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�V CONGRESSO BRASILEIRO BE BIBLIOTECONOMIA E BOCUMENTAÇXO - S.PAULO
d a 15 BE JANEIRO BE 196? • PATROCINABO PEL'" INSTITUTO NACIONAL BO LIVRO

Tema 4 - BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS E ESPECIALIZABAS
4.3

Bibliotecas escolares

Bibliotecas escolares em S.Paulos situação atual
e aperfeiçoamento
por
X
Alfredo Américo Hamar
e

XX

Sonia Custódio Corrêa

027.822 3 816
027,7 (8I6II)

CBB 17a ed,
CBU

X Vibliotecário chefe da Escola de Engenharia de S.Carlos e Biretor da Escola de Biblioteconomia e Bocumentação de S,Carlos
XX professora d.a Escola de Biblioteconomia e Bocumentação de S.Carlos

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�sumnir,

1. A rede de escolas secundárias e normais oficiais do Estado de São
laulo

1

2. A eficiência do ensino pela pesquisa bililiográfioa

1

3. Bibliotecas sem bibliotecários

2

4&lt; Becomendações

4

Sinopse
Análise geral da situação atual das bibliotecas escolares do Estado de São Paulo e a importância da pesquisa bibliográfica na formação dos
estudantes secundários.

Recomendações à Secretaria da.Educação para o e-

fetivo funcionamento dessas Bibliotecas.

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�1, A rede de escolas secundárias 2 normais oficiais dc Estado de S.Paulo
■' estado de São Paulo se destaca como o grande centro industrial e oul
tural da União.

Sua população é de I5.845.000 habitantes, sendo 2.252.760

estudantes que frequentara as 17•50''' escolas primárias, 1,120 secundárias e
125 universitárias, disseminadas por todo o interior do estado.
0 govêrno, através da Secrevaria da Educação, tem se preocupado com
a instalação de novas escolas.

Contudo a, falte, de assistência finanooiaa su-

ficiente e constante para a manutenção e expansão desses organismos è r.otá vel, acarretando uma série de prejuisos em seus objetivos.
Muitas escolas são improvisadas e a instalação inadequada prejudica
frequentemente 0 aproveitamento necessário para a formação do jovem.
Essa situação é critica, pois dentre as inúmeras Bibliotecas Escolares existentes no estado, raríssimas são as que realm.ente funcionam, cumprin
do a sua verdadeira finalidade.
Notam-se pontos negativos como car,acteristica.s comuns â maioria

das

Bibliotecas Escolares s falta de organizaç.ão, pessoa.l especializado e verbas,
são vedadas ao público, desatualizadas, absolutamente estáticas.
E de maior importância despertar o interesse da. Secretaria da Educaça,o
para que se estude a fundo a questão e se equacione o problema para que

as

Bibliotecas Escolares possam servir na preparação do jovem para a Universidade e futuro profissional eficiente»
2« A eficiência do ensino pela pesquisa bibliográfica
■^s métodos didáticos tradicionais evoluiram, desde o início do século 19, para formas mais livres, baseadas na cclabcração e participação ativa
e direta por parte dos alunos.
A obra do educador é, pois, suscitar a participação do aluno, orientando-o e estimulando seu espírito.
Ea Escola Nova recomond.a-se mesmo o respeit.':- ã espontaneidade de cada aluno, não educando, mas só instruindo, ou melhor, proporcionando o material para instrução.
Nota-se uma tendencia grande para 0 método do ensino dirigido que
permite ao educador despertar a livre 0 autônoma vontade de desenvolvimento.
Para tal, deve 0 educador guiar a assimilação do assunto, orientando o aluno
para a pesquisa bibliográfica, permitindo-lhe procurar em diversas fontes p^
rá que, através de opinioes diversas ou coincidentes, tiro as suas próprias
ccnclusoos.

