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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PRESERVAÇÃO DIGITAL DE PERIÓDICOS ELETRÔNICOS: PROJETO PORTICO

Maria Helena Ferreira Xavier da Silva
Roberta Jerônimo da Silva
Thaíssa Lage Matias
RESUMO
Os avanços tecnológicos impuseram um grande desafio para a preservação do patrimônio
digital. As bibliotecas de hoje se vêem, cada vez mais, dependentes de artigos eletrônicos
(periódicos acadêmicos), e a preservação, em longo prazo, destes recursos tornou-se uma
necessidade crescente e cada vez mais urgente. O Sistema Portico é um serviço de arquivo
eletrônico criado para atender as necessidades críticas da comunidade acadêmica para um
meio confiável para preservar os periódicos eletrônicos.

Palavras-chave: Periódicos eletrônicos. Preservação digital. Portico.

ABSTRAT
The technological advances have imposed a great challenge for the preservation of digital
heritage. The nowadays libraries turned increasingly dependent on electronic articles
(journals), and the need of preservation of these resources, in the long term, has become
urgent. The Portico System is an electronic archiving service designed to supply the critical
needs of the academic community as a reliable device to preserve electronic journals.

Keywords: Electronic journals. Digital preservation. Portico.

1

INTRODUÇÃO

A preservação digital representa um dos grandes desafios enfrentados pelas Bibliotecas
Universitárias. Atualmente, pesquisa e ensino estão gerando dados, relatórios, publicações,
materiais de ensino e outros meios de comunicação científica em formatos digitais, tornandose cada vez mais dependentes de ferramentas eletrônicas e das bases de dados.
Em grande parte do mundo as universidades carregam consigo dois pilares fundamentais:
a pesquisa e o ensino de fato. N a maioria dos países as pesquisas e estudos científicos
ocorrem dentro das universidades, portanto, é nesse ambiente que florescem grandes estudos e

4439

�se concentram grandes personalidades. Schwartzman (1986) afirma que a concepção de que a
pesquisa científica e a universidade estão ligadas, e, é uma teoria difundida como princípio
básico das políticas educacionais em muitos países. Sendo assim, é notável a relevância da
universidade como protagonista dentro do cenário de produção do conhecimento.
Por outro lado, a produção de conhecimento em grande escala nas universidades
aponta para a necessidade da disseminação e uso do conhecimento produzido. Para que isso
aconteça, são necessárias a criação de políticas de tratamento, organização e disponibilização
desses itens; bem como a divulgação dos mesmos e o uso do maior número possível de
ferramentas tecnológicas para facilitar o acesso.
Assim, assegurar o acesso permanente aos periódicos eletrônicos é o principal motivo
pela qual as Bibliotecas Universitárias precisam pensar nos meios de preservação desses itens.

2 NECESSIDADE DE PRESERVAÇÃO DOS PERIÓDICOS ELETRÔNICOS

As aplicações das novas tecnologias da comunicação nas atividades de informação
motivaram mudanças organizacionais profundas nas estruturas (funções/operações) de
bibliotecas/ unidades de informação, sendo a principal delas o periódico eletrônico. A recente
proliferação dessas publicações eletrônicas, especialmente via Internet, vem levantando uma
cadeia de questionamentos dessas publicações. Conforme Márdero Arellano (2004, p. 16):
Com o aumento da produção de informação em formato digital, tem sido
questionada cada vez mais a importância de se ter garantia a sua
disponibilização e preservação por longos períodos de tempo [...]. Os
objetos digitais não podem ser deixados em formatos obsoletos para serem
transferidos depois de longos períodos de negligência para repositórios
digitais.
A grande aceitação dos periódicos eletrônicos nas Bibliotecas Universitárias decorreu
por meio da explosão bibliográfica existente nos últimos 60 anos. Esse crescimento
exponencial de periódicos científicos ocasionou uma reavaliação dos acervos e de seus
espaços para armazenamento. Como salienta Roger e Hurt (1990 apud CUNHA, 1997, p.80)
“ [...] a grande quantidade de periódicos impressos acaba ocupando um espaço excessivo nas
estantes das bibliotecas universitárias. Cada metro quadrado extra nas bibliotecas representa
um gasto aproximado de U$ 95,00” . Tal fato já tinha sido previsto por Joseph Henri (1981
apud CRUZ, et al, 2003, p.1), quando dizia:

