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                  <text>EIXO 2: Práticas
PRESERVAR OBRAS RARAS E DOCUMENTOS HISTÓRICOS TAMBÉM É
PATRIMÔNIO CULTURAL: UMA PROPOSTA DE AÇÃO EDUCATIVA NA
FUNDAÇÃO CULTURAL FREI SIMÃO DORVI
PRESERVING RARE WORKS AND HISTORICAL DOCUMENTS IS ALSO
CULTURAL HERITAGE: A PROPOSAL FOR EDUCATIONAL ACTION AT THE
CULTURAL FOUNDATION FREI SIMÃO DORVI
Paulo Henrique Pereira Freitas1
Resumo: O presente artigo traz uma proposta de educação patrimonial em construção, tendo como objetivo a
valorização da preservação de acervos raros e documentos históricos enquanto patrimônio cultural,
proporcionando o conhecimento acerca de nossas raízes, em espaços não formais de fruição dos bens culturais,
espaços estes que atuem como equipamentos culturais, como bibliotecas e arquivos, que contribuam para a
inclusão social e para a formação completa de cada indivíduo, favorecendo o fortalecimento da história e a
memória coletiva local. Propomos, para este trabalho, que a ação seja desenvolvida em forma de oficina e que
seja realizada na Cidade de Goiás, berço do Patrimônio Histórico e Cultural localizado a noroeste do território
goiano, nas dependências da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, um lugar de memória, de valorização e
preservação de acervos raros e do patrimônio cultural em Goiás, em parceria com uma unidade de ensino do
município. A proposta da oficina terá como pressuposto aproximar a população com os bens culturais alheios à
tutela do órgão tombador, visando à criticidade do participante, de modo a instigar a percepção da existência de
outros patrimônios, além daqueles construídos de “pedra e cal” ou expostos em espaços museológicos.
Palavras-chave: Patrimônio cultural. Educação patrimonial. Memória. Arquivos e bibliotecas.
Abstract: The present article brings a proposal for heritage education under construction, with the objective of
valuing the preservation of rare collections and historical documents as cultural heritage, providing knowledge
about our roots in non-formal spaces for the fruition of cultural assets, spaces that act as cultural equipment, such
as libraries and archives, which contribute to social inclusion and the complete formation of each individual,
favoring the strengthening of history and local collective memory. We propose, for this work, that the action be
developed in the form of a workshop and that it be carried out in the City of Goiás, the cradle of the Historical
and Cultural Heritage located in the northwest of Goiás, at the premises of the Frei Simão Dorvi Cultural
Foundation, a place of memory, of appreciation and preservation of rare collections and of the cultural heritage
in Goiás, in partnership with a local teaching unit. The workshop's proposal will be to bring the population closer
to the cultural assets beyond the jurisdiction of the conservation agency, aiming at the participant's critical
thinking, in order to instigate the perception of the existence of other heritages, besides those built of "stone and
lime" or exposed in museum spaces.
Keywords: Cultural heritage. Heritage education. Memory. Archives and libraries.

Introdução
Até a constituição de 1988, o cunho da preservação no Brasil era focado nos aspectos
relacionados às edificações de bibliotecas e arquivos, e não o valor histórico e característico
de memória de seus respectivos acervos. Assim, o que tinha lá dentro ficava, por muitas
1

Graduado em biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), bibliotecário-documentalista no
Instituto Federal de Goiás - Câmpus Cidade de Goiás, mestrando do Programa de Mestrado Profissional em
Estudos Culturais, Memória e Patrimônio da Universidade Estadual de Goiás (UEG) – Câmpus Cora Coralina, email: paulodifer@gmail.com. orientador: Prof.ª Dr.ª Keley Cristina Carneiro.

