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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

BIBLIOTECAS FÍSICAS EM EDUCAÇÃO VIRTUAL: UMA VERDADE
INCONVENIENTE, UMA OBSERVAÇÃO PERTINENTE.
Fabiane Freitas
Yaciara Mendes Duarte
Claudio Gottschalg Duque
RESUMO
O estudo teve como objetivo examinar as atuais exigências do Ministério da Educação (MEC)
para as bibliotecas presenciais, dos cursos de educação a distância, e a real necessidade da
existência de acervos físicos, conforme as especificações do MEC, para os discentes desta
metodologia. Para isso, foi feito uma revisão bibliográfica sobre a metodologia de ensino a
distância, bibliotecas universitárias e as normas para as bibliotecas presenciais. Para verificar
a utilização destes acervos, foi feito um estudo de caso em duas unidades de informação
voltadas para o público de EAD. Esta averiguação foi efetuada a partir de entrevistas com os
gestores das unidades e análise de dados dos sistemas de circulação de materiais da
instituição. A observação prática realizada mostrou que a proposta de acervos físicos,
conforme feita atualmente, não condiz com a realidade e com o intuito do ensino a distância.
Pode-se concluir, neste caso, que os critérios de avaliação, propostos pelo MEC, não
contemplam as peculiaridades existentes na modalidade, focando-se mais na realidade
presencial e abstendo-se, em alguns casos, das ferramentas que disponibilizam conteúdos em
meio digital. Esta situação pode ser levada para o contexto de outras universidades e se tornar
mais uma fonte de reflexão dentro da realidade de outros cursos e instituições.
Palavras-Chave: Biblioteca presencial. Educação a distância. Biblioteca universitária.
Normas do Ministério da Educação.
ABSTRACT
The study aimed to examine the current requirements of the Ministry of Education (MEC) for
physical libraries, distance education courses, and the real need of the existence of physical
collections, specified by the MEC for the students of this methodology. For this, we made a
literature review on the methodology of distance education, university libraries and standards
for physical libraries. To verify the use of these collections, we made a case study in two units
of information geared for the public DE. This investigation was conducted through interviews
with unit managers and analysis of movement of material systems of the institution. The
practical observation has disclosed that the proposed physical collections, as currently done, is
not consistent with reality and with the aim of distance education. It can be concluded in this
case that the evaluation criteria proposed by MEC, do not contemplate the peculiarities
existing in the modality, focusing more on face reality and refraining, in some cases, the tools
that deliver content in digital media . This can be taken into the context of other universities
and become a source of reflection within the reality of other courses and institutions.
Keywords: Libraries. Distance learning. Academic library. Ministry of Education and
Culture regulations.

4138

�Introdução

A utilização de novas tecnologias para o auxílio da educação formal não é novidade.
Nas últimas duas décadas os brasileiros, de maneira geral, testemunharam grandes mudanças
sociais, advindas de uma economia mais forte e mais liberal, o que propiciou a facilitação ao
acesso a produtos e serviços diretamente relacionados à Comunicação Mediada por
Computador (CMC). Devido a isto, o Brasil hoje tem mais linhas habilitadas de telefones
celulares que habitantes (ANATEL, 2013) (e consequentemente, principalmente devido aos
preços dos aparelhos com acesso a Web e os preços dos serviços Web cobrados pelas
operadoras, mais usuários da Web do que proprietários de computadores pessoais). Esta
prosperidade socioeconômica influenciou de maneira positiva e rápida o contexto educacional
brasileiro. A difusão desses dispositivos permitiu que os educadores e pesquisadores
acadêmicos se atentassem para este fato e passassem a se utilizar destes recursos
informacionais no auxílio da educação formal.
A busca, identificação e consulta de material didático-pedagógico, tais como livros,
apostilas, manuais etc. é obrigação tanto do docente quanto do discente. Ao docente cabe
orientar, indicar, “ensinar o caminho das pedras” e ao discente de hoje cabe pró-atividade,
maior independência das escolhas/sugestões dos docentes e até mesmo um olhar mais crítico
e mais especificista com relação ao material necessário para a sua titulação,
independentemente do nível em que este discente se encontre.
Vários estudiosos, educadores e pesquisadores, que trabalham com Educação a
Distância (EAD) tanto do ponto de vista prático quanto teórico, discordam em vários aspectos
relacionados a utilização de novas tecnologias na educação, porém, todos concordam que a
EAD pode e deve se apropriar de alguns aspectos da educação tradicional para o
enriquecimento da experiência didático-pedagógica deste “novo” aluno, que também é um
usuário mais “ostensivo” das CMCs enquanto aluno.