4440

�A humanidade tem seu progresso baseado em pesquisa, estudo e
investigação, que geram saber, conhecimento ou, simplesmente,
informação. E praticamente para cada item de interesse existe algum
registro de saber pertinente. A não ser que essa massa de informações seja
armazenada com ordem e que se especifiquem bem os meios em que nos
irão expor os respectivos conteúdos, tanto a literatura como a ciência
perecerão esmagadas sob seu próprio peso.
Dentre outros problemas, a dificuldade na manutenção das assinaturas devido aos altos
preços que muitas vezes interrompiam a continuidade das coleções, mesmo em grandes
sistemas de bibliotecas. Apesar de a “ [...] informação ser um bem cultural e social, a mesma
passa a ser sustentada através do pagamento de altas cifras” (KRZYZANOWSKI; TARUHN,
1998, p.163). Em decorrência desse fato, Lemos (2006, p. 2) informa:
As críticas aos produtores e ao modelo que ainda predominava na década de
1990 passaram a se concentrar, nos últimos anos, no aumento exagerado dos
preços das assinaturas. A análise de dados estatísticos de 123 bibliotecas
afiliadas à Association of Research Libraries, dos EUA, mostrou que, entre
1986 e 2004, os gastos com a aquisição de periódicos subiram 273%,
enquanto com a compra de livros sofreram uma elevação de 63%. Em 2003­
2004, deu-se um gasto médio superior a 5,5 milhões de dólares com a
assinatura de periódicos. Na mesma época os recursos eletrônicos
consumiram 30% do orçamento destinado a material.
Convém ainda advertir, que a monopolização da informação por editoras de grande
porte, também, empurrou as bibliotecas universitárias para uma rápida aceitação aos
periódicos eletrônicos. Com crescente fusão dos mercados editoriais, ocorre a lei da oferta e
da procura, a demanda de bibliotecas por informações é muito maior do que a concorrência
editorial, logo, as assinaturas dos periódicos eletrônicos tornam-se exageradas e abusivas.
Conforme Lemos (2006, p. 2), apenas 8% dos fornecedores possuem 70% da fatia mundial de
publicações eletrônicas existentes atualmente.
O grupo Reed Elsevier detinha, em 2003, 28,2% do mercado mundial de
informação em CTM, seguida pela Thomson, que adquiriu o ISI, com 9,5%,
Wolters Kluwer, com 9,4%, Springer, com 4,7%, John Wiley, com 3,9%,
American Chemical Society,com 3,6%, Blackwell, com 3,6%, Taylor &amp;
Francis com 3,6%, e o restante (33,6%) distribuído entre diferentes
fornecedores. Ou seja, apenas oito fornecedores concentram quase 70% do
mercado mundial (House of Commons, 2004). Este segmento da indústria
editorial apresenta forte tendência ao monopólio e à cartelização.
Contudo, vale ressaltar que ao apresentar as assinaturas de periódicos eletrônicos, as
editoras aplicam preços flutuantes, mas precisamente, baseados nas necessidades do cliente.
Ou seja, o preço dos pacotes irá depender da quantidade de títulos adquiridos, quais títulos
adquiridos e da quantidade de acessos permitidos. Logo, “ [...] constitui-se de aluguel