�vezes, alheio à tutela do órgão tombador. Com isso, é preciso frisar que o patrimônio cultural
de um povo não se apresenta expresso apenas em edifícios de alvenaria e conjuntos urbanos
tombados, construídos de “pedra e cal”, mas conforme descrito no inciso IV, do art. 216 da
Constituição Federal, também em documentos.
O presente artigo abarca três questões. Em primeiro lugar nos apresenta os contextos
históricos que nortearam a criação da Fundação Educacional da Cidade de Goiás,
popularmente conhecida como Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, instituição localizada no
centro histórico da Cidade de Goiás, polo aurífero do século XVIII no planalto central
brasileiro. Na sequência, busca apresentar um breve contexto acerca do histórico do
patrimônio cultural no Brasil e a concepção do arquivo enquanto bem cultural e lugar de
memória. Por fim, pretende apresentar uma proposta de ação educativa patrimonial, a ser
realizada nas dependências da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, na sua concepção de
equipamento cultural, que, pelo dinamismo de seu espaço, ao abarcar em um mesmo ambiente
uma biblioteca e um arquivo histórico, proporciona à população local um lugar de apreensão e
disseminação do conhecimento, além de ponto de encontro, de memória e de laços de afeto da
comunidade vilaboense.
Para isso propomos que a ação será realizada através da mediação, conforme salienta
Tolentino (2016), utilizando de caráter participativo, interativo e coletivo, se desenvolverá
mediante uma visita orientada com a realização de uma oficina de higienização de livros raros
e documentos históricos com a bibliotecária e arquivista da fundação, de modo a ir ao
encontro da comunidade, possibilitando aos participantes, além da visualização e do manuseio
com o documento escrito, a compreensão e contextualização do que um dia já foi presente,
proporcionando ressignificação, novos aprendizados, como também a construção e
reconstrução da memória vilaboense.
Partindo do pressuposto que todo cidadão deva ter o direito de conhecer os seus bens
culturais e deles usufruir, dentro de uma noção de patrimônio cultural, que seja ampla,
integradora e participativa, que leve sempre por consideração e ponto de partida à
representatividade

da

memória

coletiva.

Será

proposto

aos

participantes

como

complementação da oficina, a construção de um quadro de fotomemórias, de modo a instigar
aos integrantes da ação, uma mudança no olhar em relação aos bens culturais, além de uma
reflexão crítica e uma nova leitura a respeito desse espaço, que não é um ambiente ao qual o
participante está habituado no seu dia a dia, permitindo assim, segundo ressalta Florêncio et.
al. (2015), “a possibilidade de construir uma relação afetiva com a comunidade” e despertar
neste cidadão sentimentos de pertencimento e elos de identidade com o seu patrimônio.

�A Fundação Cultural Frei Simão Dorvi: preservando memórias na Cidade de Goiás
Descrita e documentada no art. 2º de seu estatuto de criação, a Fundação Educacional
da Cidade de Goiás, também conhecida como Fundação Cultural Frei Simão Dorvi,2 é uma
instituição que tem como objetivo “incentivar e desenvolver trabalhos no sentido de preservar
o Patrimônio Histórico e Artístico da Cidade de Goiás, em estreita colaboração com os órgãos
públicos federais, estaduais e municipais”.
Funcionando em um espaço “hibrido” por mesclar no mesmo ambiente um arquivo
histórico e uma biblioteca, a Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, entidade sem fins
lucrativos, criada em 1970, pelo religioso italiano-vilaboense (Giuseppe Dorvi3) Frei Simão
Dorvi, desenvolve suas atividades em sede própria, em um prédio tombado na rua da Abadia,
no centro histórico da Cidade de Goiás, fazendo parte do conjunto urbano arquitetônico
tombado pela Unesco como patrimônio histórico e cultural da humanidade.
Buscando manter viva a história e a memória da antiga capital, além de incentivar e
desenvolver trabalhos no sentido de preservar o patrimônio histórico, cultural e artístico local,
a Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, através de seu arquivo e biblioteca, mantém e preserva
sobre sua guarda uma diversa gama de documentos e acervos históricos que datam a partir do
ano de 1723 até 1969. Ainda é incerta a quantidade de materiais ali armazenados, pois
existem muitas caixas de documentos que sequer foram tratadas e analisadas.
No acervo armazenado na unidade, são encontrados documentos da antiga Câmara
Municipal de Vila Boa, registros de irmandades, fóruns cartoriais (civil, crime e família),
jornais antigos variados, documentos relativos a Prefeitura de Goiás, do Hospital São Pedro
de Alcântara (1828 até 1969), Mercado municipal, documentos religiosos: certidões de
casamento, nascimentos e óbitos, batizados, testamentos, inventários, além de obras de
personagens que fizeram parte da história e da memória do município e do estado de Goiás.
Um dos maiores desafios enfrentados pelos responsáveis pela atual administração da
fundação é que atualmente a instituição carece de recursos, humanos e financeiros. Em razão
da inexistência de investimentos do poder público estadual, municipal e federal, a manutenção
do arquivo é proveniente, principalmente, das doações financeiras de uma ong internacional,

