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                  <text>ORIENTAÇÃO DE PESQUISA
BIBLIOGRÁFICA SISTEMATIZADA
EM BIBLIOTECAS ESCOLARES
Nyzalmira Cunha Bejes
e Marly Schaffer Dias
Divisão de Extensão
da Biblioteca Pública do Paraná
Curitiba, PR

1.

INTRODUÇÃO

Como é sabido do público em geral, ninguém possui conhecimento inato de pesquisa de qualquer espécie; quando muito, sói acontecer
um raro espírito de investigador que limita suas buscas em determinado
campo de pesquisa — geralmente científico — sem noção sequer de como
organizar a bibliografia.
Atualmente atravessamos uma fase evolutiva em que a Ciência,
a Tecnologia e o progresso sócio-econômico das nações tendem a exigir
mais e mais o desenvolvimento das qualificações de cada indivíduo.
Ora, as épocas da vida mais propícias à fixação do aprendizado
sendo a infância e a juventude, ou seja, a idade escolar, preconizamos a
disseminação de bibliotecas escolares como órgãos vivos e dinamizadores
do estudo, tendo lado a lado o professor e o bibliotecário empolgados numa
luta comum pela orientação eficiente do educando, não só pelos mais recentes métodos pedagógicos nas matérias curriculares, como também, e
acima de tudo, no uso de todos os reciusos
recursos da biblioteca, a fim de habilitar o aluno gradativamente a fazer suas próprias pesquisas bibliográficas com segurança e desenvoltura.
desenvoltma.
2.

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Determina a Lei Federal n&lt;?
n? 5.692, de 11-8-71, que fixa diretrizes
e bases para o ensino de 19 e 29 graus, em seu capítulo I, artigo l.°: “O
ensino de 19 e 29 graus, tem por objetivo geral proporcionar ao educando
a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades, como
elemento de auto-realização, qualificação para o trabalho e preparo para
o exercício consciente da cidadania.”
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�Ora, “proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização”,
implica proporcionar-me
proporcionar-lhe informações e experiências tais que lhe permitam
conhecer-se e conhecer o seu mundo, desenvolvendo o conhecimento de
sua capacidade, ampliando suas possibilidades e favorecendo o aparecimento contínuo e constante das oportunidades, o que evidentemente o conduziría de modo seguro à perfeita “qualificação para o trabalho e preparo
duziria
para o exercício consciente da cidadania.”
Deixa portanto de ser um mero anseio de professores ou de bibliotecários, pretender que os alimos
alunos do 1"?
1*? e 29
2^ graus iniciem uma nova
concepção do mestre, da escola e da biblioteca porque, como ficou acima
transcrito, já é uma lei que o determina, portanto, um dever cívico a ser
cumprido.
Após vários anos de observação e análise dos fatos ligados ao desenvolvimento da cultura no Estado do Paraná, chegamos à conclusão de
que, apesar de estarmos em plena era da propulsão a jato e dos computadores eletrônicos, os sistemas de estudo e a mentalidade
mentaHdade popular a respeito de biblioteca, estão positivamente anacrônicos. Pior que isso: há desenvolvimento constatado nos métodos de ensino, porém o conceito de biblioteca parece ter regredido, e não vai aí nenhuma crítica especial a nada
nem a ninguém em particular. Simplesmente existe, e é o resultado talvez
da falta de uma análise prévia da problemática e de um planejamento sistematizado por parte do bibliotecário
bibUotecário escolar, prevendo as necessidades
intelectuais do educando e oferecendo-lhe os meios natmais de removê-las,
ou seja, a orientação clara para pesquisa bibliográfica individual.
Já dizia com muita propriedade Lasso de la Vega: “a biblioteca
completa a tarefa da escola; esta não seria completamente eficaz sem o
concurso daquela. É
Ê incongruente ensinar a ler a quem pouca ocasião tem
de encontrar o uso do hvro,
livro, e é nos primeiros anos de vida que se deve
ensinar o uso e proclamar a utilidade da biblioteca.
bibhoteca. Há que atrair os meninos aos livros e ensinar-lhes o manejo das bibliotecas, para que aprendam a utilizá-las, a servir-se delas e para que, chegado o tempo em que
sejam homens, continuem freqüentando-as igualmente, e tirem delas os
meios para se tomarem mais úteis, mais inteligentes
intehgentes e melhores.”
Donde se infere, que as bibliotecas escolares é que são inegavelmente as indicadas para atender às solicitações imediatas dos alunos no
que tange à investigação bibliográfica,
bibhográfica, e são elas que, mercê da atuação
indispensável do bibliotecário, vão paulatinamente orientando os jovens
no desenvolvimento da compreensão, na escolha adequada da leitura, auxiliando nos resumos e anotações sobre o assimto
assunto que estiverem investigando e dando-lhes, inclusive, algumas noções técnicas de grande utilidade para, no futuro, quando chegarem aos cursos superiores, estarem
aptos a organizar corretamente seus trabalhos curriculares, teses etc., dentro dos métodos e exigências pedagogicamente mais modernos.
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�Ao que consta, porém, estas considerações tão efetivamente racionais, ainda são um anseio, um ideal de formação educacional e de progresso para âmbito nacional.
“Entretanto, para se tomar realidade este ideal, é necessário haver colaboração entre professores e a biblioteca, a fim de o bibliotecário
estar a par do método de ensino e o currículo das diversas classes. O professor precisa conhecer o que a biblioteca
bibhoteca possui e dar aos alunos problemas acompanhados de bibliografias. Professor que demonstrar entusiasmo
pela biblioteca, dará vida ao trabalho escolar. Esta colaboração é, por
assim dizer, a pedra fundamental do trabalho da biblioteca
bibhoteca escolar, e o
bibliotecário poderá fazer a sua parte, que é ilimitada e importantíssima.”
É preciso, além disto, que haja conscientização de que a “bibho‘Tjiblioteca não é um simples anexo ou auxiliar” na organização escolar, como
habitualmente está sendo considerada, mas é de fato — ou deverá ser —
mn verdadeiro órgão integrante e propulsor do desenvolvimento das potenciahdades do educando.
tencialidades
Para tanto, é mister que o bibhotecário
bibliotecário escolar ofereça aos alunos, classe após classe, em presença do professor — elemento indispensável, inclusive como mantenedor da ordem e da disciplina — uma orientação clara sobre o livro,
hvro, a bibhoteca
biblioteca e tudo o que nela se contém — ou
deverá conter — e como fazerem uso do material disponível, aproveitando-o ao máximo em favor dos trabalhos escolares e do desenvolvimento
intelectual de cada um.
3.