1 Educação a distância (EAD)

A comunicação humana tende a ser direcionada para a maximização da relevância e,
com isso, todo estímulo ostensivo que pode e deve ser utilizado pelo emissor/comunicador
(intenção informativa e comunicativa) pressupõe-se ótimo. O estímulo tem que ser relevante o
suficiente para que mereça o esforço de processamento da recepção/audiência e tem que ser
compatível com as habilidades e preferências do emissor/comunicador. A relevância é

4139

�diretamente proporcional à relação entre a inferência por parte da recepção/audiência e o
efeito cognitivo, que deve ser positivo, advindo desta inferência. Portanto, quanto menor a
ostensividade do

emissor/comunicador e quanto maior a inferência positiva da

recepção/audiência, mais relevante é o estímulo, consequentemente mais eficiente e eficaz é a
comunicação (SPERBER; WILSON, 1995).
A EAD tende a exacerbar o problema da comunicação humana, entretanto, ela é fruto
dos avanços tecnológicos que proporcionaram mudanças em diversos setores, entre eles,
também na área de educação. Para atender as novas necessidades da sociedade foram
necessárias algumas rupturas na educação tradicional, e com isso fez mister repensar a
comunicação professor/aluno. O aparecimento de novas mídias, a Internet e o acesso mais
rápido e fácil às informações se tornaram atributos da educação de hoje, mas os educadores,
os professores em geral, ainda apresentam problemas com relação à utilização das CMCs
enquanto ferramental profissional (AFONSO; GOTTSCHALG-DUQUE, 2014).
A atual conjuntura política e econômica encontrou na modalidade de ensino a
distância um atrativo financeiro viável, que atendesse as exigências pedagógicas, para a
educação de nível superior. Com o auxílio das novas tecnologias da informação e
comunicação, esta modalidade começou a satisfazer as atuais necessidades de ensino das
pessoas adultas (PRETI, 1998).
Com a dificuldade das pessoas em transitarem nas grandes cidades, o tempo
demandado no trabalho, com a família e demais atividades, a EAD se tornou uma ferramenta
ideal. O indivíduo que deseja estudar, vê nesta metodologia uma possibilidade de organizar
sua grade horária e evitar grandes deslocamentos. Nunes (1994, p. 7), considera “um recurso
de incalculável importância como modo apropriado para atender a grandes contingentes de
alunos de forma mais efetiva que outras modalidades e sem riscos de reduzir a qualidade dos
serviços oferecidos em decorrência da ampliação da clientela atendida".
A maior parte das definições de EAD ressalta a distância física entre professores e
alunos, independente se a forma de contato seja por meio de suporte eletrônico ou não. Para
Moore (1973) ela é um conjunto de métodos de aprendizado onde professores e alunos estão
em espaços distintos, podendo ser por meio impresso, eletrônico ou outro, sem o intermédio
humano. Alguns autores vão além das questões da distância entre as pessoas e os métodos de
ensino, chegam a ressaltar a organização do sistema, como Peters (1994). Ele concatena a
EAD com a produção industrial e a divisão do trabalho, comparando a mecanização e divisão
de tarefas deste período, com a metodologia, automação e processos do ensino a distância.

4140

�No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (BRASIL, 1996), em seu artigo 80,
ampara legalmente a EAD e coloca sobre a responsabilidade do Poder Público o incentivo do
desenvolvimento e veiculação de seus programas de ensino. Já o Decreto n° 5.622 de 2005,
regulamenta e estabelece as diretrizes do artigo 80, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(BRASIL, 2005). Nele, a educação a distância é definida como:
[...] modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos
processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e
tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores
desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos.