4441

�temporário de um serviço e a impossibilidade de conservar uma coleção; a interrupção da
assinatura implica na perda total do acesso ou do acesso parcial conforme pagamento
proporcional ao tempo de uso” (GRUSZYNSKI, 2007, p.4). Ao contrário do periódico em
papel, cuja compra era permanente e ficava a disposição do usuário mesmo após a interrupção
da assinatura. Como corrobora Lemos (2006, p. 5):
O fornecimento de periódicos eletrônicos baseia-se não na compra de um
produto, mas no aluguel ou licenciamento de uso de um serviço por um
prazo delimitado. A interrupção do serviço implica a perda do direito de
acesso. Esse direito poderá ser mantido desde que se continue pagando uma
quantia proporcional ao uso anterior. Em síntese, ao contrário do que
acontece com a publicação impressa, o usuário não conserva uma coleção
mesmo depois de cancelada sua assinatura.
Dentre outros problemas, para Beargrie &amp; Greenstein (1998 apud MÁRDERO
ARELLANO, 2004, p.18) precauções devem ser tomadas para reduzir o perigo da perda de
materiais digitais:
51.
52.
53.
54.
55.

Armazenar em ambientes estáveis e controláveis;
Implementar ciclos de atualização (refreshment) para cópia em nova mídia;
Fazer cópias de preservação (assumindo licenças e permissões de copyrights);
Implementar procedimentos apropriados de manuseio;
Transferir para uma mídia de armazenamento padrão.

Ainda, para Bullock (1999 apud MARDERO ARELLANO, 2008, p. 46) o IPR
(Intelectual Proprity Rights) é um dos principais entraves na preservação dos objetos digitais.
Os direitos de propriedade intelectual (IPR) é uma questão importante, pois tem um impacto
significativo sobre a preservação digital. Sabemos que a lei de IPR foi originada e criada há
anos, quando não havia o pensamento a nível mundial Web. Temos ciência, também, que o
IPR foi estabelecido para os acervos tradicionais (papel), enquanto que para materiais
eletrônicos deixa a desejar. A propriedade intelectual, no âmbito dos materiais digitais, é mais
complexa e importante do que a mídia tradicional e se não forem tomadas decisões como a
legalização da responsabilidade para a preservação digital por parte da biblioteca dos
materiais que são adquiridos por ela, teremos um caos informacional. Segundo M uir (2004
apud MOGHADDAM, 2008, p. 85):
[...]libraries other than legal deposit libraries will probably want to take
responsibility for digital preservation of material they create or purchase.
However, there is a lack of awareness of what the law allows. The current
legal situation in the publishing industry needs to be clarified and changes
to the law could be considered if necessary. Changing copyright law to
facilitate legal deposit is one possibility and this is being pursued in some
countries such as the UK, but this will not help the vast majority of libraries
because legal deposit collections are collections of last resort.

4442

�Não obstante, o conteúdo dos recursos digitais e sua necessidade de software
associado devem ser levados em consideração. Conforme Márdero Arellano (2008, p. 47):
Salvar os bits de um objeto digital é necessário, mas não o suficiente para
preservá-lo. É necessário também conhecer os atributos da aplicação na
qual ele foi criado e com a qual ele pode ser interpretado. O esforço da
preservação engloba também o software e o hardware no qual o objeto
digital pode ser executado, já que eles também podem ficar obsoletos.
Vale considerar a necessidade de haver equipamentos de leitura para essas versões, e,
treinamento tanto para os bibliotecários como para os usuários - já que não é fácil manter-se
atualizado com as mudanças que ocorrem.
Logo, apesar de haver um consenso entre editoras, bibliotecas e usuários sobre as
vantagens que se apresentam ao utilizar as novas tecnologias e a possibilidade de
desdobramentos ao texto de forma eletrônica - já disponível em padrões de publicação e em
formato de impressão - devemos pensar em solucionar prováveis problemas que possam
surgir ao longo dos anos que interfiram no pagamento das assinaturas desses meios de
comunicação eletrônicos, tais como: crescente aumento de assinaturas eletrônicas, falta de
verbas das universidades para a manutenção das mesmas, a regressão de uma economia
instável e com altas inflações - algo que no passado foi o responsável pelo cancelamento de
diversas assinaturas.
Assim, as estratégias institucionais de Universidades, órgãos de pesquisa e as
Bibliotecas têm o dever de modificar e romper essas barreiras para defender a
permanência/manutenção de seus acervos e a livre disseminação dos mesmos aos seus
usuários. A atitude de formar consórcio entre Instituições de Ensino Superior para
disponibilizar aos usuários os periódicos eletrônicos a um custo mais baixo, já é uma
realidade.