SUGESTÃO DE TÓPICOS
A SEREM DESENVOLVIDOS

Naturalmente, no início do ano letivo, o bibhotecário
bibliotecário escolar, após
levantamento, saberá qual o número exato de turmas de cada série que
haverá para serem orientadas, o que lhe facultará, com o auxílio
auxího da administração da escola, distribuir conveniente e oportunamente
oportxmamente as horas de
orientação, que podem atingir em média 18 horas anuais.
Considerando a idade do aluno
alimo e seu nível intelectual, seus interesses e suas possibilidades a partir do ponto em que esteja alfabetizado,
pode-se ensinar e reforçar aprendizagem de classe, oferecendo atividades
e informações específicas para a utilização do hvro
livro e da bibhoteca.
biblioteca.
A título de sugestão, foram relacionados, a seguir, tópicos a serem
desenvolvidos pelo
pelo bibhotecário
bibliotecário para orientação dos estudantes, distribuídos nas oito series
séries do 1^ grau, com as dificuldades graduadas.
2^ série do 19 grau:
a) manuseio correto do livro
hvro de leitura
b) noções básicas das partes integrantes do hvro:
livro: capa, folha-derosto, texto
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gentílmente

�c) cuidado e higiene com o livro
d) utilização dos conhecimentos de seqiiência alfabética
3^ série do 1*? grau:
3^ série do 1*?
1"? grau:
a) exercícios divertidos sobre alfabetação
b) manuseio e uso de dicionário
c) cuidados especiais com o livro: zelar pela conservação, devolvê-lo em dia etc.
d) utilização de técnicas que despertem o interesse pela leitiura,
leitura,
reforçando, inclusive, as aulas de leitura da classe
4? série do 1"?
4^
1^ grau:
a) manuseio de fichários — analogia com a ordem alfabética de
. dicionário
assimto
b) diferença entre fichários de autor, título e assunto
c) aplicação dos conhecimentos de ordem numérica crescente e
decrescente
d) manuseio e uso de enciclopédia
5^ série do 1"?
1*? grau:
a) qual é o número de chamada na ficha e como copiá-lo
chamada, como localizá-lo na estante
b) de posse do número de diamada,
c) utilidade prática do índice
d) como tomar apontamentos e ordená-los
6^ série do 1"?
1^ grau:
a) como fazer resumo do assunto que interessa
b) como interpretar as fichas de autor, título e assimto
assunto
c) quais as fontes a pesquisar para diferentes assimtos
assuntos
d) uso do material complementar de referência (recortes, mapas etc.)
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m..