A maioria das pessoas associa a EAD apenas às novas tecnologias. Porém, esta
metodologia é mais antiga do que muitos imaginam. No Brasil, já existiam cursos por
correspondência antes de 1900, de acordo com anúncios em jornais de circulação no Rio de
Janeiro, do qual ofereciam cursos profissionalizantes. Já na década de 70 surgiu o primeiro
curso da Open University inglesa, responsável por popularizar a EAD. Nos Estados Unidos,
há relatos de experiências com este método, desde o século XIX. (LITTO; FORMIGA, 2013).
Em períodos anteriores outros instrumentos eram utilizados para este processo, como o envio
de correspondências. Com os avanços tecnológicos, como a fibra ótica, as redes de
computadores e televisão a cabo, houve uma popularização e diminuição de custos
(MORAES, 2010).
A EAD, tanto “antiga” quanto “nova”, prima por ofertar todo o material didático
necessário para o aluno obter a certificação. Os Alunos recebiam/recebem o material didático
organizado pelo professor, entretanto, devido as novas tecnologias, os recursos didáticopedagógicos permitem que este material seja similar ou até mesmo superior ao ofertado em
cursos presenciais e pode até mesmo superar a relação de contato presencial existente em sala
de aula, visto que a comunicação via email e/ou chat permite um contato direto e unívoco
entre aluno e professor e/ou aluno e tutor.
No final da década de 90 surgiram grandes sistemas de educação a distância para o
nível superior. Começando pela Europa, e, posteriormente, Canadá e Estados Unidos, para
depois ser difundida nos demais países tidos como desenvolvidos e muitos em
desenvolvimento também (GUIMARÃES, 1996). Na mesma década, a inserção da
informação online também foi essencial para a evolução do método.
O Brasil, há décadas, também desenvolve programas de EAD, entre eles podemos
ressaltar o Projeto Minerva, 1970, o Telecurso de 2° Grau , 1978, o Telecurso 2000 ,1995, a
TV Escola ,1996, e o Consórcio Interuniversitário de Educação Continuada a Distância -

4141

�Brasilead, 1993, constituído, na década de 90, por 53 instituições públicas de nível superior
(PRETI, 1998). “Em 2012, alcançou-se a incrível marca de 5.772.466 matriculados em cursos
de EAD no país. Neste mesmo ano, em relação a 2011, houve um aumento de 52,5% no
número de matrículas na modalidade EAD” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013, p. 21).
Em pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas e Administração da Educação, a
partir dos Pareceres do Conselho Nacional de Educação e Portarias do Ministério da
Educação, foi constatado que atualmente existem 251 instituições de ensino superior
credenciadas para programas de educação à distância, no Brasil. A maior parte delas,
localizadas na Região Sudeste. No Distrito Federal, constam apenas sete instituições deste
caráter (INSTITUTO DE PESQUISAS E ADMINISTRAÇÃO DA EDUCAÇÃO, 2014).
Hoje, com as facilidades de acesso à Internet, os novos aparelhos eletrônicos, o baixo
custo de armazenamento da informação, novas plataformas, a web 2.0/3.0, dentre outras
evoluções, permitem que em muitas regiões do mundo, altere-se a forma de abordagem que os
professores utilizam para a comunicação com os alunos. A nova ordem social e econômica,
mais os avanços tecnológicos, propiciam um ambiente favorável a EAD. Contudo, se essas
inovações tecnológicas geram olhares somente voltados para os meios de transmissão da
proposta e não para os objetivos pedagógicos e aos sujeitos/alunos a serem atendidos, a
qualidade do ensino fica comprometida (PRETI, 1998). Não se pode pensar primeiramente na
tecnologia a ser utilizada, é preciso ter em foco que a meta principal é o aprendizado.
Há muitas razões para observar atentamente os diferentes processos
de evolução da EAD. Uma delas é a percepção de que há mais de um
caminho para essa evolução - diferentes modelos, com diferentes
contextos, diferentes padrões de dificuldade na implementação e na
aceitação (difusão) (MORAES, 2010, p.30).

O uso das tecnologias de informação necessita ser reformulado para o ensino a
distância. É importante que os alunos saibam utilizar os recursos da melhor forma possível
(BLATTMANN, 2001), o que muitas vezes não ocorre em nosso país. As diferenças regionais
e a má qualidade no ensino básico interferem diretamente no desempenho futuro desses
alunos. Muitos deles tiveram pouco ou nenhum contato com ferramentas digitais e outros não
possuem um grau de conhecimento necessário para fazer parte de um método de ensino mais
autônomo. (MORAN, 2009)
Além dos problemas com o uso da tecnologia, tanto por parte dos cursos à distância
quanto pelos alunos, também existem outras dificuldades. No Brasil a transmissão dos