2

Em 25/02/1996 a Fundação Educacional da Cidade de Goiás em reconhecimento ao trabalho de (Giuseppe
Dorvi) Frei Simão Dorvi, dedicados a cultura do município de Goiás passa a se chamar Fundação Cultural Frei
Simão Dorvi.
3
Nasceu na Itália em 13/12/1907, desembarcou no Brasil em 1936, veio para a Cidade de Goiás na Semana
Santa de 1938 com mais dois padres e assumem o Convento do Rosário fundado em 1883 pelos dominicanos
franceses. Em 1972 recebe o Título de Cidadão Vilaboense pela Câmara Municipal de Goiás.

�da cobrança da taxa de pesquisa, da venda das publicações doadas pelos pesquisadores e do
aluguel de algumas vagas de garagens para veículos existente no terreno da instituição.
Apesar da ausência de políticas contínuas de preservação por parte do estado e do
município onde está situada, das dificuldades em relação ao fomento e à falta de recursos
humanos necessários ao seu funcionamento – fatores que dificultam a promoção e a difusão
da cultura e desses bens culturais para a população local -, faz-se importante frisar o crescente
número de estudiosos e pesquisadores de diversas partes do país, interessados em estudar e
extrair informações fundamentais para suas pesquisas, tais como teses e dissertações, devido
ao rico e extenso acervo existente na fundação, dentre os quais, muitos documentos e obras
consideradas raras ou inéditas.
O contexto do patrimônio e o arquivo enquanto patrimônio cultural e lugar de memória
Cotidianamente, em algum momento de nossa história, nos referimos ao termo
“patrimônio”, do latim patrimoniu (patri = pai + moniu = recebido), neste contexto,
relacionado ao conceito de herança. Conforme ressalta Gonçalves (2003), o termo está ora
agregado a bens de valor econômico e financeiro, ora relacionados a bens naturais. Há
também os patrimônios arquitetônico, ecológico, etnográfico, genético e, o ponto central desta
ação, os patrimônios históricos e culturais, que se dividem em bens tangíveis/materiais ou
intangíveis/imateriais.
A instituição e marco legal da política de preservação em relação ao patrimônio
histórico e artístico no Brasil se concretiza inicialmente, por intermédio do Decreto-Lei nº 25
de novembro de 1937, que trazia a seguinte definição para patrimônio histórico e artístico
nacional: “O conjunto de bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja de
interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da história do Brasil, quer por
seu excepcional valor arqueológico ou etnográfico, bibliográfico ou artístico”. (BRASIL,
1937).
O cunho da preservação no nosso país, por muitas décadas, esteve assentada na ideia
de edifícios, monumentos, obras de arte, entre outros, fortemente ligados ao estado-nação
brasileiro, estes, marcadamente ligados à história e à memória das elites e aos segmentos
dominantes de nossa sociedade, conforme salienta Tolentino (2018), e à concepção cristã e
europeia de patrimônio, segundo destaca Chuva (2003), em um processo de amplo
esquecimento das minorias, conforme ressalta Marchette (2016), “o distanciamento dessa
instituição em relação á sociedade em ter promovido a preservação da tradição branca,

�católica e colonial, deixando de lado a diversidade cultural nacional”, quando relata a crítica
que recaía ao IPHAN entre os anos de 1970 e 1990.
A vertente de Tombamento implantada nos primeiros anos esteve assentada nas
teses sobre as três raças formadoras da sociedade brasileira, graças à noção de
civilização material introduzida por Afonso Arinos de Melo Franco (O Branco
Português, O Negro Africano e o Índio). Essa perspectiva justificava o predomínio
da proteção de bens materiais, especialmente arquitetônicos, relativos ao período
colonial. (CHUVA, 2011, p.154)

Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, amplia-se a concepção do termo
patrimônio cultural e reconhece-se a grande diversidade cultural brasileira e a existência de
bens culturais de natureza material e imaterial, referentes à identidade, à ação, à memória dos
diferentes grupos formadores da sociedade brasileira e admitindo a atribuição de sentidos e
valores, conforme descrito nos incisos do art. 216 da carta constitucional brasileira, ao
considerar as formas de expressão; os modos de fazer e viver; as criações cientificas, artísticas
e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às
manifestações artístico-culturais; os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico,
artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico, também são considerados
patrimônios culturais brasileiros.
Conforme ressalta Lopez (2016), com a ampliação do conceito, “estabelece-se o
vínculo indissociável entre os documentos de arquivo e o direito à cultura, reconhecendo o
direito de todos a participarem da vida cultural”. Porém, embora prevista na carta
constitucional brasileira de 1988, através do seu art. 216, em um avanço significativo em
relação à tutela do tombamento no país, ao reconhecer que os documentos podem ser
considerados bens culturais referenciais desta nação, é preciso frisar que a vertente do
patrimônio documental arquivístico no Brasil, ainda está aquém e muito distante de conseguir
a mesma rogativa e reconhecimento elencado sobre os bens culturais construídos
essencialmente de pedra e cal ou aqueles expostos em espaços museológicos, fatores que
comprometem a idealização de programas relativos à restauração e ao enquadramento de
memórias coletivas no território brasileiro.
A Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO),
através do Programa Memória Mundo (MoW), conceitua o termo “patrimônio documental ou
arquivístico”, como aquele que se refere ao patrimônio vinculado aos arquivos: “conjunto de
documentos ligados à história, às tradições, costumes culturais e ao modo de operação
administrativo dos povos”. Já o Arquivo Nacional Brasileiro (2005) define conceito de
patrimônio arquivístico, como um “conjunto dos arquivos de valor permanente, públicos ou

�privados, existentes no âmbito de uma nação, de um estado ou de um município”. Na
concepção do órgão nacional dos arquivos brasileiros, o reconhecimento dos documentos
arquivísticos enquanto patrimônio documental se dá pelo valor histórico a ele atribuído e o
seu legado para uma determinada comunidade.
De acordo com Cougo Junior (2019), existem geralmente, muitas citações e poucas
definições, que caracterizam o conceito do que é em síntese a categoria de patrimônio
arquivístico, patrimônio documental, patrimônio documental arquivístico ou patrimônio
arquivístico documental. Segundo o próprio autor, existem dois vieses na formação dos
arquivos ligados principalmente aos seus produtores e aos motivos para os quais foram
criados. O primeiro víeis está presente na construção do espaço, relaciona-se à ideia de posse
e propriedade, à natureza econômica, fiscal e jurídica dos documentos e interessa mais a quem
concebeu o arquivo do que às demandas culturais. Já o segundo viés presente na constituição
desse espaço, e essencialmente é essa concepção que nos interessa, relaciona-se diretamente
com o âmbito do patrimônio cultural, pois nele se apresentam as “ideias de legado e de
representatividade do passado e de caracterização das sociedades que faz parte”.
Os arquivos públicos ou privados e seus conjuntos documentais, consistem em fontes
de informação que nos permitem conhecer o passado e a legitimação do pragmatismo
histórico. Neste sentido, os arquivos têm a função primordial de guarda e de solidificação da
memória e o fortalecimento dos elos de identidade de uma nação, visto que os discursos, ao
serem construídos, dependem de coerência, credibilidade e de referências, pois conforme
salienta Pollack (1989), “o trabalho de enquadramento das lembranças coletivas, se alimenta
de material fornecido pela história”.
Na busca pela compreensão dos contextos acerca da patrimonialização em torno das
instituições de arquivamento brasileiras, Cougo Júnior (2019) nos apresenta quatro processos
possíveis para a “ativação do patrimônio cultural arquivístico” enquanto bem cultural no
Brasil. O primeiro processo de ativação se dá através da seleção e avaliação dos documentos à
luz da Lei Federal Nº 8.159 (Lei dos arquivos), em que os conjuntos documentais passam pelo
crivo de uma comissão para o reconhecimento de sua “valoração” e são avaliados seguindo
critérios relativos ao amparo da memória coletiva, ao auxílio na escrita da história ou ao
favorecimento dos traços culturais dos povos. Dentro deste processo os arquivos considerados
aptos para acautelamento patrimonial são classificados como “arquivos permanentes” com
“valores secundários”.
O segundo processo de ativação do patrimônio cultural arquivístico se efetiva através
do tombamento e foi instituído através do Decreto-Lei Nº 25 de 30 de novembro de 1937, que

�organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional brasileiro. Por intermédio do
tombamento, o Estado, através de seus agentes, avalia o conjunto documental por meio de
critérios técnicos e define pelo seu acautelamento, que pode ser tanto um arquivo público,
quanto privado. Porém na conjuntura brasileira, conforme salienta o próprio autor, ainda são
“escassas” as instituições de arquivamento tombados no Brasil.
O terceiro processo de ativação do patrimônio cultural arquivístico se materializa
através da “declaração de interesse público e social” (dips) na qual os arquivos privados, tanto
de pessoas físicas, quanto institucionais, podem ser declarados de interesse público e social.
Conforme salienta Cougo Júnior (2019), “pode ser caracterizado como uma espécie de
tombamento exclusivo para os arquivos”. Instaurado através da Lei nº 8.159, de 1991, a Lei
dos arquivos, e ancorado no Decreto Nº 4.073, de 2002, estabelece que caberá ao Conselho
Nacional de Arquivos (CONARQ), por meio dos trabalhos da Comissão Permanente de
Acervos, acolher ou não a solicitação de declaração de interesse público e social que
determinado arquivo privado possa abranger.
O quarto processo de ativação do patrimônio cultural arquivístico se concretiza através
da inscrição do arquivo no Programa Memória do Mundo (MoW), projeto de abrangência
internacional, instituído pela UNESCO em 1992. O programa tem contemplado patrimônios
documentais de relevância tanto locais, quanto regionais e mundiais, em arquivos públicos ou
privados, desde que sua conservação e preservação tenham importância para as gerações do
presente e do futuro. O Memória do Mundo apresenta três objetivos principais: facilitar a
preservação do patrimônio documental mundial, mediante as técnicas mais adequadas,
facilitar o acesso universal ao patrimônio documental e criar uma maior consciência em todo
o mundo da existência e importância do patrimônio documental”. Conforme Salienta Cougo
Junior (2019), esta quarta via de patrimonialização tem um sentido “menos impactante sob o
ponto de vista jurídico, mas importante para o viés simbólico, e conta com cerca de uma
centena de acervos arquivísticos nominados no programa”.
Como bem frisa Tolentino (2017), a representação das memórias coletivas e
consequentemente o campo do patrimônio cultural no Brasil, estão fortemente marcados por
“conflitos e disputas”, além de relações históricas de poder e de afirmação entre classes
dominantes sobre classes dominadas. Desta forma, os bens culturais arquivísticos, como todas
as outras correntes presentes no campo patrimonial, não ficam alheias a este contexto. Posto
isto, é necessário pensar a memória e o esquecimento nos quais historicamente foram
concebidos estes espaços, quais elementos foram esquecidos e quais foram lembrados, o que e
porque são preservados, além é claro, da questão acerca do papel de imparcialidade do

�profissional arquivista envolvido na preservação dos documentos. Essas são algumas das
narrativas presentes na concepção deste local.
Porém, faz-se importante frisar que o arquivo, enquanto lugar de memória, pode
abarcar as vozes dissonantes e a representatividade das minorias, inclusive as étnicas, que
antes eram esquecidas ou negligenciadas, e neste contexto se configurar em espaço de
resistência e instrumento de poder dos excluídos, fator que tem contribuído cada vez mais
para atrair historiadores, estudiosos e pesquisadores das mais diferentes áreas do
conhecimento, interessados em conhecer e estudar sobre as memórias coletivas em torno do
patrimônio cultural documental ou arquivístico.
Conforme salienta Nora (1993), os lugares de memória são simultaneamente:
“material, simbólico e funcional (os três sentidos)” ou seja, este só é um lugar de memória, se
o ritual se fizer presente, se tiver relevância especial para uma comunidade e se existir um
grande simbolismo. Neste sentido, é necessário frisar que os lugares de memória, nos
remetem simultaneamente, a duas facetas do patrimônio: os tangíveis e os intangíveis, a faceta
da tangibilidade se refere ao meio físico e à materialidade presente no lugar, já a faceta da
intangibilidade se refere ao simbólico, pois este só é um lugar de memória se o sentimento se
fizer presente.
Os lugares de memória segundo Nora (1993), “nascem e vivem do sentimento que não
há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários,
organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não
são naturais”. Nessa perspectiva, uma edificação, como o prédio de um arquivo ou de uma
biblioteca, também pode ser considerada um lugar de memória. Para isso é imprescindível que
o sentimento se faça presente, que haja vínculo do lugar com a comunidade ou com a sua
história, que seja importante dentro de seu cotidiano, conforme destaca IPHAN (2016), “as
edificações podem ser de diferentes épocas e estilos e servir para diferentes finalidades... o
importante é que eles representem uma referência para as pessoas”.
Nessa conjectura, o arquivo enquanto lugar de memória, na sua concepção de
equipamento cultural, além de promover a apreensão e a disseminação do conhecimento,
mantém e preserva diversos documentos referentes à história, às identidades e às memórias
coletivas locais, regionais e nacionais, favorecendo assim, a Lei Nº 12.527 - Lei de Acesso à
Informação, a preservação do patrimônio arquivístico documental, a inclusão social e os laços
de cidadania, pois são lugares nos quais a histórias locais, regionais e nacionais se legitimam e
se concretizam.