3 PROJETO PÓRTICO

As inovações nos meios de comunicação científica no final do século XX e início do
século XXI conflagraram uma nova forma de troca/publicação de informações entre
pesquisadores.

As mesmas culminaram na facilidade de acesso a resultados, trabalhos e

pesquisas de terceiros em todo o mundo. Esses avanços afetam as relações científicas,
profissionais, financeiras, tecnológicas e políticas de um determinado país.
Tal situação gerou diversas maneiras de publicação e distribuição da produção
científica. Antes do advento das TI (tecnologias da informação) a produção era “facilmente

4443

�medida” e “facilmente localizada”, pois existiam apenas alguns modelos de distribuição dos
resultados das pesquisas, como por exemplo: artigos em periódicos ou artigos publicados em
congressos.

Enquanto

hoje,

com

o

desencadeamento

de

inúmeras

possibilidades,

disponibilizado pela iniciativa dos arquivos abertos, pelo movimento do acesso aberto e
principalmente pelo “ [...] modelo de negócio de editoras comerciais de revistas científicas,
que recebem os artigos, às vezes cobrando valores significativos para publicar trabalhos de
pesquisa condicionando a publicação a rigoroso crivo de avaliação” (MASSON, 2008, p.
122), despertou um descontrole da produção científica.
Assim, a comunidade acadêmica e os editores estão aprimorando os meios de
comunicação para suplantar as improbabilidades provocadas pela fragilidade tecnológica. Um
desses meios de comunicação é o Repositório Digital, que tem como força motriz solucionar:
a organização da produção editorial, criar mecanismos de busca e acesso e preservar
conteúdos dos periódicos eletrônicos. O principal objetivo desse mecanismo seria: a
conservação e manutenção dos periódicos eletrônicos assinados e o controle das publicações
nacionais. Conforme Masson (2008, p. 109):
O repositório digital parece ter como objetivo preservar as publicações
criadas em meio digital, ou as que são digitalizadas, referentes a artigos de
periódicos, ou na web, os próprios periódicos e outros eventos, trabalhos de
pesquisa, teses e dissertações para que constituam uma memória
institucional e que possam ser acessíveis a quem quiser consulta-las.
Mediante o reconhecimento da necessidade de preservação de conteúdos eletrônico,
originou-se o Portico, que fornece as bibliotecas e editoras como solução confiável - sem
incorrer em encargos e despesas na criação de criar instâncias complexas e onerosas - uma
infraestrutura tecnológica capaz de garantir que os recursos eletrônicos, que dependemos
todos os dias, sejam acessíveis a futuros pesquisadores, acadêmicos e estudantes. Durante
mais de dois anos, a equipe do projeto trabalhou no desenvolvimento da tecnologia necessária
e participou de inúmeras querelas com editores e bibliotecas até chegarem a um acordo que
conciliasse as necessidades de ambos. De acordo com Kirchhoff (2009, p.480)
Simultaneously, staff engaged in extensive discussions with publishers and
libraries to craft an approach that would balance the needs of both
communities while researching what would be necessary to build a
sustainable business model for the archive.
Portico começou como “arquivo eletrônico” com a missão de ser sustentável. O
mesmo foi lançado pelo JSTOR em 2002 e patrocinado pela Fundação Andrew W. Mellon.
Oficialmente, o projeto foi lançado em 2004 com o apoio financeiro da JSTOR, Ithaka,

4444

�Biblioteca do Congresso e a Fundação Andrew W. Mellon.
In response to this expressed need in 2004, Portico (originally known as the
JSTOR Electronic Archiving Initiative) began to work with the community
to build a technological and economic model that could support the
development, operation, and maintenance of a third party digital
preservation archive. For the first two years, Portico staff worked on the
development of technologies necessary to meet the project’s objectives.
(KIRCHHOFF, 2009, p. 480)
Presentemente, os suportes financeiros são divididos em dois tipos: para o
desenvolvimento inicial de infraestrutura tecnológica e as primeiras operações; e para apoiar o
funcionamento do arquivo ao longo do tempo. Em contrapartida, os principais beneficiários
do sistema (bibliotecas, Instituições Acadêmicas e editoras), também deverão realizar uma
contribuição anual para o arquivo e compartilhar os custos contínuos do sistema.