4142

�conteúdos de EAD tem custos elevados. O Código Brasileiro de Comunicações prevê que esta
transmissão seja mais barata para o ensino a distância, contudo isto não ocorre. A tarifação
para a educação é praticamente a mesma de páginas eletrônicas de outras naturezas. Outro
ponto negativo do qual tem muita relação com este trabalho, é a necessidade de desenvolver
atividades em polos presenciais, como encontros e avaliações (OLIVEIRA, 2009). Partindo
do pressuposto que a EAD serve, entre outras razões, justamente para evitar o deslocamento
dos indivíduos, a avaliação e a prestação de outros serviços à distância, desta modalidade, se
fazem necessários para que a proposta do método esteja de acordo com seus objetivos.
O Censo EAD.BR, realizado no ano de 2012, apresentou os principais obstáculos do
ensino de EAD, em pesquisa realizada em todo o território nacional. Entre eles, os mais
destacados foram a resistência dos educadores e educandos à modalidade, os desafios
organizacionais das instituições e, o mais destacado, a evasão de educandos. Em 2012 a
evasão dos alunos de cursos tidos como completos à distância, e não disciplinas isoladas, foi
de 11,74%. Entre os principais motivos para a evasão foram citados a falta de tempo para o
estudo, custo financeiro e, o que chama muita atenção, a falta de adaptação à metodologia
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013).
O crescimento do número de alunos também mostrou uma diferenciação do seu
respectivo perfil nos últimos anos. Há pouco tempo, cerca de 10 anos, a média de idade dos
alunos era de 40 anos de idade. Em 2012, o decréscimo da idade média dos alunos foi tão
significativo que 50% deles estavam na faixa etária de 18 a 30 anos. Além desta mudança,
também foi detectado que a maior parte da população é formada por pessoas do sexo
feminino, representada por 55% do contingente. Como era esperado, notou-se que grande
parte dos estudantes acumulam os estudos e a jornada de trabalho: “[...] a maior porcentagem
ficou com os alunos de pós-graduação, com 84,53% [...] e 89,69% nos não corporativos”
(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA, 2013, p. 94). São alunos
que muitas vezes não têm condições de frequentar uma faculdade todos os dias, mas mesmo
assim, buscam a ascensão profissional. Ao contrário dos cursos presenciais, onde os alunos
têm dificuldade em organizar seu tempo, e dos quais, de acordo com Cunha:
[...] as faculdades e universidades estão centradas no corpo docente.
Os professores decidem o que lecionar, como, quando, e onde o
aprendizado ocorrerá. Os estudantes precisam viajar até o campus
para aprender; precisam vencer os obstáculos burocráticos do
vestibular, das limitações nas ofertas de disciplinas e dos rígidos
horários escolares (CUNHA, 2000, p.73).

4143

�Ainda há preconceito no país com a utilização desta modalidade, mas já há consciência
que para se atender todas as regiões do Brasil, este tipo de ensino se faz necessário. É notável
que a EAD já influencia também os cursos presenciais. Cada vez mais estes usam seus
métodos para flexibilizar a necessidade da presença física dos professores e alunos. Em uma
sociedade mais conectada é possível alcançar uma aprendizagem participativa e integrada
onde haja a manutenção de vínculos afetivos, com o apoio da tecnologia.

2 Bibliotecas universitárias

A educação brasileira construída em diferentes etapas, conta com diferentes formas de
apresentar a biblioteca e seus suportes de informação, já que estes também se adaptam às
diversas necessidades informacionais e realidades dos seus usuários.
A educação básica tem como propósito a partir da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) os
seguintes princípios:

“desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum

indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e
em estudos posteriores” (BRASIL, 1996).
A biblioteca para o público da educação básica desenvolve habilidades de leitura e
fomenta a investigação e a pesquisa escolar. No contexto do ensino superior, esse papel se
transforma para atender as demandas científicas que esta etapa educacional requer.
Segundo o artigo 227 da Constituição Federal, as universidades “gozam de autonomia
didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao
princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (BRASIL, 1988).
Neste caso, a biblioteca universitária tem um papel de apoio às atividades de pesquisa
e de apoio a aprendizagem profissional. Segundo Cunha (2010):
As bibliotecas universitárias são organizações complexas, com múltiplas
funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que foram
desenvolvidos ao longo de décadas. No entanto, o seu propósito fundamental
permaneceu o mesmo, isto é: proporcionar acesso ao conhecimento. Esse
acesso ao conhecimento é que irá permitir que o estudante, o professor e o
pesquisador possam realizar suas aprendizagens ao longo da vida.

O acesso à informação é premissa fundamental para a construção de conhecimento
dentro das instituições de ensino superior. A partir deste câmbio entre as informações, alunos,
docentes e pesquisadores, é que se percebem as mudanças e os progressos científicos nas
diversas áreas do conhecimento.

4144

�De acordo com Machado (2009, p. 30), a importância da biblioteca universitária é
crucial para a construção do saber e ferramenta para o trabalho científico:
Elas [as bibliotecas universitárias] estão sempre buscando a melhoria e o
aumento dos seus acervos, seja através da aquisição de manuscritos, revistas,
obras de referências, assinaturas eletrônicas, bases de dados,
desenvolvimento de bibliotecas virtuais, digitais e eletrônicas, blogs,
comunidades, ou quaisquer outras formas de fixação do pensamento.