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�7^ série do 1*?
19 grau:
a) partes do livro que podem ter interesse especial: orelha, prefácio, data, papel, encadernação etc.
b) a importância de citar a fonte consultada para o trabalho
c) como apresentar a bibliografia
d) como conhecer e utilizar-se de periódicos em geral: jornais,
revistas etc.
8^ série do P grau:
a) como utilizar-se de folhetos em geral e dos turísticos em especial, para estimulo e ilustração de matérias curriculares, tais
como: história, geografia, educação moral e cívica etc.
b) orientar o educando para fazer visitas e consultas a bibliotecas públicas, especializadas, consulados, escolas profissionais
etc., realizando entrevistas
c) o uso de materiais especiais: slides, discos, diafilmes, microfilmes etc.
d) a manipulação e uso de: retrovisor, toca-discos, projetor de
shdes, gravadores, ou seja, os aparelhos de que a escola dispõe.
slides,
4.

CONCLUSÃO

Como resultado imediato desta orientação metodizada, os alimos
em geral:
1. terão maior segurança dentro da biblioteca;
2. estarão cada vez mais aptos para investigar por conta própria
dentro do acervo, a respeito dos tópicos sugeridos pelo professor em classe;
3. terão melhores condições de objetivar sobre os temas ou debates em equipe;
4. garantidamente saberão melhor concatenar as diversas partes
dos trabalhos escolares, de modo a formar um todo conclusivo;
5. em conseqiiência,
conseqüência, seus trabalhos, assim ordenados, serão mais
fáceis e agradáveis para o professor corrigir;
6. desenvolverão melhor seus princípios de higiene, ordem, civismo, disciplina e auto-suficiência.
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�Parece-nos evidente que este acentuar de fatores positivos nos
alunos em geral, produza mn
um clima de maior compreensão e mais tranqüilidade dentro da escola, favorecendo sobremodo o árduo trabalho do
professor, que irá encontrando aos poucos, nos alimos, maior disposição e
capacidade de colaboração para o desemrolar
desenrolar mais agradável e eficiente
das aulas.
Por sua vez, o trabalho de direção também se beneficiará com
esse ambiente de bom entendimento e franca colaboração entre alunos,
professor e bibliotecário, de tal maneira que é lícito esperar da parte do
diretor um apoio cada vez mais seguro
segiuo e firme quanto à continuidade desta
orientação de pesquisa bibliográfica.
Finalmente, esta continuidade da orientação do bibliotecário, redundará na formação de uma geração de jovens mais aptos a servir-se
dc bibliotecas, quer escolares, quer públicas ou especializadas, com a facilidade que hoje lhes faz imensa falta, e com a desenvoltura que em vão
a maioria almeja agora.
Uies dará domínio das biblioPor outro lado, esta desenvoltura lhes
tecas 0 que, além de ampliar ilimitadamente seus conhecimentos em todos
os ramos do saber humano a que se inclinarem, haverá de facilitar
faciUtar sobremodo na escolha da profissão, e afinal num desempenho social e profissional sempre mais atualizado e brilhante.
5,
5.

BIBUOGRAFIA

BRASIL, Leis, decretos etc. Habilitações profissionais no ensino do 2'
2’ grau.
Rio de Janeiro, Expressão e Cultura; Brasília, INL, 1972.
DOUGLAS, Mary Peacock. Manual del
ãel professor bibliotecário. México, Reverté, 1960.
ELLSWORTH, Ralph E. La biblioteca escolar. México, AID, 1971.
FERRAZ, Wanda. A biblioteca. 4. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro, Freitas
Bastos, 1957.
LACERDA, Maurício Caminha de. Biblioteca — escola e oficina. Rio de Janeiro, Serv. de Doc. do MTIC, 1955.
LITTON, Gaston. Manual para el uso de estudiantes de escuela secundaria.
Panamá, Comitê
Comité Pro-Semana dei Libro, 1959.
MOTT, Carolyn &amp; BAISDEN, Leo B. The children’s book on How to use books
and libraries. New York, C. Scribner’s sons, 1961.
OLIVEIRA, Yvone Rocha d’. Importância da biblioteca escolar no Brasil. Belém, 1971. Trabalho apresentado ao VT
VI Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, Belo Horizonte, 4 a 10 de julho de 1971.
SILVA, Ruth Ivoty Torres da. A escola primária rural. 2. ed. Porto Alegre,
Globo, 1957.
SOUZA, Ruth Villela Alves de. Biblioteca escolar. Rio de Janeiro, CADES,
1957.
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Documentação&#13;
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