Como

afirma Fenton (2006, p.84)
[...]The chief beneficiaries of the archive - publishers and academic
institutions - will provide the primary sources of funding; however,
charitable foundations and government agencies will also be expected to
provide support. Publishers are asked to make an annual contribution to the
archive and share with other supporting publishers the ongoing costs to
receive, normalize, store, and migrate journal content. Fees are based on
publishers' total journals revenues (subscription, advertising, licensing) and
range from $250 to $75,000 per year.
Libraries are also asked to make an annual payment to support the ongoing
work of the archive, including the addition of new content to the archive,
maintenance and enhancement of the technological infrastructure, and
format migrations as technology evolves. Library Annual Archive Support
payments are tiered and vary according to a library's self-reported total
Library Materials Expenditure (LME), reflecting Portico's value in
preserving a growing portion of a library collection. Fees range from $1,500
to $24,000 per annum.
Portico está comprometido com a preservação de publicações digitais como:
periódicos eletrônicos, e-books, coleções digitalizadas, etc. A participação nesse sistema
oferece segurança às bibliotecas e editoras conveniadas em relação aos seguintes itens:

Service for Libraries508
•

Security — Portico offers libraries a permanent archive of e-journals,
e-books, and d-collections, providing protection against the potential
loss of access to e-literature integral to a library’s collection.

508 PORTICO. Portico services and benefits. Disponível em: &lt; http://www.portico.org/digitalpreservation/services/#page-1061&gt;. Acesso em: 18 abr. 2012.

4445

�• Coverage — Libraries benefit from preservation of a substantial and
diverse range of content that is important to their users, whether ejournals, e-books, or d-collections.
• Trigger Event Access — Participating libraries are provided with
campus-wide access to archived content when specific trigger events
occur, including when titles are no longer available from the
publisher or other source.
• Post-Cancellation Access — Portico also provides a reliable means to
secure perpetual access when a participating publisher chooses to
designate Portico as a provider of post-cancellation access.

Service for Publishers
•

Protection — The intellectual content of a publisher’s content is
preserved in perpetuity and secure in a carefully managed archive.

• Migration — Original source files of electronic journals are converted
to an archival format. Portico assumes responsibility for future
content migrations.
• Publisher Access — Full access to a publisher’s content via a Portico
web portal is provided. The Portico archive is open to a publisher’s
complete list of scholarly e-journals and e-books and to some dcollections.

Em relação aos “Acontecimentos específicos” ( Trigger Event Access) o arquivo tem
um amplo aparato de continuidade de informação, ou seja, caso venha ocorrer algum tipo
de interrupção na comunicação por parte das editoras, o sistema Portico entra em ação para
sanar esses problemas. Os acontecimentos específicos complicados podem ser:
•

O editor cessa operações;

•

O editor cessa a publicação e a oferta do título;

•

O editor deixa de oferecer títulos antigos;

•

Consequência de uma falha catastrófica e continuada da plataforma do editor.

Além destes, em alguns casos, após o cancelamento de assinaturas de periódicos
eletrônicos, os editores permitem o acesso pós-cancelamento a uma biblioteca através do
arquivo Portico. Como observa Fenton (2006, p.83).