Como as tecnologias da informação e a Internet provocam, a todo momento, intensas
mudanças no processo de aprendizado e na própria forma de acesso a informação, é
necessário que os professores se adaptem à essas novas tecnologias (AFONSO;
GOTTSCHALG-DUQUE, 2014). Os acervos que subsidiam as pesquisas encontram-se de
diferentes formas e suportes, não sendo mais apenas o livro como fonte de pesquisa no
contexto universitário. O acervo virtual é composto de Objetos de Aprendizado (OAs), que se
encontram disponibilizados em Repositórios de Objetos de Aprendizado (ROAs), que
desempenham um papel preponderante no desenvolvimento do alunado (AFONSO;
GOTTSCHALG-DUQUE, 2014).
A biblioteca universitária, buscando acompanhar as crescentes transformações no
ambiente tecnológico, acadêmico e educacional, também alterou a sua estrutura, produtos e
serviços para atender a comunidade que cada vez é mais exigente.
As bibliotecas começam a se transformar: nota-se uma preocupação
crescente em atender o usuário com o máximo de rapidez e eficiência, maior
preocupação com o acesso à informação em detrimento da posse do
documento, minimizando-se as limitações de tempo e espaço na busca da
informação. As coleções e os serviços foram complementados com novos
formatos e novas versões, tudo isso, certamente, facilitado pela utilização
das novas tecnologias (MARCONDES; MENDONÇA; CARVALHO,
2006).

A biblioteca física também precisa ter meios para atender este público conectado, mas
necessitante de informações de qualidade, com a confiabilidade que o acervo físico
proporciona. Neste caso, uma biblioteca digital/virtual não é apenas a disponibilização de
links ou livros digitais. É necessário refletir sobre aspectos relacionados à acessibilidade,
interatividade, confiabilidade dos conteúdos, dentre outros.
Alguns autores abordam um hibridismo para os serviços oferecidos pelas bibliotecas.
Segundo Garcéz e Rados (2002, p. 45) a “biblioteca híbrida deve integrar o acesso a
diferentes tecnologias para o mundo da biblioteca digital e através de diferentes mídias. [...]

4145

�deve refletir o estado transacional da biblioteca, que hoje não pode ser completamente
impressa nem completamente digital”.
De acordo com o Stantards for Distance Learning Library Services (SDLS),
desenvolvido pela Association of College &amp; Ressearch Library (ACRL, 2008), a biblioteca
universitária para atender o seu público EAD deve trabalhar com os seguintes aspectos:
serviços de referência e orientação online, programas de treinamento, recursos informacionais
que atendam demandas fora do ambiente físico da biblioteca, auxilio com equipamentos e
recursos digitais, parceria com outras bibliotecas, entrega rápida de documentos, dentre
outros.
Mueller (2000) argumenta que ainda existe uma grande dificuldade no oferecimento
dos serviços aos alunos de ensino à distância. É preciso um planejamento do sistema de
informação, não tão somente a extensão dos serviços tradicionais.
Para Garcez e Rados (2002, p. 47) este usuário off campus, deve ter acesso à
informação da seguinte forma:
O processo de acesso à informação, para o usuário off campus, inicia-se via
Internet, correio eletrônico, telefone e fax, ou mesmo localmente em
bibliotecas consorciadas; o usuário efetua a busca por informação, que pode
ser pormeio de acesso às bases de dados, como biblioteca híbrida (digital e
local), isto é, fontes internas e/ou catálogos Opac local (Online Public
Access Catalogue) (telnet/web) e Copac (Curl Online Public Access
Catalogue), recursos remotos da Web e canais informais, que estão
disponibilizados no home site das bibliotecas acadêmicas;escolhe a(s)
base(s) e efetua a pesquisa e obtém a informação.

Portanto, entende-se que são diferentes suportes necessários para disponibilizar
informação de qualidade para este usuário real, mas não físico. É necessário preocupar-se com
as maneiras de deixa-lo sempre informado com os novos serviços e produtos da biblioteca.
A ACRL (2008) afirma que esta modalidade de ensino dá a oportunidade aos
bibliotecários de mudarem os paradigmas de suas práticas profissionais, onde a postura
protecionista e tecnicista se transforma em uma atuação dinâmica, com geração de conteúdos
informacionais e de serviços cada vez mais rápidos e direcionados às necessidades específicas
de seus usuários.