�A biblioteca e o arquivo histórico como palco de educação patrimonial: uma ação
educativa na Fundação Frei Simão Dorvi
Os documentos, conforme salienta Indolfo (2007), serviram e servem para autenticar
direitos, certificar o exercício do poder, bem como para registrar a memória. Neste sentido,
entendemos que a preservação de obras raras e documentos históricos em lugares de memória,
seja em arquivos, bibliotecas ou centros de documentação, é também uma forma manter viva
a memória e o patrimônio cultural de um povo. Mas faz-se importante ressaltar que parte
desses bens culturais são frequentemente esquecidos ou negligenciados pelo poder público,
pela iniciativa privada e pela própria comunidade, ficando assim, por muitas vezes, alheios ao
acautelamento pelos órgãos de tombamento do estado.

Figura 1: Fachada e alguns ambientes da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi

Fonte: - Acervo pessoal do Autor

Nessa conjectura, apresentaremos a seguir uma proposta de ação educativa tendo
como foco, a valorização e a preservação do patrimônio cultural nas dependências da
Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, em sua concepção de equipamento cultural e espaço não
formal de educação, em conjunto com uma unidade de ensino da Cidade de Goiás. O que se
pretende ao realizar a ação na Fundação Cultural Frei Simão Dorvi é aproximar a população
dos bens culturais locais, despertando nela laços de afeto com seu patrimônio, e realizar um
trabalho que vá além da sensibilização, que empodere a própria comunidade para que seja
agente de sua própria cultura, para que tenha voz e vez, e participe efetivamente e se
reconheça nas ações de cunho preservacional em torno de seu patrimônio.

�A educação patrimonial como componente essencial das atividades de
patrimonialização e, portanto, como direito social, implica em um processo de
diálogo a partir do qual se aprende/ensina, no qual se apreende os sentidos locais
conferidos aos bens e lugares, os saberes populares, as relações estabelecidas com as
coisas. Para haver diálogo é preciso, antes de tudo, valorizar o outro, se dispor a
aprender com ele. Não há diálogo possível quando o técnico de patrimônio olha para
o morador como aquele que é ignorante, degradador. Só há diálogo em relações que
são horizontais, entre iguais. (SCIFONI, 2019, p.30-31)

Faz-se imprescindível, na concepção desta ação educativa, que sejam adotadas
diversas metodologias, que instiguem a formação crítica e cidadã dos participantes de forma
que se valorize a memória e o patrimônio histórico e artístico ao seu redor, conforme aponta
Tolentino (2016), a “prática educativa pode e deve ser baseada em diferentes metodologias
que levem em conta as especificidades e peculiaridades de cada caso, dependendo do público
com quem se trabalha, do ambiente e dos diferentes contextos”.
Para isso, o que se propõe é que as metodologias sejam pautadas e desenvolvidas a
partir dos estudos de autores que trabalhem as vertentes da educação patrimonial, a
preservação da memória e do patrimônio histórico e cultural, de modo a fundamentar o
desenvolvimento e a evolução das próximas etapas do projeto, que proporcionarão
embasamento teórico aos alunos, até a etapa da visita orientada na Fundação Cultural Frei
Simão Dorvi e seu acervo de obras raras, locus central desta ação, de forma, a permitir que se
estude, além dos aspectos relacionados ao seu prédio físico, já que a sede da fundação
também é um bem tombado, mas também a magnitude e a diversidade de conteúdo do que seu
acervo de obras raras e documentos históricos pode vir a oferecer.
O desenvolvimento desta ação de educação patrimonial se concretizará ao longo de
diversas etapas. O primeiro momento será uma reunião conjunta entre a direção da escola, a
coordenação da unidade de ensino e a bibliotecária/arquivista da fundação, na qual serão
apresentados os pontos norteadores de todo o projeto de educação patrimonial, afim de
conseguir autorização para o seu desenvolvimento, firmar parceria com as instituições
participantes e delinear as próximas fases de desenvolvimento do projeto.
De forma a prosseguir com a ação, será desenvolvido junto com alunos, na própria
sala de aula, um diagnóstico, a partir de suas próprias concepções e realidades acerca do
patrimônio histórico e cultural. Nesse momento, serão trabalhados os principais conceitos da
educação patrimonial com foco central na Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, abordando os
objetivos com os quais foi criada, os aspectos relacionados a sua história, a sua estrutura física
e à memória vinculada à instituição, pois segundo Tolentino (2016), o essencial é o processo
dialógico e democrático da prática educativa, segundo a perspectiva trabalhada por Paulo
Freire, que considere as diferenças, pelo respeito à diversidade cultural e pela participação