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�„ â Em resumo,, a norma geral da didática és
a) educar a percepção, ou seja, ensinar a discernir as coisas de
mundo - a olra didática ajuda o estudante a tomar contato com as coisas, com
o mundo elementar que forma o objeto

de seu interésse;

h) deve-se ensinar a ver, a querer ver, despertar o interesse movido por uma referência específicaj
c) ensinar a observar, isto é, a ver com ordem o interesse e este
é um dos fins principais do ensino.
0 meio para se cumprir tal finalidade 6 principalmente a pesquisa bibli_o
gráfica,

já de comprovada eficiência como auxiliar do ensino, contribuindo pa-

ra o seu melhor aproveitamento.
5• Bibliotecas sem bibliotecários
A importância da biblioteca na formação do estudante secundário e nor_
malista é tão sensível que alguns educadores, leigos à biblioteconomia,

cla-

mam pela sua organização e funcionamento eficiente com pessoal especializado.
A este reepeit', desejamos transcrever abaixo artigo publicado na Folha de são Paulo, de 14/ll/l965s de autoria do Prof. José Pires Carvalho, diretor substituto da E.N.G.E. José Pena, de Taquarituba, SP, que analisa

de

forma integral o problema das bibliotecas e a carência de bibliotecários.
"Mais do que supérfluo seria exaltarmos a necessidade de bibliotecas
nas escolas secundárias - mas em. pleno funcionaniento, oferecendo ao estudan tes o indispensável manancial de conhecimentos gerais e específicos, para com
plementar os benefícios culturais recebidos nas salas de aula.
educaçao ao livro didático seria a negação da própria Educação.

Limitarmos a
Cs professo-

res por mais cultos e dedicados gue possam ser, .não terão condições de suprir,
nos parcos quarenta ou cinquenta minutos de aula, as consultas às enciclopé dias, a leitura, enfim, a vivência diuturna dos alunos com os bons livros.
Por outro lado, a existência de biblioteca fechada, sem uso, servindo apenas para constar de estatísticas ou para ser most'ada aos visitantes,co_
mo coisa proibida e intocável, equivalería à sua própria inexistência.
A luta dos professores e diretores para aumentar - qualitativamente
ou quantitativamente - as bibliotecas é uma constante em nossas escolas secu^
dárias, ao lado do governo que, *periódicamente, distribui livros e outras
blicaçoos aos educandários estaduais.

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Quer através de compra, com recursos

provenientes de órgão de cooperação escolar, quer através de campanhas junto

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�- 3 aos alunos e amigos da escola, ou mesmo por doações de editoras, é patente a
preocupação de enriquecer as nossas bibliotecas escolares.
No entanto uma lacuna - tão grande quanto inquietante - reduz a quase nada os efeitos dos esforços dispendidos para a formação ou melhoria

das

bibliotecass a falta de bibliotecários nos estabelecimentos de ensino médio.
Êsse problema 5 gravíssimo, se considerarmos que biblioteca sem bi bliotecário é como navio sem piloto, isto é, não funciona.

E como poderia

funcionar, não tendo quem execute o trabalho de catalogar e de classificar os
livros I de organizar o fichário; de registrar a movimentação de entrada e ,sa_í
da dos volumes 5 de cuidar da conservação e promover a desinfecção periódica dos livros I de consultar os professores sobre as obras em falta para adquirilas j de atender os alunos, auxiliando-^s na escolha das obras de que necessitam, que contenham este ou aquele assunto relativo às necessidades do momento?
Por vezes os diretores designara funcionários de outros setores para
tomar conta da biblioteca, mas sem prejuizo das funções que lhe são próprias.
E óbvio que essa medida não alcança os objetivos desejados.

As atribuições

de um bibliotecário não podem, absolutamente, ser cumpridas por outros

fun-

cionários, e&gt;m intervalos irregulares, nos momentos perm.itidos pelos afazeres
de seus cargos.