3 Normas do MEC: histórico, critérios de avaliação e aplicabilidade

Dentre os critérios avaliativos dos cursos presenciais e a distância, diversos aspectos
são considerados para a mensuração da qualidade dos cursos. A biblioteca também passa por

4146

�avaliação, já que compõe como parte da nota a ser atribuída aos cursos superiores. O
Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (INEP) ficaram responsáveis pelo acompanhamento dos cursos presenciais e
a distância.
Com a criação do Sistema Nacional da Educação Superior (SINAES) instituído pela
Lei 10.861 de 14 de abril de 2004, estabeleceram-se diretrizes de avaliação dos cursos
superiores.
Até chegar aos modelos atuais de avaliação, muitas modificações foram feitas. O
primeiro modelo foi instituído em 1977, com a avaliação da pós-graduação pela Coordenação
de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (CAPES), embora outras iniciativas tenham
aparecido na década de 50 e 60 como, por exemplo, o plano ATCON e do relatório Pereira
Matos, no período militar, contudo, buscando uma forma de controle das instituições
(ZANDAVALLI, 2009).
Também tivemos como critérios avaliadores o Relatório do Grupo Executivo para a
Reformulação do Ensino Superior (GERES) em 1986, Programa de Avaliação das
Universidades Brasileiras (PAIUB) em 1993, que foram se adaptando até chegar a forma atual
de avaliação (ZANDAVALLI, 2009).
A avaliação em EAD é bastante similar a avaliação presencial, onde se verifica os
seguintes aspectos: concepção de educação e currículo; sistemas de comunicação; material
didático; avaliação; equipe multidisciplinar; infraestrutura de apoio; gestão acadêmicoadministrativa; sustentabilidade financeira. (BRASIL, 2007).
Para as bibliotecas, os requisitos mínimos para atender aos usuários e à legislação são:
[...] possuir acervo atualizado, amplo e compatível com as disciplinas dos
cursos ofertados. Seguindo a concepção de amplitude de meios de
comunicação e informação da educação a distância, o material oferecido na
biblioteca deve ser disponibilizado em diferentes mídias. É importante,
também, que a biblioteca esteja informatizada, permitindo que sejam
realizadas consultas on-line, solicitação virtual de empréstimos dos livros,
entre outras atividades de pesquisa que facilitem o acesso ao conhecimento.
Além disso, a biblioteca deve dispor em seu espaço interno de salas de
estudos individuais e em grupo (BRASIL, 2007).

O que se observa que apesar do curso ser a distância, ainda se exige um espaço físico
pelo MEC. Mesmo que um acervo virtual atualizado seja disponibilizado à comunidade
acadêmica, contando com diversos recursos midiáticos digitais para complementar tal
modalidade de ensino, ainda sim é necessário um ambiente nos polos presenciais.

4147

�Nos indicadores de avaliação, foca-se ainda nas quantidades mínimas por aluno, sem
contemplar para critérios avaliativos outros recursos midiáticos como parte do acervo da
biblioteca. Encontra-se na parte de Tecnologias da Informação e Comunicação o seguinte
indicador:
São recursos didáticos constituídos por diferentes mídias e tecnologias,
síncronas e assíncronas, tais como ambientes virtuais e suas ferramentas,
redes sociais e suas ferramentas, fóruns eletrônicos, blogs, chats, tecnologias
de telefonia, teleconferências, videoconferências, TV convencional, TV
digital e interativa, rádio, programas específicos de computadores
(softwares), objetos de aprendizagem, conteúdos disponibilizados em
suportes tradicionais (livros) ou em suportes eletrônicos (CD, DVD,
Memória Flash, etc.), entre outros (BRASIL, 2007).

Embora as avaliações sejam parte do controle de qualidade das instituições de ensino
superior, existem críticas às atuais práticas, pois, argumenta-se que a avaliação é parcial e não
contextualizada às diversas realidades existentes no Brasil.