4446

�In addition to these trigger events, both publishers and libraries have
recognized that, in some cases, even after a library has terminated a license
to an electronic resource, it may be necessary for that library to continue to
have ongoing access. This is commonly known as “perpetual access” or
post-cancellation access. A publisher may choose to extend perpetual access
to a library and that access can be provided through the Portico archive if
the publisher desires. In addition, select librarians at participating libraries
are granted password-controlled access to the archive for verification
purposes. This verification access, which is granted to the entire archive, is
not intended to be used as a replacement for commercial document delivery
services or to fulfill interlibrary loan requests. Finally, all publishers
participating in the archive have full access to their own content and any
content for which a trigger event prevails.
Conforme conhecimento de todos, os periódicos publicados em formato digital tende a
ser mais valiosos para as editoras do que aqueles publicados em formato tradicional. Via a
utilização do meio virtual, as mesmas são capazes de aprimorar a formatação do texto,
criar layouts e fazer hiperlinks com imagens. Logo, para incentivar a adesão dos editores
na preservação de seus conteúdos digitais, mediante o uso dos repositórios digitais, o
argumento seria que, através desse meio de comunicação, os mesmos não perderiam as
suas funcionalidades.
Digital content tends to be valuable to content owners for a much
longer period than traditionally true for print because it can be
packaged in new ways and as new products. To encourage
participation in preservation arrangements by content providers, the
archive cannot threaten the content providers’ business needs.
(KIRCHHOFF, 2009, p. 480)
Deste modo, as táticas para perpetuar o acesso permanente à informação e aos
conteúdos dos periódicos eletrônicos não devem ser só discutidas no âmbito acadêmico, mas,
também, no âmbito internacional para que possam combater o controle e monopólio por parte
de grandes corporações editoriais. Além disso, os repositórios digitais continuariam a
preservar os periódicos eletrônicos sem “ [...] abdicar das funcionalidades conferidas pelo
formato digital de conteúdos e da sua conectividade, ou seja, da sua qualidade de estar em
rede e vinculados por hiperlinks a outros documentos” (SAYÃO, 2010, p. 78).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa científica contribui para o desenvolvimento e melhoramento de tudo que
nos cerca - desde uma tecnologia simples como um bloco de anotações com uma cola suave;
até algo mais complexo, como o descobrimento de um medicamento para uma patologia

4447

�grave. Diante de tudo que foi exposto, é evidente a importância desse meio de comunicação
científica, que são os periódicos eletrônicos e suas variações.
A preservação digital representa um dos grandes desafios enfrentados pela educação
superior. Instituições Acadêmicas, bibliotecas e editoras estão cada vez mais dependente dos
artigos eletrônicos e outras ferramentas fundamentas no computador.
No entanto, ao mesmo passo em que a utilização de informação digital aumenta, a
responsabilidade pela preservação é prolixa, e os responsáveis - bibliotecas, Instituições de
Ensino e os editores - têm sido lentos para identificar e investir na infraestrutura necessária
para garantir que os registros acadêmicos publicado em formatos eletrônicos continuem
permanentes. A ociosidade coloca a parte digital do registro acadêmico, e a capacidade de
usá-lo em conjunto com outra informação, o que é necessário para o avanço do conhecimento,
cada vez mais em risco, e as soluções requerem acordos únicos dentro da academia para a
partilha de responsabilidade de preservação.
Sendo assim, reflexões como estas objetivam provocar indagações, reações, e por que
não mudanças nos sistemas de comunicação científica para que os mesmos sejam mais
acessíveis e desta forma, possam cumprir com suas funções que é de registrar e preservar o
conhecimento científico para contribuir hoje e sempre com o desenvolvimento e a
continuidade de novos e incansáveis estudos?

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SCHWARTZMAN, S. Universidade e pesquisa científica: um casamento indissolúvel? In:
SCHWARTZMAN, S., CASTRO, C. M. (O rg). Pesquisa universitária em questão .
Campinas: Ícone, 1986. p. 11-18.

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Os avanços tecnológicos impuseram um grande desafio para a preservação do patrimônio digital. As bibliotecas de hoje se vêem, cada vez mais, dependentes de artigos eletrônicos (periódicos acadêmicos), e a preservação, em longo prazo, destes recursos tornou-se uma necessidade crescente e cada vez mais urgente. O Sistema Portico é um serviço de arquivo eletrônico criado para atender as necessidades críticas da comunidade acadêmica para um meio confiável para preservar os periódicos eletrônicos.</text>
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