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PROJETO DE CAIXA DE DEVOLUÇÃO 24 HORAS: MANUSEIO AUTOMÁTICO DE
MATERIAL BIBLIOGRÁFICO NA EESC
24 HOURS BOOK RETURN DESIGN: AUTOMATIC HANDLING OF BIBLIOGRAPHIC
MATERIAL AT THE EESC

Sergio Gomes Machado Filho1
Carlos Alberto Fortulan 2
Andressa de Carvalho3
Eduardo Graziosi Silva4
Elenise Maria de Araujo 5
Resumo: Dentre as tecnologias digitais que têm imposto mudanças nas bibliotecas universitárias, destaca-se a
implantação de acervos digitais, apesar do ensino de graduação ainda ser pautado, principalmente, pelo acervo físico, o
que se deve, sobretudo, ao caráter orgânico do aprendizado. Neste sentido, as atividades de empréstimo e devolução
ainda são bastante solicitadas, contrapondo com a diminuição do período de atendimento presencial, assim, a
implantação de coletoras automáticas de materiais flexibiliza a operação. Apresenta-se o projeto de uma máquina
coletora automática de materiais no Serviço de Biblioteca “Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes” da Escola de Engenharia
de São Carlos da Universidade de São Paulo, que foi elaborado a partir de uma metodologia de desenvolvimento de
projetos composta das etapas “fase informacional”, “projeto conceitual”, “projeto preliminar” e “projeto detalhado”.
Esse projeto substitui a coletora atual, com capacidade média para 30 materiais e design de uma caixa vertical com
recebimento pela ação da gravidade, o que favorece a danificação das obras. O projeto de uma máquina modular e
mecanizada para coleta automática de materiais apresenta capacidade de armazenamento três vezes maior que a atual,
melhora a preservação da integridade física das obras e prevê a implementação do sistema de leitor ótico para
identificação e registro da devolução das obras no sistema de automação do Serviço de Biblioteca, a separação das
obras e um mecanismo para controle de microrganismos.
Palavras-chave: Automação de biblioteca. Devolução automática de materiais. Devolução de materiais.
Abstract: Among the digital technologies that have imposed changes in university libraries, the implementation of
digital collections stands out, although undergraduate education is still guided mainly by the physical collection, which
is mainly due to the organic nature of learning. In this sense, loan and return activities are still very much in demand,
contrasting with the reduction in the period of face-to-face service, thus, the implementation of automatic material
collectors makes the operation more flexible. The project of an automatic material collecting machine in the Library
Service “Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes" from the São Carlos School of Engineering of the University of São Paulo,
which was elaborated from a project development methodology composed of the "informational phase", "conceptual
project", "preliminary project" and "detailed project". This project replaces the current collector, with an average
capacity of 30 materials and design of a vertical box with receipt by gravity, which favors damage to the materials. The
project of a modular and mechanized machine for the automatic collection of materials has a storage capacity three
1

Mestrando em Engenharia Mecânica. EESC/USP. sergio.gomes.filho@usp.br.
Doutor em Engenharia Mecânica. EESC/USP. fortulan@usp.br.
Bacharel em Ciências Contábeis. EESC/USP. andressac@usp.br.
4
Doutorando em Ciência da Informação. EESC/USP. edu.gs@sc.usp.br.
5
Doutora em Engenharia de Produção. EESC/USP. elenisea@sc.usp.br.
2
3

�times greater than the current one, improves the preservation of the physical integrity of the materials and provides for
the implementation of an optical reader system for identification and registration of the return of materials in the
automation system of the Library Service, the separation of materials and a mechanism for controlling microorganisms.
Keywords: Library automation. Automatic materials return. Materials return.

1 INTRODUÇÃO
A automação de bibliotecas é uma realidade presente há muito tempo nas bibliotecas
universitárias brasileiras. Ao longo do tempo, essas instituições envidaram esforços em adquirir
softwares que facilitassem a gestão de suas operações, dentre elas, as atividades de circulação de
acervo. Tanto o empréstimo quanto a devolução também já contam com soluções automatizadas que
contribuem para a preservação do acervo, haja vista que permitem manusear os materiais
adequadamente, apesar do custo de aquisição oneroso para muitas instituições.
A devolução automática de materiais faz parte do conceito de Manuseio Automatizado de
Materiais, do inglês Automated Materials Handling (AMH), que se refere a qualquer automação
que reduz ou elimina a necessidade de funcionários para realizar a identificação, seleção ou
transporte de materiais. Em seu estágio mais simplificado, temos um sistema simples de devolução
automática de materiais com uma máquina transportadora, subsequente separação dos mesmos e
posterior armazenamento em caixas. Esse tipo de sistema pode funcionar integrado ao sistema de
automação da biblioteca e registrar as devoluções automaticamente através da leitura de código de
barras ou RFID (GALECIA GROUP, 2020). Nesse sentido, apresenta-se o projeto de uma caixa de
devolução automatizada no Serviço de Biblioteca “Prof. Dr. Sérgio Rodrigues Fontes” da Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (SVBIBL/EESC/USP), que foi
desenvolvido em colaboração com um docente e um aluno do Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Mecânica da Escola.
2 MÉTODO
O projeto de revisão e atualização da caixa de devolução 24 horas prevê receber 24 horas
por dia/7 dias por semana os materiais emprestados com qualidade, ser passível de complementos e