4 Estudo de caso: bibliotecas físicas em EAD

Para consolidar as informações teóricas do artigo e ponderar a situação dos alunos de
EAD em relação à utilização das bibliotecas presenciais, foi feito um estudo de caso em uma
instituição, localizada no Distrito Federal, no mês de Abril do ano 2014. Para este trabalho,
não foi autorizada a divulgação da razão social desta organização. Por isso, para uma melhor
compreensão do texto, ela será identificada como Instituição X.
A Instituição X é uma organização de renome, presente em grande parte do território
nacional. No Distrito Federal ela possui 3 unidades voltadas para cursos presenciais de
graduação e pós-graduação. Além disto, também há mais 26 outras unidades, conhecidas
como polos, para cursos de aprendizado a distância, de graduação e pós-graduação, no próprio
Distrito Federal, em diferentes estados e também em outros países.
Para a obtenção dos dados foi realizada uma entrevista aberta com o gestor e um dos
coordenadores da biblioteca desta empresa. Ambos são bibliotecários com vasta experiência
em bibliotecas universitárias. São habituados a realizar o acompanhamento das visitas de
avaliação de cursos presenciais e a distância, efetuadas pelo Ministério da Educação, no que
tange as bibliotecas. Além das entrevistas, foi realizado um levantamento estatístico do uso de
duas bibliotecas presenciais, uma no Distrito Federal e outra na cidade de Anápolis,
localizada no estado de Goiás.

4148

�Todos os polos de EAD da Instituição X possuem biblioteca presencial, conforme
exigência do Ministério da Educação, inclusive os polos situados em outros países. Por fazer
parte de uma série de associações com outras organizações, as bibliotecas presenciais da
Instituição X ficam situadas em dois tipos de espaço físico, são eles: escolas e faculdades de
organizações associadas. A Instituição X aproveita o convênio firmado com outras empresas
para utilizar o ambiente de suas respectivas bibliotecas presenciais, já existentes em outras
cidades. A única localidade que não utiliza do convênio para dispor da biblioteca presencial é
o Distrito Federal, pois nele já possui uma biblioteca para os alunos de cursos presenciais da
Instituição X.
A vantagem de se utilizar bibliotecas de outras empresas já existentes nas cidades em
que iniciará um polo EAD é que o custo para implantação é bem menor. Tanto no que se
refere aos recursos humanos, que serão aproveitados deste local já existente, quanto aos
recursos materiais, dos quais também serão aproveitados. A desvantagem é que, como
algumas vezes a empresa associada não é uma organização de nível superior e também não
atende os mesmos cursos do polo de EAD da Instituição X, situado naquela localidade, não há
uma adequação ideal dos serviços da biblioteca para o tipo de usuário específico da
Instituição X.
Em relação ao acervo, a Instituição X envia os materiais bibliográficos, em suporte
impresso (livros e periódicos), para os seus polos de EAD, onde estão as bibliotecas de
organizações associadas. Estes materiais são adquiridos conforme as requisições de cada um
dos cursos de EAD, obedecendo as exigências do Ministério da Educação. Além dos
materiais impressos, a Instituição X possui um rico acervo digital, formado por livros e
revistas eletrônicas, bases de dados e repositórios. Contudo, de acordo com as informações
repassadas na entrevista, os avaliadores do Ministério da Educação se atêm, na maioria das
vezes, apenas aos livros impressos, dando pouca visibilidade aos periódicos e materiais
digitais. O gestor e coordenador entrevistados relataram que mesmo sendo avaliação de
cursos a distância, o foco dado pelos avaliadores é mesmo na contagem de materiais do
acervo presencial, mais especificamente, do acervo de livros impressos.
Quanto a utilização destes acervos pelos alunos de EAD, ambos entrevistados
disseram que, de acordo com suas percepções, o uso é muito baixo. Para comprovar esta
informação foi realizado um levantamento estatístico no sistema da biblioteca de dois polos
de ensino a distância. Informações como quantidade de empréstimo, alunos e número de
exemplares foram comparadas para fazer este levantamento.