�efetiva dos produtores e detentores do patrimônio como sujeitos sócio-históricos. Neste
sentido, Florêncio et al. (2014, p. 20), pondera que “o que se almeja é a construção coletiva do
conhecimento, [...] e não uma educação somente reprodutora de informações, como via de
mão única e que identifique os educandos como consumidores de informações”. Uma das
proposituras desta etapa será subsidiar as decisões acerca da próxima etapa, a realização da
oficina de educação patrimonial.
A visita orientada até a fundação deverá ser feita parte no transporte da escola e parte
a pé, de forma que os alunos percorrerão algumas ruas do centro histórico da cidade, e será
encerrada com uma oficina de higienização de documentos históricos. No decorrer da visita
orientada a biblioteca/arquivo da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, haverá, além da
exposição dos documentos, um debate entre a turma e a bibliotecária/arquivista da instituição,
acerca dos vários aspectos dos bens ali dispostos, para que os participantes possam
compreender que “o que um dia foi presente” e “hoje constitui passado” é também uma forma
de manter viva a memória e o patrimônio cultural de um povo, instigando, assim, um olhar
crítico e uma formação mais cidadã.
Essa atividade terá como propositura aproximar não só os alunos e professores das
práticas de preservação de livros e documentos raros que são disponibilizados na
biblioteca/arquivo da Fundação Cultural Frei Simão, mas também a possibilidade de
fortalecer os elos do povo com os bens culturais nos espaços nos quais estão inseridos,
conforme salienta Florêncio et. al. (2014, p. 21), “Qualquer que seja a ação implementada ou
o projeto proposto, sua execução supõe o empenho em identificar e fortalecer os vínculos das
comunidades com o seu Patrimônio Cultural, incentivando a participação social em todas as
etapas da preservação dos bens”.
Paulatinamente, as políticas educativas foram se afastando de ações centradas em
acervos museológicos e restritas a construções isoladas... Seus efeitos se
potencializam quando conseguem interligar os espaços tradicionais de aprendizagem
a equipamentos públicos, como centros comunitários e bibliotecas públicas, praças e
parques, teatros e cinemas. (FLORÊNCIO et. al. 2014, p. 24)

Encerrada a oficina, e com objetivo de fortalecer os vínculos da comunidade com o
locus do projeto, será proposto aos alunos um próximo encontro, na qual será sugerido que
eles desenvolvam um quadro de “fotomemórias” a partir das fotografias previamente
solicitadas de seus/suas pais/avós/avôs e também pelo conjunto das fotografias registradas
durante a realização da oficina e no trajeto até chegar ao bem. Na construção do quadro,
estarão expostos além das fotos dos adolescentes participando da oficina, fotos de seus entes
queridos: pais/avós/avôs trazidas de casa pelos próprios alunos, de preferência ainda crianças