E necessária a dedicação de tempo integral e que o funcion^

rio esteja, durante o maior tempo possível, à inteira disposição dos alunos.
TJrge que sejam tomadas providencias para a solução dos problemas que,
apesar de tão delicado e importante, estão presentes em quase todas as esco Ias secundárias.
Bem sabemos que para o exercício do cargo de bibliotecário é necessá_
•ria pessoa habilitada, portadora do diploma de biblioteconomia; mas a disponibilidade de elementos com essa classificação está completamente fora

das

reais necessidades dos nossos ginásios, colégios e esfiolas normais.
Algumas soluções têm sido aventadas, como o aproveitamento, para essas funções dos docentes aiixiliares, cujas atribuições não estariam ainda bem
definidas; embora nem tôdas as escolas contem com esses servidores,pelo menos
algumas delas teriam seus problemas atenuados.

Outra medida consistiria

. no

'■'comissionamento de professores primários, junto às escolas normais, para a prestação (te,queles serviços.

Por fim, a admissão de professores normalistas,

com funções de bibliotecários, poderia re-^.olver em parte, o problema nas

de-

mais unidades do ensino médio.

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�»• A *
Não pretendemos apresentar essas possibilidades como soluções ideais e
definitivas para o cruciante problema da falta de bibliotecários, mas tão sòmente como providências capazes de atenuá-lo, dando maiores possibilidades educacionais â vasta rede do ensino secundário e normal do estado de S.Paulo,
Não é suficiente a escola estar equipada com uma boa biblioteca; e
servidores que sugerimos, preparados através de cursos...

os

estariam em condi-

ções de fazê-la funcionar satisfatoriamente, com evidentes possibilidades de
cumprir a sua parte na sagrada missão educacional da escola".
Os conceitos do autor, na sua generalidade, apresentam um claro retrato
das bibliotecas escolares.

Emitiu alguns conceitos sobre pessoal de bibliote,

cas que, face â lei n. 4084»

podem ser aceitos.

Entretanto, devemos con-

siderar que 0 autor é professor, leigo portanto do movimento bibliotecário.
Nota-se, todavia, que o problema aflige todas as escolas secundárias
que embora possuindo bibliotecas não têm as condições básicas de pleno

fun-

cionamento justamente porque a Secretaria da Educação não tem encarado o pr_r
blema na sua verdadeira importância.
Há necessidade de revisão completa da orientação até hoje dada às
bliotecas escolares.

bi-

Não se pode admitir situações em que, muitas vêzes, os

alunos do curso secundário nao sabem nem siquer consultar uma enciclopédia,um
dicionário ou uma biblioteca.

Outras vêzes, até desconhecem onde está loca-

lizada a biblioteca da escolá.
Torna-se de primeira urgência a reformulação das .bibliotecas nas escolas, principalmente as pertencentes à Secretaria da Educação do Estado de São
Paulo para que realmentc haja eficiência no ensino e se evitem as reprovações
em massa nas escolas superiores, nos exames de admissão.
4* Recomendações
Que a Secretaria da Educação do Estado de São Pauloí
4*1 ” crie uma Divisão de Bibliotecas, com atribuição de orientar,organizar e supervisionar o funcionamento das bibliotecas escolares das instituiçoes oficiais do ensino secundário, dentro do moderno conceito de instrumento básico para a educação;
4*2 - que amplie o quadro de bibliotecários e lote urgentemente
as
%
^i^lio'tscas que nao possuam pessoal especializado, regularmente diplomado;
4*3 ~ que permita o comissionamento de professores primários a fim de
ctirsarem as Escolas de Biblioteconomia, suprindo assim a deficiência de

pe_s

soai especializado;

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�- 5 4*4 ~

observe as determinações contidas na Lei Federal 4O84/62 e

Decreto 56.725/65* inclusive reestruturando os vencimentos dos bibliotecários nos mesmos padrões do magistério secundário,
4.5 - q.ue seja efetuado, com urgência, um planejamento e programas de
recuperação das bibliotecas escolar.s, inclusive implantando legislação sobre organização, funcionamento e objetivo dessas unidades, fixando-lhes

os

padrões mínimos;
4.6 - que nos programas de ensino sejam previstos cursos de orientação bibliográfica aos estudantes..

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