4149

�Primeiramente, na biblioteca da localidade Distrito Federal, foram obtidos os seguintes
dados: em um universo de 3.500 alunos de EAD foram realizados 82 empréstimos do acervo
físico, de janeiro a abril de 2014; no universo de 14.000 estudantes do método presencial,
foram realizados mais de 200.000 empréstimos do acervo físico, de janeiro a abril de 2014.
Na biblioteca da cidade de Anápolis obteve-se os seguintes dados: em 8 anos de
existência da biblioteca deste polo, apenas 1 empréstimo foi realizado. Atualmente, constam
26 alunos matriculados e 796 exemplares na biblioteca presencial. Contudo, durante este
período de oito anos, com certeza, o número de alunos excede a contagem atual de 26
estudantes. Como neste polo em Anápolis não há aluno da metodologia presencial, não foi
feito um comparativo entre as duas informações.
Quando questionado aos entrevistados se a falta de utilização por parte dos alunos de
EAD poderia ser por ausência de divulgação dos serviços da biblioteca, eles disseram que não
é este o problema. Já que a divulgação é feita de três formas. A primeira, realizada no
primeiro encontro presencial obrigatório dos estudantes, no mesmo dia em que eles recebem
informações de como utilizar as ferramentas de aprendizagem e todos os serviços da
Instituição X. Neste encontro, há um momento reservado apenas para explicar a utilização dos
serviços da biblioteca. A segunda, por meio do site da instituição. A última, por meio da
divulgação de materiais impressos e mensagens eletrônicas que são enviadas aos estudantes.
Uma segunda questão levantada aos entrevistados quanto a falta de uso da biblioteca
presencial foi a acessibilidade física e digital pelos alunos de EAD. Em relação a
acessibilidade física, o gestor e o coordenador informaram que as bibliotecas ficam em locais
acessíveis. Quanto a acessibilidade das ferramentas digitais que auxiliam os alunos de EAD a
conhecer o acervo, foi informado que a maior parte delas ficam em locais bem visíveis, de
fácil acesso e que são de uso simples. Contudo, há algumas exceções de conteúdos e
assinaturas voltados apenas para este público específico que, de acordo com os entrevistados,
poderiam ficar em locais com mais visibilidade na página da instituição.

5 Conclusão

A partir do exposto no aspecto teórico e prático deste artigo, pode-se observar que os
critérios de avaliação propostos pelo MEC, não contemplam as peculiaridades existentes na
modalidade de ensino a distância, focando-se mais na realidade presencial. Os aspectos
tecnológicos necessários e as questões subjetivas dos estudantes em relação a interação com
as plataformas oferecidas pelas unidades de informação não entram no rol avaliativo. Com

4150

�isso, os dados sobre os rendimentos e satisfação dos usuários em relação aos recursos são
imprecisos.
Na observação prática realizada na Instituição X foi verificado que as exigências
cobradas na avaliação do MEC não condizem com o perfil dos alunos de EAD, tal como foi
explicitado acima. Os acervos presenciais não são utilizados de forma eficaz e não existe um
acompanhamento do uso dos recursos digitais.
Tal distanciamento percebido entre a legislação e a realidade encontrada neste estudo,
gera inquietações a respeito do papel da biblioteca universitária presencial e seu desafio para
ser de fato um recurso informacional para o aluno virtual. Com isso, surgem questionamentos
a respeito aos critérios estabelecidos e as reais necessidades de um público tão especifico.
O papel do bibliotecário diante desta nova modalidade é ir de encontro aos objetivos
da EAD. Esta, que visa facilitar o acesso ao ensino de forma a evitar o deslocamento dos
estudantes e também proporcionar maior autonomia na aprendizagem. A biblioteca necessita
oferecer recursos condizentes a esta proposta, mantendo a qualidade e disponibilidade de
conteúdos que acrescente insumos ao progresso intelectual de seus clientes.
É necessário ter critérios de avaliação diferenciados a cada uma das metodologias
educacionais: presencial e EAD.

Avaliar cada metodologia de acordo com as suas

especificidades, focando, no caso presencial, o acervo físico, o ambiente e seus demais
recursos. Na perspectiva virtual, mensurar, com mais propriedade os recursos digitais, como a
qualidade das bases de dados, materiais digitais como e-book e periódicos eletrônicos, além
do suporte ao aluno na sua interação com as plataformas disponibilizadas pela biblioteca.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>O estudo teve como objetivo examinar as atuais exigências do Ministério da Educação (MEC) para as bibliotecas presenciais, dos cursos de educação a distância, e a real necessidade da existência de acervos físicos, conforme as especificações do MEC, para os discentes desta metodologia. Para isso, foi feito uma revisão bibliográfica sobre a metodologia de ensino a distância, bibliotecas universitárias e as normas para as bibliotecas presenciais. Para verificar a utilização destes acervos, foi feito um estudo de caso em duas unidades de informação voltadas para o público de EAD. Esta averiguação foi efetuada a partir de entrevistas com os gestores das unidades e análise de dados dos sistemas de circulação de materiais da instituição. A observação prática realizada mostrou que a proposta de acervos físicos, conforme feita atualmente, não condiz com a realidade e com o intuito do ensino a distância. Pode-se concluir, neste caso, que os critérios de avaliação, propostos pelo MEC, não contemplam as peculiaridades existentes na modalidade, focando-se mais na realidade presencial e abstendo-se, em alguns casos, das ferramentas que disponibilizam conteúdos em meio digital. Esta situação pode ser levada para o contexto de outras universidades e se tornar mais uma fonte de reflexão dentro da realidade de outros cursos e instituições.</text>
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