�e fotografadas em espaços de patrimônio pela cidade, permitindo que o público faça sua
própria leitura e interaja de diversas maneiras com o objeto da oficina. O objetivo será
rememorar lembranças, a partir de suas raízes, que despertem a busca por outras narrativas
dentro do próprio espaço, desta forma, permitindo a possibilidade que o ambiente da
biblioteca/arquivo da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi se transforme num “lugar de
memória”, que desperte sentimentos de pertencimento e identidade.
Para aferição dos resultados desta ação de educação patrimonial, propõe-se que a
avaliação das atividades ocorra de modo contínuo, priorizando as dinâmicas de grupo e as
rodas de conversa, para facilitar a interação e a troca de experiencias entre os participantes,
contribuindo, assim, com a construção de conhecimento e a formação de um olhar crítico
acerca das atividades propostas, de modo a se revelar, se os objetivos previamente traçados
durante o planejamento da ação foram ou não atingidos.
A avaliação final do projeto de educação patrimonial será através de uma roda de
conversa, com todos os participantes da ação, que apresentarão as suas opiniões acerca de
todas as atividades desenvolvidas; uma caixa de sugestões também será disponibilizada, a fim
de que os participantes possam instigar outros caminhos, ideias, metodologias e oficinas.
Desta forma, espera-se que a soma de todos esses elementos avaliatórios permita a
averiguação dos objetivos propostos e se os resultados foram ou não atingidos durante a
concepção do projeto, proporcionando fundamentos para a sua reformulação, aprimoramento
ou desenvolvimento dessa ou das próximas atividades de educação patrimonial a serem
desenvolvidas.
Considerações finais
Se as políticas preservacionistas empregadas em estados e municípios em torno do
patrimônio histórico e cultural no território brasileiro, seja ele material ou imaterial, tangível
ou intangível, forem contínuas e desenvolvidas com ações bem-sucedidas de educação
patrimonial que prezem pela coletividade e que sejam dialógicas, a tendência será de atenuar
o sentimento de indiferença empregado por uma parcela significativa da população, em
relação aos bens culturais tombados, conforme a problemática apresentada por Florêncio et.
al. (2015, p.23), “que no Brasil, nem sempre a população se identifica ou se vê no conjunto do
que é chamado de patrimônio cultural nacional”.
Sendo assim, se os projetos e ações educativas adotadas em relação aos bens culturais
forem construídas dentro de um processo de mediação, de modo a reduzir as disputas, os
conflitos e as relações de poder e dominação, sob os quais, historicamente, foram concebidas

�a maioria dos bens tutelados no Brasil, essas iniciativas tendem a produzir excelentes
resultados, de forma a garantir a ponte para uma nova relação entre a sociedade e os bens
patrimoniais tombados.
Se as modalidades do patrimônio material, imaterial e natural, forem trabalhadas com
ações efetivas de educação patrimonial pautadas dentro de um processo educativo contínuo e
dialógico, com “formação ampla, critica e humanista”, como salientou Scifoni (2019), este
viés, pode vir a se tornar um caminho plausível, em que os vínculos dos estudantes para com
o seu patrimônio poderão ser modificados, dentro do próprio universo da escola, fortalecendo
assim, laços de perenidade com os bens tutelados e promovendo a participação social dos
envolvidos.
Enfim, almeja-se que os participantes da ação educativa realizada dentro de um espaço
não formal de fruição dos bens culturais, que atue como equipamento cultural e contribua para
o fortalecimento dos laços de cidadania, como a biblioteca/arquivo da Fundação Cultural Frei
Simão Dorvi, desenvolvam uma reflexão crítica acerca dos bens culturais locais e percebam
que existem outros patrimônios, além do bem cultural físico construído essencialmente de
“pedra e cal”, tutelado pelo Estado ou exposto em espaços culturais como peças
museológicas, e que, a partir disso, valorizem e reconheçam as diversas modalidades do
patrimônio cultural, que lutem pela sua preservação e também se identifiquem com o seu
patrimônio.
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              <text>O presente artigo traz uma proposta de educação patrimonial em construção, tendo como objetivo a valorização da preservação de acervos raros e documentos históricos enquanto patrimônio cultural, proporcionando o conhecimento acerca de nossas raízes, em espaços não formais de fruição dos bens culturais, espaços estes que atuem como equipamentos culturais, como bibliotecas e arquivos, que contribuam para a inclusão social e para a formação completa de cada indivíduo, favorecendo o fortalecimento da história e a memória coletiva local. Propomos, para este trabalho, que a ação seja desenvolvida em forma de oficina e que seja realizada na Cidade de Goiás, berço do Patrimônio Histórico e Cultural localizado a noroeste do território goiano, nas dependências da Fundação Cultural Frei Simão Dorvi, um lugar de memória, de valorização e preservação de acervos raros e do patrimônio cultural em Goiás, em parceria com uma unidade de ensino do município. A proposta da oficina terá como pressuposto aproximar a população com os bens culturais alheios à tutela do órgão tombador, visando à criticidade do participante, de modo a instigar a percepção da existência de outros patrimônios, além daqueles construídos de “pedra e cal” ou expostos em espaços museológicos.</text>
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