgação e o comportamento dos bibliotecários. Utilizamos o método descritivo para configurar este relato de experiência, embasado em um levantamento bibliográfico. Nas considerações finais observa-se que a inserção dos livros eletrônicos é um processo inevitável e que a biblioteca e os bibliotecários devem se adaptar e atualizar com base nas mudanças.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