�atualizações futuras, oferecer a possibilidade de desinfecção de vírus e bactérias e ter um custo
compatível (por assim dizer: diminuto) diante de um serviço que tem recebido diminuição no
investimento para acervos físicos. Neste sentido, a integração do SVBIBL com as especialidades da
Engenharia foi uma estratégia idealizada para um projeto personalizado e integrado com o ensino da
Engenharia em seus níveis de graduação e pós-graduação.
Nesta primeira etapa, foi aplicada uma metodologia composta por quatro fases para o
desenvolvimento de projetos: fase informacional, projeto conceitual, projeto preliminar e projeto
detalhado (PAHL et al. 2007). Na fase informacional, foram realizadas entrevistas com a equipe do
SVBIBL para identificar o “o que”, “como” e “por que” se fazia necessária a caixa de devolução
automática. No projeto conceitual, ocorreram sessões de brainstorming cujo objetivo era obter a
maior quantidade possível de ideias para identificar as melhores soluções e elaborar os conceitos
das máquinas. A fim de melhor compreender o problema e ser mais assertivo na proposição de
soluções, realizou-se o mapeamento e análise do processo de devolução de materiais. Já no projeto
preliminar, a caixa coletora foi dividida em estruturas modulares que foram exploradas e
desenvolvidas de acordo com os conceitos elaborados nas fases anteriores. A última fase, projeto
detalhado, constou da elaboração dos modelos digitais 3D e a realização dos detalhamentos das
peças e conjuntos mecânicos das máquinas com o software SOLIDWORKS®, enquanto que os
diagramas funcionais e layouts elétricos foram desenvolvidos no software AutoCad®.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A fase informacional identificou que, durante os horários em que os materiais são recolhidos
da caixa (8h, 12h, 14h, 18h e 21h), a maior média diária de devoluções é de 8,4 itens às 12h e a
capacidade estimada da caixa atual é de 30 itens. Quando não há expediente por períodos
prolongados, a porta da caixa é deixada aberta para que, caso seja devolvido um volume maior que
a capacidade, os materiais deslizem para o chão, o que causa danos nos mesmos. Além disso, o
acolchoamento interno da caixa está desgastado e ela não possui uma estrutura adequada para
absorver o impacto da queda das obras no fundo da mesma.

�Na fase do projeto conceitual, o conceito da nova caixa foi dividido em dois subsistemas:
uma máquina capaz de receber e armazenar os materiais e um sistema de identificação e
comunicação com o Sistema Aleph, utilizado nas Bibliotecas da USP, o qual será desenvolvido em
etapa posterior do projeto. Na fase do projeto preliminar, a seleção das soluções considerou os
seguintes itens: custos de matéria-prima, custos de fabricação, nível de especialização da
mão-de-obra necessária para a fabricação e montagem, manutenção, versatilidade, durabilidade e
possibilidade de integração com outros módulos. Assim, priorizaram-se soluções que possibilitaram
a instalação do sistema de identificação de materiais com alterações mínimas na estrutura e
acionamento da máquina. A estrutura da máquina foi concebida como um transportador por correia,
alinhado à abertura da caixa de devoluções atual, que transporta o material até um carro de
armazenamento, conforme ilustrado abaixo.

Figura 1 - Ilustração da máquina coletora de materiais, vista perspectiva

Fonte: Machado Filho (2021)

�O funcionamento geral da máquina é bastante simples e ocorre da seguinte forma: o material
é inserido na abertura da caixa de devolução e escorre por uma rampa até a correia transportadora,
um sensor presente na rampa identifica a presença do material e aciona o motor por tempo
suficiente para que a correia transporte-o até o carro de armazenamento. Caso outro material seja
depositado enquanto a esteira estiver em movimento, o sensor recompõe o tempo de acionamento
do motor. Foram observadas questões relativas às normas de segurança e ergonomia, NR 12 e NR
17, respectivamente, quanto às paradas de emergência, proteções, sinalizações e posição do
operador para remoção dos materiais da caixa de armazenamento com fundo elevatório e nível de
ruído agradável ao ambiente. Ao final, o projeto detalhado foi apresentado às partes interessadas e
aprovado pelo SVBIBL, o qual entendeu que ele atende a todas as premissas do projeto. Em
seguida, a Diretoria da EESC aprovou o financiamento da fabricação e, em posse de toda
documentação técnica, listas de materiais e orçamentos preliminares, iniciaram o processo de
aquisição dos itens e serviços necessários para a implementação da máquina.
4 CONCLUSÕES
A máquina coletora de materiais teve seu projeto desenvolvido e os custos de fabricação
levantados. Memoriais de cálculo e descritivo, projeto detalhado, diagrama elétrico, listas de
materiais, estimativas de custo e manual técnico foram entregues e aceitos pela equipe do SVBIBL
cliente. O projeto atendeu todos os requisitos e extrapolou as expectativas da equipe, tanto na
capacidade operacional quanto na simplicidade, robustez e custo de implementação.
Além disso, é um equipamento que se destaca dos modelos existentes no mercado, haja vista
que atendem as demandas específicas do SVBIBL de forma customizada, com uma estrutura que
minimiza o impacto da devolução dos materiais, contribuindo para sua preservação e conservação, e
a separação de materiais reservados e não reservados, solução que será posteriormente
implementada.
REFERÊNCIAS

�GALECIA GROUP. Automated materials handling: more information. 2020. Disponível em:
https://galecia.com/content/automated-materials-handling. Acesso em: 26 maio 2021.
MACHADO FILHO, Sergio Gomes. Desenvolvimento de mini máquinas baseadas em
transportadores de correias aplicados em dois estudos de caso: tape casting e esteira coletora de
livros. 2021. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) - Escola de Engenharia de São
Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos. [no prelo]
PAHL, G. et al. Engineering Design. 3rd ed. Londres: Springer, 2007.

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